13. Elena

1256 Words

Às 15h em ponto, bateram na minha porta. Duas batidas secas. Eu abri, e um dos homens dele estava ali. Alto, terno escuro, expressão vazia do tipo que não se move nem por susto nem por piedade. Ele segurava uma caixa grande, branca, com uma fita preta tão perfeita que parecia desenhada. Sem dizer nada, ele estendeu. Eu peguei com as duas mãos, sentindo o peso e o simbolismo. — Ele pediu pra confirmar que você recebeu — o homem disse, como se estivesse recitando um protocolo. — Recebi. — Às 19h, o carro estará aqui. A porta fechou antes de eu pensar em qualquer outra palavra. Eu levei a caixa até a cama e fiquei olhando, respirando devagar, como se aquilo pudesse explodir. A fita desfez com um puxão suave. Dentro, o tecido estava dobrado com tanta precisão que dava vontade de chorar.

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