Capítulo 17 - Decepção

1566 Words
Nina encarou Candice e Dulce como se a qualquer momento elas fossem dizer que era uma brincadeira, ou algo tipo, mas não, as duas continuavam sérias. Nina: Não sei o que dizer. Disse sincera após ouvir toda a história. Candice: Eu sei que é difícil de acreditar. Eu mesma, por vários momentos achei que fosse loucura da minha cabeça. Nina: Eu não sei como a Alana vai reagir isso, e me preocupo. São muitas informações. Candice: Eu também não sei qual seria o momento certo para contar. Nina: Eu acho que vocês não terão outra forma, não existe nenhum momento para isso, de qualquer forma vai machucar. Dulce: Você acha que ao contarmos pode piorar o quadro clinicamente? Nina: Ela não ter tido qualquer sequela após o coma, foi um grande alívio, eu acredito que ela pode sofrer algumas alterações leves, mas isso seria um risco. Por que uma hora ela vai perguntar pelos pais, pela outra irmã. Candice: Então eu vou conversar com o Afonso sobre contarmos a verdade. Nina: Eu vou fazer o requerimento do exame de sangue. Candice: Obrigada. Quando elas chegaram ao quarto viram Alana deitada no peito de Afonso, os dois conversavam. Nina: Detesto ser a portadora de notícias ruins. Alana: Ah Não! Não diga que ele tem que ir embora, por favor. Afonso fez um carinho nos cabelos dela, também não queria ir embora. Nina: Infelizmente sim. Candice: Mas olha, a Dulce vai ficar com você hoje, como sua acompanhante. Eu preciso ir para casa. Alana: Vai contar para os nosso país e a Bela que estou viva? Perguntou esperançosa. Queria muito ver os três. Candice: Vou, mas antes, precisamos conversar. Afonso: Candi... Alana: Não estou gostando das caras que estão fazendo. Candice: Eu sei que vai ser difícil para você no início, mas você precisa entender tudo o que aconteceu. Alana: O que mais eu preciso saber? Perguntou se sentando. Candice se aproximou. Alana tinha uma das mãos dada a Afonso e a outra Candice segurou ao se sentar ao lado da irmã. Candice: Quando você saiu daquele banco com os bandidos, ouve a perseguição. Se lembra disso? Alana: Sim. Nina disse que com os passar dos dias vou conseguir me lembrar com mais nitidez como sai do carro. Candice: Então, no dia o carro que achamos em que você estava capotou e em seguida teve explosão. Por ser no meio de uma avenida muitas pessoas foram feridas e até falecidas. Afonso: Quando chegamos ao hospital não sabíamos o que fazer. Eu vi o carro capotar e explodir e pra mim você estava ali. Eu vi meu mundo literalmente desabar. Confessou se lembrando daquele dia. Alana apertou a mãe dele. Alana: Não fica assim, amor. Eu estou aqui agora. Disse dando um selinho nele. Candice: Fomos informados pela equipe de emergência do hospital que poderia estar morta, e que para isso seria preciso o reconhecimento do corpo. Disse sem conseguir segurar as lágrimas. - Ninguém teria condições de vê que você está morta. Disse sem conseguir continuar. Dulce: A Bela se ofereceu para fazer o reconhecimento. E ela confirmou que um dos corpos era o seu. Alana: Espera... Mas eu estou aqui. Como...ela poderia? Perguntou ainda sem entender o que aquilo significava. Dulce: Ela disse que era você. Sua mãe passou tão m*l naquele dia que foi preciso dopa-la. O Raul não tinha nem forças para segurar o corpo da sua mãe. O Afonso estava destruído. Ninguém queria acreditar que você estava morta, mas fazia sentido. O Hugo, Chris, seus pais e Afonso viram você entrar naquele carro. E a Bela confirmando que um dos corpos era o seu. Tudo se encaixa, sabe? Alana assentou deixando as primeiras lágrimas caírem. Alana: Ela...mentiu? Foi isso né? Perguntou magoada. Candice: Foi sim. Sinto muito, Alana. Nunca íamos imaginar. Afonso abraçou Alana ao ver que ela tinha caído no choro. Afonso: Chora, meu amor. Disse sentindo o corpo dela sacudir pelos soluços. Candice: O enterro foi de caixão fechado, a Bela disse que seu rosto tinha sofrido muitas fraturas. Seria insuportável de velarmos você dessa forma. Alana: POR QUÊ ? POR QUE ELA MENTIU? Candice: Entendemos que está sendo difícil para você. Alana: Eu sempre a amei, é minha irmã, Candi, minha irmã de sangue. E como ela mente assim? Que explicação tem pra isso? Por que ela fez isso? Dulce: No início, cheguei a pensar que talvez ela pudesse querer evitar que todos criássemos alguma expectativa de te encontrar, que a dor seria melhor que a incerteza, mas não foi por essa razão. Alana: E qual foi a razão? Ela sabe que vocês já me encontraram? Candice: