Para quem conhece ou já trabalhou em hospitais sabe como tudo pode ser uma verdadeira “loucura” ou correria, com atendimentos a emergências, cirurgias e casos clínicos. Ainda mais quando um grande acidente ocorre em uma das principais avenidas. Paul há dias não sabia o que era dormir direito, pegando dois turnos para cobrir um amigo que estava de licença, ele m*l tinha tempo para comer, mas como já havia se passado alguns dias que nem podia falar com Nina direito decidiu ir até o hospital para uma visita rápida. Assim que ele entrou, algumas médicas, enfermeiras e até outras funcionárias suspiravam e o cumprimentavam com um belo sorriso. Até ele descobrir onde estava Nina, perto da recepção preenchendo um prontuário.
Paul: Olá, minha médica preferida. Ela sorriu.
Nina: Olá estranho. Disse sorrindo também. - O que o trazes aqui? Perguntou brincando.
Paul: Eu não poderia querer tomar um café com minha amiga?
Nina: Claro, mas você me abandonou esses dias. Reclamou.
Paul: Muito trabalho, você sabe. Tem sido difícil cobrir o Tom.
Nina: Eu sei, eu imagino. Também não tenho dormido direito. Peguei dois plantões.
Paul: Mais um motivo para o café. Precisamos estar bem acordados.
Nina: Ainda vai voltar a trabalhar hoje?
Paul: Sim, meu turno começa em uma hora.
Nina: Eu vou só terminar esse prontuário e checar minha paciente antes de irmos.
Paul: É quem eu estou pensando que é? Disse encarando Nina. Ela suspirou. - Você se apegou mesmo a ela.
Nina: Sim, eu não sei porquê. Na verdade, isso nunca tinha acontecido comigo. Mas ao vê-la tão frágil, não sei. Senti um afeto por ela.
Paul: Acho que você está assim pelo jeito como ela chegou aqui e pela perda dela. Disse baixinho. - Acho que isso nos fez lembrar de quando perdemos a nossa. Nina assentiu.
Nina: Eu sei que já faz dois anos, mas sempre me pego pensando como seria se eu não tivesse tido aquele aborto, se a nossa Ema teria sobrevivido.
Paul: Eu acho que as coisas sempre acontecem do jeito que devem acontecer. O que vivemos juntos foi ótimo, fomos felizes e seríamos ainda mais se a nossa filha estivesse aqui, mas talvez não era pra ser.
Nina: Eu sei, mas ainda dói. Pelo menos eu tenho você ainda comigo. Ele a abraçou. Apesar de terem terminado o namoro que durou pouco mais de um ano, e quase terem tido uma filha, os dois ainda eram muito amigos, muito unidos.
Paul: Eu sei, dói em mim também. Quando eu socorrei aquela moça. Eu a vi jogada naquela estrada machucada e sangrando. Eu fiquei sem reação sabe? Pela primeira vez como paramédico eu travei, porque sabia que ela estava tendo um aborto e na hora me lembrei como foi difícil passarmos por isso.
Nina: Ela não tem ninguém, Paul. Ninguém veio procurar. Só aquela senhora que pensei que era a filha que estava no meio daquele acidente no dia do assalto.
Paul: Eu me recordo, ela pensou que a filha pudesse ter colidido com o carro dos assaltantes já que a filha saía do trabalho.
Nina: Fora isso, ninguém mais veio procurar. Eu não sei o que aconteceu comigo, mas quero tanto que ela acorde. Quero conhecer a história dela.
Paul: Ela ainda não acordou do coma?
Nina: Não. E parece que não reage. Não teve nenhuma melhora. Espero que ela fique bem.
Paul: Ela é uma sobrevivente, se está lutando até agora, vai acordar. Agora vamos tomar o nosso café, você precisa se alimentar. Nina assentiu. E os dois saíram do hospital juntos rumo a uma cafeteria próxima ao hospital.
