Tudo se resumia a:
Choro!
Dor!
Angústia!
Ninguém ainda se conformava como uma tragédia que se passou naquela família. Maria inconsolável chorava pela morte de uma de suas filhas. Alana uma garota jovem no auge de sua juventude, cheia de sonhos e planos, feita de refém por um dos assaltantes assim como duas outras pessoas que terminaram sem vida naquele fatídico dia. Uma mulher de 30 anos e um rapaz de 17 anos. Todos com os sonhos interrompidos por ganância e desespero dos outros.
A mãe não conseguiu fazer o reconhecimento do corpo, era c***l demais para uma mãe ter que ver se era o corpo de sua filha morta. Assim como Afonso que se via sem condições de ver o seu grande amor sem vida, então Bela como irmã da vítima, foi até o IML fazer o reconhecimento e todas as esperanças da família que fosse apenas um pesadelo foram esvaídas quando Bela confirmou que era Alana, o choro de Afonso e Maria tomaram conta do lugar. Agora no funeral, ainda era difícil de encarar aquela realidade.
Quando Afonso viu aquele carro capotar várias vezes, causando um grande acidente na lista. Teve um mínimo de esperança que sua Alana pudesse sair viva dali, que não importasse como, mas que ela saísse dali viva. Mas sobretudo quando os paramédicos e os bombeiros retiraram as vítimas do local do acidente, restou aos familiares seguirem rumo ao hospital. Porém quando o médico anunciou que todos que estavam no carro em fuga estavam mortos, o choro tomou conta do lugar. A incredulidade de que Alana estava morta. Maria desmaiou nos braços do marido e depois começou uma sessão de gritos e choros. Inconformada pela morte tão brutal da filha. Candice não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. O choro doloroso e silencioso assim como choque era a reação de todos. Bela não gostava muito da irmã, mas nunca desejou aquele fim para Alana. Sentida se sentia a pior das pessoas por só pensar em consolar o noivo de sua irmã que acabará de morrer.
Médico: Precisam reconhecer o corpo. Disse com pesar. Era uma das piores notícias a se dar para uma família que sofria.
Hugo: Acho que ninguém tem cabeça para isso agora. Disse chorando pela morte da cunhada. O médico assentiu entendia a dor da família.
Médico: Sinto muito pela perda de vocês, mas precisamos que reconheçam o corpo para declaração do atestado de óbito. O problema era que dá família ninguém tinha condições emocionais para isso. Por isso Bela acabou sendo a escolhida para o reconhecimento. Visto que nem Afonso, Maria, Raul ou Candice tinha condições para isso.
Bela: É ela. Disse com os olhos cheios de lágrimas ao sair da sala do legista.
Maria gritou em dor.
Candice desabou no choro.
Se não fosse por Hugo, Afonso teria desabado no chão.
Era como se todas as forças se esvaíssem de seu corpo.
Afonso: NÃO! POR...QUE? POR QUE ELA MEU DEUS?
O pior momento fora o sepultamento.
Afonso desabou, literalmente se prostrou no chão, sem forças ao ver que nunca mais veria sua garota, Hugo, seu irmão, o amparava, assim como Dulce sua prima e melhor amiga de Alana.
Afonso: NÃO! Gritou em desespero ao ver o caixão sendo baixado.
Maria: Minha filha...Falou sentindo tudo rodar e perder as forças, amparada pelo seu companheiro Raul, que também chorava tinha Alana como uma filha, já que quando conhecera Maria, ela era viúva e com duas crianças pequenas. Duas menininhas que logo o encantaram.
Hugo: Levanta, irmão. Disse pesaroso.
Afonso: Por que? Por que meu Deus? Por que a mulher que eu amo? Ele ainda ficou ali até que o padre terminasse suas orações, sem forças, no chão. Ele estava destruído. Hugo deixou que o irmão colocasse toda a dor para fora.
Hugo: Vamos, você precisa ir. Disse com pena, mas Afonso não poderia ficar ali.
Afonso: Não...me deixa aqui...estou perto dela...Disse com voz embargada e foi de cortar o coração. Ninguém conseguia ver aquela cena tão triste. Ian sócio de Afonso e amigo do casal, sofria ao ver o sofrimento do amigo, assim como Maya que era cunhado do Afonso e sócia de Alana.
Hugo entendia a dor do irmão, mas agora teria que mostrar a Afonso que só o tempo amenizaria aquela dor. Buscando forças, ele conseguiu levantar o irmão e o levar para casa.