Não, ela não sabe. Ela não faz ideia. Alana: Por que então ela fez isso? Causar dor aos nossos pais assim. Afonso: A culpa é minha. Alana o encarou. Alana: Por que sua? Disse secando as lágrimas. Afonso: Ela fez isso por minha causa. Ela acha que está apaixonada por mim. Mas o que ela sente pode ser tudo menos amor. Alana: Que? Candice: A Bela sempre quis o Afonso, Alana. Ela disse que você estava morta, por que pensou ser mais fácil conquista-lo sem você no caminho. Alana: Não...isso não é verdade...não pode ser ... Candice: Alana... Alana: Como eu não pensei nisso? Eu sempre achei estranho ela nunca se envolver com ninguém. No início eu tinha minhas desconfianças. Afonso: Tinha? Perguntou surpreso. Alana: Tinha, mas ela pareceu aceitar tão bem nosso namoro que achei que fosse coisa da minha cabeça. O jeito que ela te olhava no colégio, eu achei que por ser o garoto novo na escola, era só por ser a novidade. Mas não pensei que todos esses anos ela alimentava isso. Afonso: Eu nunca desconfiei, a ficha só caiu de ontem para cá. Sempre a vi como uma irmã. Alana: Eu acho que preciso de um tempo sozinha para assimilar tudo isso. Candice assentiu. - Como descobriram que eu estava viva? Candice: Foi por causa do seu noivo. Sorriu. Afonso: Não sabia disso. Candice: Você sonhou com a Alana quando dormiu lá em casa, lembra? Afonso assentiu. - E eu sempre fui muito susperticiosa em relação a sonhos. Então comecei a ficar pensando nisso. Alana: E o que era esse sonho? Afonso: Você me dizia que estava viva, me chamava no sonho e pedia minha ajuda. E quanto mais eu tentava de enxergar você ficava mais distante. Alana abriu a boca em surpresa. Candice: De alguma forma eu sentia que aquilo era sim pedido de ajuda. Afonso: Eu fiquei muito m*l com aquele sonho. Candice: Eu fiquei pensando no assunto e cada vez mais as coisas não se encaixam. Foi quando pedi a ajuda da Dulce. Ela começou a trabalhar aqui. Alana: Você se mudou para capital? Perguntou agora mais alegre. - Sempre te pedi isso, tive que morrer para isso acontecer. Brincou. E Afonso a encarou sério. Não queria que Dulce contasse o motivo da sua mudança para a Capital. Dulce: Achei que seria bom ficar mais próxima ao Afonso, ele estava precisando de apoio. Se limitou a dizer isso. Alana: Então a Dulce descobri que estava aqui? Perguntou voltando ao assunto. Candice: Ela entrou nos arquivos do hospital. E percebemos que o laudo não condizia com o que nos foi dito sobre a causa da sua morte, depois fomos a funerária e descobrimos que não era você quem enterramos. Dulce: Quando voltamos aqui você estava acordada. O resto da história você já sabe. Alana: Eu nem sei o que dizer. Tudo isso parece história de filme. Eu preciso assimilar tudo isso. Candice: Nós entendemos que precisa de tempo para você. Disse se levantando. Nina: Ela precisa descansar agora, já teve muitas emoções por esses dias. Eles iam se retirando. Candice segurou Afonso pelo braço e o entregou o papel. Candice: É para você fazer o exame. Afonso: Acha que devo contar agora ou depois? Candice: Eu não sei. Isso só você pode decidir. Talvez seja bom deixá-la um pouco sozinha e contar quando o exame tiver pronto. Afonso: E é justo isso? Ela assimilar tudo isso e depois levar mais um golpe? Candice: E seria justo de qualquer forma ir lá e jogar mais essa bomba em cima dela? Sem nem ter certeza se aconteceu mesmo ou não? De qualquer forma seria injusto das duas formas. Afonso: Tem razão. É melhor ter certeza. Mas confesso que tenho medo de como vão ficar as coisas daqui por diante. Candice: Independente do que tenha acontecido, os dois terão que ser fortes para superar isso. Nina ainda ficou um pouco mais para checar se Alana ficaria bem, mas assim que se viu sozinha Alana finalmente pode chorar da forma que queria. Colocar sua mágoa pra fora e buscar entender como Bela poderia ter feito aquilo com ela, a dor era tão grande que ela sentia que nem seria capaz de suportar, muito mais que dor, tinha a decepção. Já Afonso saiu do quarto direto para a aérea de laboratório. E lá fez a coletagem. Ele só pedia que Bela fosse baixa o suficiente para o ter drogado, ou do contrário seria ele quem não se perdoaria de ter algo que se arrependeria pelo resto de sua vida. Mas será que mesmo tendo sido drogado Alana o perdoaria se tivesse rolado qualquer coisa entre ele e Bela? Esse era o seu medo, de perder a mulher que amava pela segunda vez.
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