Não era o mesmo hospital, aliás nem tinha como ser, mas no hospital central da cidade. Afonso aguardava ansiosamente pela sua alta. Ele não estava nada animado em ter que conversar com uma psicóloga, mas já era a condição para sair dali o mais rápido que pudesse. Ele aceitaria. Bela sempre com ele o fazendo companhia, o ajudando a passar aqueles dias tediosos, assim como os demais. Por isso Maria, Bela, Candice e Hugo estavam no quarto com ele. E assim que ouviram a porta se abrir todos viraram e estranharam ao ver uma moça muito bonita entrar com um bebê no colo.
- Oi, desculpa interromper vocês, mas aqui é o quarto do Afonso Rodriguez, certo? Perguntou sem jeito.
Afonso: Sou eu, me desculpe, não quero ser indelicado, mas eu acho que não te conheço. Disse também sem jeito.
- Eu sei, eu me chamo Lilian. E conheci a sua noiva. Alana. Disse e Afonso ficou sem saber o que dizer.
Maria: Conheceu a minha filha? Perguntou sentindo os olhos encherem de lágrimas.
Lilian: Sim, no dia do assalto. Ela me ajudou muito. Ficou ao meu lado o tempo todo e ajudou a trazer a minha filha ao mundo. Ela era uma pessoa maravilhosa e sinto muito pela perda de vocês. Disse sincera. Afonso não suportou segurar as lágrimas.
Afonso: Ela era mesmo...uma pessoa incrível...
Lilian: Eu tive alta hoje e soube o que aconteceu, me desculpa, sabe como é hospitais, as pessoas comentam... Disse sem graça.
Bela: E por que veio aqui? Não acha que já não sabemos como a minha irmã era maravilhosa? Precisa vir esfregar na nossa cara que ela não está mais aqui conosco. Disse enciumada.
Maria: Bela! A repreendeu.
Lilian: Não vim aqui para isso, eu vim para que ele pudesse conhecer a menina. A menina que a Alana ajudou a trazer ao mundo.
Afonso: Tudo bem, deixa eu vê-la. Pediu emocionado. Lilian se aproximou.
Lilian: Pode segurar se quiser. Ele sorriu.
Afonso: Não sei se levo jeito.
Lilian: Tente. Disse passando a menina para o colo dele. Que sorriu ao ver o bebê. Assim como os demais.
Afonso: Ela é linda. Disse olhando encantado para a menina que dormia.
Maria: Ele tem razão, sua filha é linda. Disse ao ver a menina.
Lilian: Talvez se não fosse pela Alana, a minha filha não estaria aqui. Por isso eu e meu marido decidimos colocar o nome dela de Alana. Uma forma de homenagear a sua noiva.
Afonso: Obrigado... Disse sem conter as lágrimas, assim como Candice e Maria.
Lilian: Em um dos momentos em que estávamos lá. Ela disse que estava grávida. E o quanto estavam felizes pelo bebê, sinto muito pela perda de vocês. E principalmente por vocês dois. Disse olhando Afonso e Maria. - Ela estava feliz, ela chegou a me dizer o quanto amava o noivo e como você seria um bom pai. Ela gostaria de te ver bem. Que seguisse em frente. Afonso assentiu. Ela entregou um papel a ele. - Esse é o meu número, sempre que quiser ver a Alana ou precisar conversar eu e o marido estaremos de portas abertas. Afonso assentiu.
Afonso: Obrigado... Disse sem saber muito o que dizer. E acabou por entregar a pequena para mãe. Lilian se despediu dos demais e se retirou.
Candice: Eu acho que alguém ganhou uma afilhada. Brincou com Afonso tentando trazer um clima leve para dentro daquele quarto.
Afonso: Será? Disse bobo - Ela é tão bonita, foi tão bom sentir aquele calorzinho no meu colo. É tão frágil também tive medo de deixá-la cair. Confessou sem jeito.
Hugo: Deixa de ser bobo. Você leva jeito com crianças.
Afonso: Em pensar que daqui alguns meses poderia ser o meu. Disse triste.
Maria: Mas você ainda pode ter o seu bebê. Precisa seguir em frente, querido. Ela gostaria que você fizesse isso. Disse e Afonso se calou.