O beijo havia sido uma pergunta. O que veio depois foi a resposta em atos.
Quando nossos lábios se separaram, o ar no camarim ficou elétrico e pesado, carregado com a fumaça do cigarro que ainda se elevava do cinzeiro e com o cheiro adocicado do perfume das mulheres que estiveram ali. Mas tudo isso se dissolveu no cheiro dele: limpo, perigoso, masculino.
Ele não me deu tempo para pensar. Seu rosnado, baixo e gutural, foi o único aviso antes que suas mãos me virassem, com uma firmeza que não admitia hesitação, até que minhas costas estivessem de frente para o seu peito. Minha frente ficou colada ao espelho iluminado do camarim, o vidro frio um choque contra minha pele quente.
Eu pude ver nossos reflexos embaçados pelo calor dos corpos. Eu, com os olhos arregalados, o cabelo desalinhado, o vestido de festa um contraste absurdo com a cena. E ele, atrás de mim, uma sombra maior, escura, seus olhos fixos em mim através do espelho como um predador avaliando a presa já capturada.
— Você quer saber por que eu te afasto? — a voz dele veio em um sussurro áspero contra a lateral do meu pescoço, seus lábios roçando a pele ali, fazendo-me estremecer. — É porque, perto de você, eu esqueço que preciso ser civilizado.
Uma de suas mãos segurou minha cintura, os dedos afundando no tecido do vestido e na carne por baixo, marcando posse. A outra mão deslizou para a frente, passando por meu estômago contraído, subindo até encontrar o zíper na lateral do meu vestido.
O som do metal sendo puxado para baixo, dente por dente, foi obscenamente alto no silêncio do quarto. O ar frio do ambiente tocou minha pele nua das costas, e um calafrio percorreu minha coluna. Eu prendi a respiração.
Ele não tirou o vestido. Apenas o abriu o suficiente, deixando meu torso superior exposto, os s***s comprimidos pelo corpete apertado, a pele ofegante. Seus olhos no espelho não se desviaram do meu olhar, capturando cada microexpressão de pavor e de antecipação.
— Você vê? — ele murmurou, sua mão voltando a meu estômago, agora sobre a pele, sua palma quente como um ferro. — Eu olho pra você e não vejo uma refém. Vejo uma linha que eu quero atravessar.
Sua mão subiu, devagar, torturantemente devagar, até cobrir um dos meus s***s. O toque através do tecido do sutiã foi insuficiente e, ao mesmo tempo, demais. Um gemido baixo, involuntário, escapou de meus lábios. No reflexo, vi meus próprios olhos se escurecerem de vergonha e de desejo.
Ele notou. Um som de satisfação escapou dele.
Com um movimento brusco e eficiente, sua mão deslizou por dentro do decote do vestido, encontrando a pele nua. Seus dedos ásperos cerraram em volta do meu seio, o polegar esfregando o mamilo já endurecido em um círculo c***l e deliberado. A sensação foi um choque de puro fogo. Meu corpo arqueou para trás, contra a parede sólida que era o seu peito, num ato de rendição involuntária.
— É isso — ele sussurrou, seus dentes roçando a junção do meu pescoço e ombro. — É isso que acontece. Eu vejo você me desafiando, com raiva, com medo... e tudo o que eu consigo pensar é em como fazer você tremer por outro motivo.
Sua outra mão abandonou minha cintura e desceu, agarrando a barra do meu vestido. Com um puxão forte, o tecido rendado rasgou lateralmente com um som seco. O ar gelado atingiu minhas coxas. Um protesto morreu na minha garganta, transformado em outro suspiro ofegante quando a mão dele encontrou minha coxa nua e subiu, sem pressa, até a junção das minhas pernas.
Eu estava molhada. A umidade era uma traição gritante, inegável, e quando seus dedos a encontraram através da fina seda da minha calcinha, um tremor violento percorreu todo o meu corpo.
— Dante... — gemi o nome saindo como uma súplica.
— Shhh — ele ordenou, sua voz uma vibração contra minha espinha. — Olha. Olha no espelho. Vê o que você faz comigo. Vê o que eu faço com você.
Eu não queria olhar, mas era impossível desviar os olhos. Via meu rosto corado, minha boca entreaberta, meus olhos vidrados. Via a mão dele, grande e escura, desaparecendo sob o que restava do meu vestido. Via a expressão no rosto dele, uma mistura de feroz triunfo e de um desejo tão profundo que parecia dor.
Com um movimento brusco, ele tirou a minha lingerie. O som do tecido cedendo foi o estalo final de qualquer ilusão de normalidade.
Ele não se preparou. Não houve carícias, nem beijos prolongados. A urgência que ele tentara conter quebrou os diques. Eu ouvi o som do zíper da calça dele sendo aberto, o farfalhar do tecido, e então a ponta quente e rígida dele pressionando contra minha entrada.
Seus olhos me prenderam no espelho.
— Essa é a última vez que você se coloca em perigo — ele rosnou, a voz carregada de uma fúria s****l que me deixou sem ar. — A última vez que você me faz lembrar que posso perder você.
E então, com um único movimento profundo e impiedoso, ele me preencheu completamente.
Um grito abafado saltou da minha garganta. Não foi só de dor, nem só de prazer, mas da combinação avassaladora de ambos, sensação de ser aberta, invadida, possuída de uma forma que apagava tudo. Minhas mãos, antes inertes, se agarraram à borda fria da penteadeira, os nós dos dedos brancos.
Ele ficou imóvel por um segundo, enterrado até o fim dentro de mim, sua testa encostada em meu ombro, sua respiração um sopro quente e ofegante. Eu podia sentir cada centímetro dele, a tensão em cada músculo de seu corpo, a luta pelo controle.
— p***a, Elena — gemeu, o som cheio de agonia e de êxtase.
Então ele começou a se mover.
Não foi uma transa. Foi uma afirmação. Cada investida era dura, profunda, calculada para tirar um som de mim, um gemido, um suspiro, um choramingo. Suas mãos me seguravam firme, uma em meu quadril, guiando o ritmo, a outra subindo para meu pescoço, não para estrangular, mas para segurar, para sentir o pulso acelerado batendo contra sua palma.