Maria saiu sendo carregada pelo marido. Candice foi uma das últimas a sair do cemitério. Já perto da sepultura jogou um lírio branco.
Candice: A vida foi tão injusta te tirando de nós. Agora como vou viver sem a minha melhor amiga e irmã? Tá doendo tanto Alana, está doendo muito perder você. Não ouvir sua voz será tão difícil, não terei seu abraço e nem seu carinho. Me lembro quando éramos pequenas e dormíamos na mesma cama e eu com medo da tempestade você cantava para mim e agora, irmã? Quem vai me acalmar quando a tempestade chegar? Não é justo eu te perder também. Não foi justo nem conhecer o meu sobrinho. Disse chorando.
E os dias foram se arrastando, Afonso não vivia, vegetava, não dormia, não comia e enquanto os outros seguiam suas vidas com muito custo, a dele tinha parado completamente. Ele simplesmente não conseguia viver. Ele tinha perdido a mulher e o filho.
A dor era imensa. Todos os dias ele tinha vontade de acabar com a própria vida. Olhava aquele apartamento e tinha tudo dela ali, acordava na mesma cama que fazia amor com ela, provavelmente tinha sido naquela cama que tinha feito aquele bebê. E agora ele não tinha nada, só o vazio, só a dor. Só a profunda vontade de morrer junto a sua família. Tinha perdido os pais e agora que estava para construir sua família, perdia os dois também. Com a dor ele passou a beber, não uma vez, mas várias, bebia até perder a consciência. O problema é que sem ânimo e sem vontade de nada, a vida dele ficou suspensa, no início o restaurante ficou fechado por causa do luto dele, mas com o decorrer dos dias, Hugo achou melhor reabrir. Os funcionários precisavam trabalhar e querendo ou não a vida seguia para algumas pessoas.
Com um Afonso totalmente deslechado e depressivo tanto ele quando Maria que vivia em um isolamento mergulhada em sua dor, em sua perda. Bela e Candice quem ficaram responsáveis por cancelarem todos os preparativos do casamento e Bela ficou de ajudar Hugo a verificar se Afonso estava bem, ia ao apartamento dele e o obrigava a comer e muitas vezes o obrigava até a tomar banho, fazer a barba, mas era tudo mecânico ele fazia, porque as pessoas o obrigavam.
Naquele dia em especial, Hugo não tinha notícias do irmão. De tanto procurar ligar, o desespero do irmão fazer uma besteira era grande. Andava de um lado para o outro no apartamento com os olhos da noiva atento nele.
Maya: Hugo...
Hugo: Eu tenho medo que ele faça uma besteira, que acabe com a própria vida. Disse aflito.
Maya: Eu sei, eu também. Mas precisamos pensar em que lugar ele estaria.
Hugo: Eu não sei, eu já fui ao cemitério, ao colégio onde ele conheceu a Alana, no bar onde ele vai. Nos lugares que os dois frequentavam. Mas nada. Eu simplesmente não sei onde meu irmão se meteu.
Maya: Vamos procurar, nem que tenhamos que rodar a cidade toda. O celular dele tocou. Era Dulce. - É a Dulce. Disse olhando o visor.
Hugo: Atende para mim. Eu vou tirar o carro. Maya assentiu e atendeu.
Maya: Oi Dulce.
Dulce: Oi Maya. Forçou a voz. Ainda doía saber do noivado. Sempre fora apaixonada pelo primo, mas ele nunca a enxergou e menos ainda depois que conheceu Maya. - Tem notícias do Afonso? Perguntou preocupada com o primo.
Maya: Ainda não. Estamos desesperados com medo dele ter feito uma besteira.
Dulce: Eu entendo, também estou assim. Consegui a transferência acho que no máximo duas semanas me instalo de vez na capital.
Maya: Vai ser muito bom, seus primos precisam de você agora. Já que é a única família que eles tem agora.
Dulce: Eu sei, é por isso que estou me mudando. Qualquer notícia você me avisa.
Maya: Sim, claro. Pode deixar. Assim que a ligação encerrou. Maya e Hugo sairam do prédio em busca de notícias do Afonso.
Quase duas horas depois o celular de Hugo tocou e era um homem avisando que Afonso estava sem condições de ficar sozinho, e apesar de saber que novamente o irmão tinha se afogado em bebidas, agradecia por ele estar vivo, por não ter feito nenhuma besteira. Mesmo que soubesse o quanto aquele dia estava sendo difícil para todos, principalmente para o irmão. Afinal se Alana não estivesse morta, eles estariam se casando.