Quando Afonso saiu do hospital, ele decidiu que não poderia viver daquela forma, mesmo que a saudade e a dor da perda fosse tão grande. Ele não queria ver mais o seu irmão daquele jeito, com medo dele fazer alguma besteira. Por isso decidiu que iria fazer terapia e que voltaria a trabalhar, pelo menos ele ocuparia sua cabeça.
Por isso depois de alguns dias, os funcionários o receberam com surpresa, mas ficaram felizes ao vê-lo. Ele seguiu até a cozinha e cumprimentou a todos. E Chris foi até o amigo.
Afonso: Chris, depois podemos conversar? Perguntou enquanto lavava suas mãos.
Chris, Sim, claro. Eu realmente iria falar com boxe sobre algumas coisas do restaurante. Afonso assentiu. - Vão cozinhar? Perguntou ao ver o amigo juntar alguns ingredientes.
Afonso: Sim, acordei com uma inspiração hoje. Vou testar para ver se dá certo. Chris assentou e os demais pararam para observar, eles gostavam de assitir Afonso cozinhar e mais ainda dá paciência que o chefe tinha para ensina-los. Chris voltou para o salão para preparar tudo para a******a do restaurante. Enquanto alguns dos ajudantes de cozinha preparavam a mise en place.
Assim que a nova sobremesa ficou pronto alguns dos cozinheiros foram convidados por Afonso a experimentar.
- Nossa! Isso está uma delícia. Um deles comentou.
Afonso: Ficou bom mesmo? Disse sorrindo.
- Sim, ficou ótimo. É uma mistura suave de frutas vermelhas com um toque forte de rum. Não sei direito, mas ficou muito bom.
Afonso: Isso são frutas vermelhas misturadas com nata, flambradas ao vinho seco, com um toque se raspas de limão e canela. Ficou bom, mesmo?
- Maravilhoso, chefe.
Afonso: Que bom, vou adicionar ao cardápio. Ela pode ser servida com uma colher de sorvete.
- E qual o nome dela?
Afonso: Lana! Todos ficaram surpresos. - Não me olhem assim. Eu fiz pensando nela. É doce e suave com as frutas vermelhas, deliciosa de ser apreciada como um vinho e forte com sabor único por isso o limão e a canela. Vai ser uma forma de homenagear a minha noiva. Disse decidido e ninguém iria se opor. Porque além de ser o chefe de cozinha era o dono do restaurante.
Os clientes foram chegando e lotando o restaurante. Alguns quiseram parabenizar o chefe lá comida e como a nova sobremesa era sugestão do chefe para aquele dia, alguns quiseram experimentar e foi do agrado de todos, com certeza já seria uma das opções mais pedidas no restaurante. Mais tarde Afonso saiu do restaurante e deixou Chris como o responsável até a hora dele voltar a noite. Ele teria a primeira sessão com a psicóloga, tinha prometido ao irmão levar aquilo a sério e faria. Quando ele chegou até o consultório,a secretária pediu que ele aguardasse um pouco até ser chamado. Quase quinze minutos depois saiu um paciente e foi a vez dele entrar.
- Olá, Boa Tarde! Senhor Rodriguez, né? Disse simpática e Afonso assentiu. - Então eu me chamo Sabrina, prefiro que só me chame pelo nome. Acho que fica melhor do que Doutora. Sorriu.
Afonso: Tudo bem.
Sabrina: Sendo assim posso te chamar só de Afonso?
Afonso: Pode.
Sabrina: Então, Afonso. Percebi que é um homem de poucas palavras ou então não está a vontade de estar aqui.
Afonso: A segunda opção.
Sabrina: Bom, eu gostaria de que você pudesse se sentir a vontade para contar o que for. Tudo o que me disser aqui permanecerá aqui. Gostaria que me encarasse como uma amiga que a nossa conversa seja apenas de dois amigos. E não de doutora e paciente.
Afonso: É estranho para mim. Nunca estive em uma situação dessas. E bom, não me sinto confortável para falar sobre minha com uma estranha.
Sabrina: Eu entendo e vou respeita a sua decisão de não falar nada. Mas acho que poderíamos começar falando sobre o motivo pelo qual veio parar aqui.
Afonso: Não é um assunto que me deixa a vontade para falar sobre isso.
Sabrina: Tudo bem então. O que faz da vida, Afonso? Disse tentando faze-lo conversar.
Afonso: Sou chefe de cozinha. Tenho um restaurante no centro da cidade.
