21. Elena

1012 Words
— Essa é a parte onde você me diz para parar — ele sussurrou, seus olhos escuros mergulhando nos meus, buscando não obediência, mas a verdade. — A parte onde você exercita o poder que eu te dei quando perguntei. E eu entendi. Este era o jogo. Um jogo perigoso, onde a submissão dele era uma ilusão. Ele se ajoelhava, ele pedia, ele controlava a si mesmo para poder controlar tudo melhor. E me dava a escolha, sabendo que, neste contexto, cercada por ele, por seu mundo, por meu próprio terror e por essa atração doentia, minha escolha provavelmente seria a que ele desejava. E foi. Eu não disse para parar. Fechei os olhos novamente, e desta vez foi submissão. Uma rendição ao inevitável, ao confuso, ao proibido. Um gemido abafado escapou de meus lábios quando sua boca finalmente encontrou a minha. Não foi um beijo gentil. Foi uma tomada. Uma afirmação. Seus lábios eram firmes, insistentes, abrindo os meus com uma urgência que sabia ser contida há tempo demais. Era um beijo que sabia a perigo e a promessa, a posse e a entrega paradoxal. Ele beijava como quem dominava, mas seu corpo tremia levemente contra o meu, uma vibração de pura tensão reprimida. Quando se afastou, ambos estávamos sem fôlego. Seus olhos ardiam com um fogo n***o. — Você vê? — ele rouqueou, sua fronte encostando na minha. — Eu parei. Eu pude parar. Mas era uma mentira que nós dois ouvimos. Ele não tinha parado. Tinha apenas feito uma pausa. E o que vinha a seguir não era mais sobre parar. Seus dedos encontraram a borda da camiseta, seu dedo mínimo roçando a pele nua da minha cintura. Eu estremeci violentamente. — Dante... — gemí, o nome soando como uma prece e uma maldição. — Shhh — ele silenciou-me, o dedo dele tocando meus lábios inchados do beijo. — A verdade agora está aqui. No seu corpo. Não nas suas palavras. Sua mão deslizou por baixo do tecido, palma quente e áspera encontrando a curva do meu quadril. O toque direto da pele era um choque. Era invasivo. Era avassalador. Eu arquei, um movimento involuntário que tanto podia ser de fuga quanto de convite. Ele interpretou como o último. Com um movimento fluido e decisivo, ele se posicionou sobre mim, seu peso imenso e quente ancorando-me no colchão. Não havia gentileza no ato, mas havia uma precisão absoluta. Cada movimento seu era calculado, mesmo na aparente perda de controle. Ele segurou meus dois pulsos com uma das mãos, prensando-os suavemente, mas inescapavelmente, acima da minha cabeça. A submissão física era completa, e olhar para seu rosto acima de mim, ver a satisfação sombria e o desejo cru em seus olhos, fez um novo tipo de tremor percorrer-me, um de pura, inegável excitação. — É isso que você quer? — ele perguntou, sua voz um rosnado contra meu pescoço, onde seus lábios agora traçavam uma linha quente e úmida. — Quer sentir o perigo? Quer sentir quem te protege e quem te destrói sendo a mesma pessoa? Eu não consegui responder. Meu corpo respondeu por mim. Minhas pernas se abriram, acomodando seu quadril, num ato de entrega que fez um som gutural escapar dele. A rendição final. Quando ele entrou em mim, foi com um ímpeto contido que raiava a violência, mas que nunca a ultrapassou. Era uma posse profunda, esmagadora, que preenchia cada espaço vazio e deixava marcas onde ninguém podia ver. A dor do tornozelo ferido foi ofuscada por essa nova, avassaladora sensação de ser conquistada, dominada, conhecida de uma forma que transcendia o físico. Ele se moveu com uma cadência implacável, seus olhos nunca deixando os meus. Era como ser devorada viva, mas de uma forma que fazia cada célula cantar. O medo e o prazer se fundiram, tornando-se indistinguíveis, uma espiral vertiginosa que me puxava para um abismo. Eu estava aterrorizada. Eu estava viva. Eu o odiava. Eu o desejava. Ele me observou cair do penhasco primeiro. Viu meus olhos se arregalarem, minha boca se abrir em um gemido mudo, meu corpo arquejar sob o dele em uma onda de puro choque sensorial. Só então, com um último movimento profundo e um rugido abafado contra meu ombro, ele permitiu-se seguir. O silêncio que se seguiu foi mais profundo que qualquer oceano. O peso dele sobre mim era total, esmagador, real. A respiração ofegante dele era o único som no universo. Aos poucos, ele se moveu, saindo de mim, libertando meus pulsos. Eu não tinha força para me mexer. Ele se deitou ao meu lado, de costas, um braço jogado sobre os olhos, o peito ainda subindo e descer rapidamente. A vergonha, o medo, a confusão, começaram a se infiltrar, mais frios que qualquer suor. O que nós tínhamos feito? O que eu tinha permitido? Minhas lágrimas, retidas a noite toda, começaram a escorrer silenciosamente, queimando o caminho pelas têmporas até entrarem no cabelo. Ele ouviu. Ou sentiu. Virou a cabeça no travesseiro. No escuro, seus olhos capturaram o brilho úmido no meu rosto. Em vez de zombar, ou de ficar irritado, ele ficou imóvel. Então, com uma lentidão que parecia custar mais do que qualquer ato de violência, ele ergueu a mão e passou o polegar, pesado e áspero, sobre minha face, apagando uma lágrima. — Não chore — a ordem foi suave, quase quebrada. — Não chore pelo que seu corpo quer. É a única coisa nesta merda toda que não mente. Ele se virou de lado, de costas para mim novamente, recuando para a sua borda da cama, criando um abismo de lençóis desfeitos entre nós. — Agora dorme — disse, a voz já fechando-se novamente no tom de comando, o momento de vulnerabilidade passando como uma sombra. — O pesadelo... vai ser diferente amanhã. E eu sabia que ele estava certo. O pior pesadelo não estava no sono. Estava no despertar, na manhã que viria, quando eu tivesse que encarar nos olhos o homem que havia me possuído e descobrir que, em algum lugar dentro do terror, uma parte de mim... havia gostado.
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