Quando Afonso conseguiu desabafar e conversar com Maria, ela pediu que ele ficasse aquela noite, não o queria naquele apartamento com tantas lembranças e do jeito que ele estava. Quando ele saiu do quarto acompanhado de Maria os dois ficaram no sofá. Logo Bela se ajeitou ficando próxima a ele no sofá.
Maria: O Afonso vai ficar conosco hoje.
Raul: Que bom, filho. Nem precisamos dizer para que fique a vontade.
Afonso: Obrigado, vocês são uma segunda família para mim.
Maria: E você como nosso filho. Não precisa agradecer.
Bela: Se você quiser, pode ficar no meu quarto. Disse sorrindo e Candice a encarou. - Eu fico no quarto que era da Alana. Se explicou.
Maria: Se você quiser assim, fique a vontade, Afonso. Você está em casa. E acho até bom. O quarto da Alana...está... Não conseguiu completar, a voz embargou.
Afonso: Cheio de lembranças.... Disse também deixando a emoção tomar conta. - Obrigado, Bel. Acho que vai ser melhor mesmo. Bela sorriu.
Bela: Não precisa agradecer, Afonso. Seria dolorido demais para você ficar no quarto da Lana.
Candice: E para você nem parece um sacrifício né. Disse sem conseguir se controlar.
Raul: Candi, claro que é difícil para todos nós. Mas hoje para o Afonso não seria uma boa.
Bela: Exatamente, era isso que eu pensei. É claro que dói em mim. Ela era minha irmã de sangue. Frisou em deboche.
Afonso: Meninas, parem! Não vamos brigar. A Alana amava as duas como irmãs sem se importar com isso de parte sanguínea. E eu também amo vocês como minhas irmãs por isso não gosto que briguem. Candice olhou com um sorriso de vitória para Bela.
Candice: Você também é um irmão para nós, não é, Bel? Disse cínica.
Bela: Sim, claro. Como um irmão. Disse forçando um sorriso. Mais tarde Maria já arrumava tudo no quarto de Belinda para Afonso dormir. Enquanto Belinda já estava no quarto de Alana.
Maria: Tenha uma boa noite, querido. Desejou a Afonso antes de fechar a porta.
Afonso: Obrigado. Disse se sentando na cama. Ele demorou um pouco para dormir.
Já com Bela ela se revirava na cama ao pensar Afonso na sua cama, em seus lençóis. Ela encarou o porta retrato ao lado da cama de Alana. E olhou com raiva a foto da irmã com Afonso.
Ela odiou ver aquela foto, esta que foi a própria Candice quem tirou quando viu que os dois estavam prestes a se beijar. Ela odiou lembrar de como teve que aguentar durante a viagem inteira na praia vendo os dois sorrindo, se beijando, cheio de carinhos. E principalmente os atrasos dos dois nas manhãs na hora do café da manhã e de como sumiam nos programas que faziam com grupo. Ela viu outra foto e essa a encheu de ódio ainda mais ao ver a irmã e Afonso se beijando, quando ainda estavam no colégio.
Bela: Agora ele será meu, o quero para mim. Disse pegando o porta retrato. - Será os meus lábios que ele irá beijar, meu corpo que irá tocar. Sinto muito, irmãzinha, mas você já teve sua chance. Até deixei você engravidar dele. Ela se deitou com um sorriso no rosto até pegar no sono.
Já Afonso teve uma noite agitada, cheios de sonhos com Alana, misturados com lembranças dos dois, mas algo o perturbou durante esse sonho.
Alana: Amor.... Ela o chamava. Estava tudo branco. Ele não conseguia enxergar. A luz era muito forte quase cegava.
Afonso: Amor? Lana? Cadê você. Disse tentando olhar para os lados.
Alana: Estou aqui.... Afonso...vem me buscar. Ele sentia a voz se afastar.
Afonso: Eu não estou conseguindo te ver.
Alana: Venha me buscar.... Pediu mais uma vez.
Afonso: Alana? Amor....onde você está?
Alana: Estou aqui...estou perto de você. Olhe para luz...olhe...
Afonso: Não consigo. Está muito forte... essa luz está me cegando.
Alana: Preciso que venha me buscar...
Afonso: Amor...Alana? Onde preciso te buscar? Eu não entendo.
Alana: Estou viva, Afonso! Venha me buscar. Estou esperando por você.
Afonso tentou abrir mais os olhos, mas a luz forte o cegava não conseguia abrir os olhos totalmente, não conseguia enxergar nada. Só sentiu a presença dela sumir.