Sabrina: Então estou diante de um especialista da gastronomia. O que mais gosta de preparar?
Afonso: Gosto de tudo um pouco. Falta muito para acabar? Perguntou impaciente. Principalmente ao ver como ela o encarava.
Sabrina: Vejo que não esta afim de conversar. Falta alguns minutos, eu diria que muitos minutos. Sorriu. - Você não é obrigada a estar aqui, Afonso. E não sugiro que venha obrigado, você tem que desejar fazer isso.
Afonso: Posso ser sincero? Ela assentiu - Eu não acho que preciso estar aqui, não preciso falar com alguém ou reviver minhas dores com um desconhecido. Eu posso ter cometido um erro, em uma atitude impensada, porque estou sofrendo, porque a dor me cega muitas vezes. Mas não preciso falar sobre isso.
Sabrina: Você é livre para ir, se quiser. Ele se levantou. - Seja lá o que te causou tanta dor, você precisa lidar com isso. Ele saiu. Sabrina também se levantou e saiu da sala.
- Que homem era aquele? Perguntou a secretária. - Me deu até calor.
Sabrina: Se ele não fosse meu paciente, não pensaria duas vezes antes de levar esse gostoso para cama. Elas riram.
Quando Afonso voltou ao restaurante já não tinha mais cabeça para fazer nada. Ele não via como ir a uma psicóloga poderia o ajudar, aliás qual o sentido dele ficar falando sobre a dor dele? Como isso poderia o ajudar? Como o fato dele ter que falar sobre a perda do amor da vida dele o iria ajudar? Aquilo só iria o fazer se lembrar do que tinha perdido. Por isso deixou o restaurante para que Chris fechasse, ele não quis voltar para casa, ele foi direto para o lugar que ele se sentia confortável, mesmo sendo o mais improvável, era o lugar onde ele considerava estar sua família. A família que o acolheu. Por isso Maria não ficou surpresa ao abrir a porta e ver Afonso ali chorando, ela não disse nada só o abraçou.
Maria: Vamos entrar. Eu sirvo aquele chocolate quente que você gosta e nos conversamos. Ele só assentou incapaz de falar qualquer coisa.
Bela ficou feliz em vê-lo ali, mas ao ver a mãe o arrastar para o quarto sabia que não poderia conversar com ele ou tentar se aproximar. Raul terminava de digitar algo referente ao seu trabalho e assim que terminou foi até a cozinha. Candice se aproximou para sentar no sofá ao lado da meia irmã.
Candice: Eu estive te observando esses dias. E sabe o que descobri?
Bela: Não me interessa o que descobriu. Disse rude e Candice sem se importar riu.
Candice: Eu acho que iria interessa bastante ao papai e a mamãe. Quem sabe até ao Afonso.
Bela: Olha Candice eu não tenho tempo para suas maluquices.
Candice: E seria maluquice também você também está apaixonada pelo seu cunhado?
Bela: Você está louca. Olha só os absurdos que você está dizendo.
Candice: Não é absurdo e você sabe disso. Observando melhor e até analisando suas atitudes isso já vem desde o tempo que ele começou a namorar a Alana, não é? Só que ele nunca te notou, ele a preferiu. Como todos sempre preferem.
Bela: Você não sabe de nada.
Candice: Posso não saber. Mas sabe de uma coisa eu sei com total certeza, ele nunca vai olhar para você. Ele só te enxerga como uma irmã, nunca a viu como mulher e nunca vai ver.
Bela: Cala a sua boca!
Candice: E quando ele perceber o tipo de mulherzinha nojenta é você, vai ter nojo e vai te repudiar, assim como nossos pais irão ao perceber a cobra que você é.
Bela: Sua Desgraçada! Eu vou matar você. Disse partindo para cima de Candice e foi nesse exato momento que Raul voltou para sala.
Raul: Pare com isso! Estão brigando outra vez. Vocês são irmãs não deveriam ser assim.
Candice: Eu não fiz nada, pai. A Bela anda muito nervosa. Eu até entendo com tantos acontecimentos. Mas ainda sim não acho certo descontar suas frustrações nos outros. Disse calma e com cinismo.
Raul: Sua irmã, está certa Bel. Eu sei que está sendo muito difícil para todos nós lidar com a perda da Alana, mas agora precisamos nos unir e passar força uma para outra. A Cam pode não ser sua irmã de sangue, como a Lana era, mas é a irmã que você tem agora. Deveriam tentar se darem bem. A Alana iria gostar que fosse assim. Bela não disse nada, mas estava com muita raiva de Candice.