Você já se perguntou como lidar como a morte?
Porque nunca estamos preparados para perder alguém que amamos?
Sabemos que se tem uma coisa que não podemos evitar é perder alguém, que a morte é a coisa mais certa que existe no universo. Então por que nunca nos preparamos para esse momento?
As vezes isso ocorre cedo demais, podemos perder as pessoas a nossa volta cedo demais, de uma forma rápida e inesperada. Como o que aconteceu na vida de Afonso, perdeu os pais cedo demais e agora de uma só vez a noiva e o filho. Então mais uma vez eu pergunto como se reerguer, como se levantar quando seu coração está cansado de perder? Até quantas perdas um coração pode suportar, como sair da escuridão que te assombra nas noites que não consegue dormi? Como lidar com o fato de não ouvir mais a voz, ou sentir o cheiro, ou só olhar para aquela pessoa que você tanto amou e não está mais ali fisicamente? Quantas vezes um coração é capaz de suportar aquela dor que insiste ali no seu peito, o que fazer quando tudo parece te puxar para o isolamento, quando o silencio do seu quarto é a única coisa que precisa? O que fazer quando tem vontade de gritar pedindo para aquela voltar? E quando você se revolta com a vida por ela ser injusta e quando você questiona a Deus porque perder aquela pessoa tão importante na sua vida e seu coração já não tomado pela saudade, mas por raiva e revolta.
São Aniversários, festas, Natais, Ano novo, Ação de Graças, as datas que sempre te lembraram que ela não está lá, que você está incompleto(a). Talvez nem todas as perguntas terão respostas, e as vezes nem o tempo cura todas as feridas.
Como questionar uma pessoa que está no ápice de sua dor, que está sofrendo desesperadamente e que já perdeu tanto? Será que poderíamos julgar Afonso que não via mais sentido em viver? Que agora sentado na sua cama, isolado no quarto onde fez amor com a mulher que amava, onde recebeu a melhor noticia de sua vida, que seria pai, ele não conseguia ver uma vida onde Alana não estivesse, eles iriam construir uma família, e agora tudo era preto e branco, sem vida, sem perspectiva, então ele se perguntava para que viver? Ele pegou os comprimidos que a muito tempo servia para que ele pudesse apagar, nas noites que tomava para não pensar nas perdas, e não tomou um nem dois, tomou vários, quase o frasco todo e caiu na cama, chorando. A única coisa que queira era encontrar com ela e se deixou levar pela dor em seu peito e ser tomado pela escuridão.
Todos a sua volta sabia que estava sendo difícil para ele, mas ninguém nunca imaginaria que ele fosse atentar contra sua vida. Hugo andava de um lado para o outro, nervoso e preocupado com o irmão. Ainda estava angustiado ao encontrar o corpo frio e mole do irmão em ciam da cama, após varias tentativas falhas de tentar falar com Afonso, resolveu ir até o apartamento dele e como nos últimos dias, ele simplesmente não vivia, não tomava banho, não comia, aumentava ainda mais a preocupação de Hugo, por isso fez um chave reserva do apartamento e quando entrou se desesperou ao ver o corpo do irmão quase sem vida em cima da cama, Maya o ajudou a colocar Afonso no carro e seguiram para o hospital.
No desespero Maya acabou avisando Dulce que ainda ocupada com a mudança saiu correndo em direção ao hospital e claro os funcionários do restaurante também haviam ficado sabendo e se lamentavam torcia para que Afonso ficasse bem e com isso não demorou para que a família de Alana também soubesse do ocorrido, Bela se desesperou com a possibilidade dele estar morto caiu aos prantos chorando e claro que Candice foi a primeira a notar com estranheza o desespero da meia irmã.
Raul: Como ele está? Perguntou assim que chegaram.
Hugo: Eu não sei.... Ninguém diz nada....eu.... não posso perder meu irmão. Disse finalmente conseguindo chorar e Maya o abraçou. Claro que Dulce se incomodou, ela queria poder o consolar, mas não tinha esse direito, sabia que não era a hora para isso, mas doía do mesmo jeito.
Bela: Ele vai ficar bem, né? Ele tem que ficar bem... Disse chorando.
Maya: é o que todos nós queremos.
Pouco minutos depois o médico que o atendeu veio dar a noticia aos familiares e claro Hugo foi o primeiro a se levantar para saber se o irmão estava bem ou não.
Hugo: Como está o meu irmão? Perguntou aflito.
Dr. Joe: São os familiares do Senhor Rodriguez?
Hugo: Eu sou o irmão dele.
Dr. Joe: Ele passa bem, precisamos fazer uma lavagem estomacal, pode ser que ao acordar sinta algumas dores na região abdominal, o que no caso é normal após o procedimento.
Hugo: Posso ver o meu irmão? Disse aliviado pelo irmão está vivo.
Dr. Joe: No momento ele está sedado, mas assim que os efeitos dos sedativos passar eu libero as visitas, porém acho recomendável que seu irmão faça um acompanhamento psicológico, uma das psicólogas do hospital já foi informada sobre o estado em que ele chegou aqui, mas o apoio da família é fundamental.
Dulce: Eu acho que primeiro precisamos conversar com ele, saber a opinião dele e se ele quer o tratamento, não seria adequando uma psicóloga chegar assim logo de cara sem nem ao menos os familiares conversarem com ele.
Dr. Joe: Concordo, mas sugiro que o convençam, porque ele pode repetir a tentativa.
Hugo: Doutor, o meu irmão passou por uma perda muito grande e ainda está sendo muito difícil para ele conseguir superar, mas vou conversar com ele. Joe assentiu e deixou que os familiares ficassem ali e avisou que em breve os liberariam para visitas.
Quando Afonso acordou ainda um pouco tonto e confuso se deu conta que estava em um hospital e se surpreendeu ao ver o irmão, a cunhada e a prima ali.
Hugo: Graças a Deus você acordou. Disse controlando o choro e abraçou o irmão – Não faça mais isso, Afonso. Eu pensei que fosse perder o meu irmão. Confessou com voz embargada e Alfonso se sentiu culpado, mergulhado na própria dor não pensou no irmão e nem em como ele iria se sentir. Mas antes que pudesse falar qualquer coisa viu Maria entrar e seus olhos inundaram, ela foi até ele e o abraçou.
Maria: Nunca mais, nunca mais faça isso. Eu não suportaria perder outro filho. Disse levando os dois ao choro.
Afonso: Dói, dói muito. Está insuportável viver sem ela. Confessou, era estar com sua mãe, recebendo um colo de mãe.
Mari: Eu sei, sei como se sente, me sinto assim também, mas ela jamais iria querer te ver assim, não iria querer que acabasse com a sua vida, ela iria querer que você vivesse, que seguisse em frente.
Afonso: Não sei se consigo, ela era tudo para mim, era minha vida. Ao escutar aquilo Bela se magoou, era difícil perceber que mesmo com a irmão morta, ele ainda sofria por ela, vivia por ela, e que tinha tentado se matar por não suportar a dor de perder Alana, constatar o tamanho do amor dele pela irmã, doía, mas ela ficaria ao lado dele, e lutaria para conquistar um espaço no coração dele.