Afonso: LANA? LANA? CADÊ VOCÊ, ALANA? VOLTA! POR FAVOR, VOLTA, AMOR! Ele começou a gritar em desespero por não ouvir mais a voz dela.
Ele acordou assustado, suando, era como se ele conseguisse sentir a presença dela. Ele estava no mínimo atordoado para então desabar no choro. Confuso, desesperado, triste. No mínimo ele acreditava que estar na casa da noiva não o fizera bem. Mas ele tinha certeza de ter escutado a voz dela nitidamente. Ele voltou a deitar e não dormiu mais.
Quando o dia amanheceu ele foi um dos primeiros a se levantar. Até que viu Maria e Raul já acordados pondo a mesa do café.
Maria: O que foi? Disse o vendo triste, abatido. Pior do que quando cheguei.
Afonso: Sonhei com a Alana. Ela me chamava, pedia para eu ir buscá-la. Me disse que estava viva eu não conseguia enxergar, só ouvia a voz dela. Disse já deixando vir o choro. Maria chegou se arrepiar e o abraçou chorando também, mas foi o barulho de algo cair e se quebrar que os despertou. Candice parada os encarando.
Candice: O que disse? Sonhou com a Alana? Perguntou tentando saber se tinha escutado certo.
Afonso: Sim, ela estava em um lugar que não dava para chegar, tinha uma luz muito forte. Ela me chamava. Eu sentia a presença dela. Como pode isso? Eu ouvi a voz dela. Eu não sei explicar. Eu...eu...queria tanto que fosse verdade...que ela tivesse mesmo viva. Disse chorando.
Maria: Shi....pode chorar.... Disse o abraçando. - Eu também queria, queria muito.
Candice: E se for verdade? Se ela tiver viva?
Raul: Filha...Disse com pesar.
Candice: O Caixão estava fechado. Não vimos se era ela.
Maria: Candi, eu queria muito que minha filha estivesse viva, mas não está. A própria Bela reconheceu o corpo da irmã
Afonso: Eu vou embora. Não vou aguentar ficar aqui. Disse já se levantando. Candice ainda parada, voltou para o quarto, no caminho viu o quarto da Bela aberto e a mesma estava lá, cheirando o travesseiro que estava com o cheiro de Afonso. Candice a encarou.
Candice: Você o ama? Perguntou e Bela se assustou.
Bela: Não vou te responder. Candice suspirou.
Candice: A Alana está morta. Infelizmente não tem como voltar atrás. E você é a única irmã que eu tenho agora. Eu acho que podemos tentar nos dá bem.
Bela: Por que mudou de ideia de uma hora para outra? Perguntou desconfiada.
Candice: Porque como eu disse, você é a única irmã que eu tenho. E eu pensei muito se você realmente o ama, eu vou te ajudar a conquistá-lo. Ele merece refazer a vida dele. E acho que a Alana iria querer que ele fosse feliz assim como você.
Bela: O amo, sempre amei. Mas ele se apaixonou pela Alana. E deixei os dois juntos, não quis atrapalhar.
Candice: Acho que deve se aproximar aos poucos. Ele ainda está muito ferido, terá que ter paciência.
Bela: Eu esperei por anos, posso esperar mais um pouco. Candice assentiu e a deixou ali. Indo em direção ao próprio quarto.
Candice: Não pode ser....não pode ser o que estou pensando.... Candice murmurou atordoada. Ela acreditava em destino, sonhos, supertições. E o sonho de Afonso tinha mexido com ela. E se fosse verdade? Ninguém viu o caixão aberto. Devido ao acidente, Bela disse que seria melhor o caixão fechado, o rosto da irmã estava machucado, fraturas e até queimaduras pelo corpo, o papel do legista e da autópsia tudo tinha ficado com Bela. Ela tomou a frente visto que os pais e muito menos Afonso teriam condições para isso. E se fosse mentira? E se Bela tivesse mentido para ficar com Afonso? Se ela foi capaz de causa tanto sofrimento a família e a Alana estivesse viva por aí, ela a faria pagar por cada sofrimento, por cada lágrima. Mas também se tivesse alimentando falsas esperanças? Se tudo não fosse um simples sonho por Afonso está abalado? Mas sempre acreditou que sonhos eram avisos ou premonições. E se tudo que tivesse acreditado fosse mentira? Mas não importa o que custaria, ela iria descobrir. Mesmo que no fim fosse para constar que a irmã estava realmente morta. Ela só precisava saber.