Elisa A porta da minha casa range ao abrir, aquele som familiar que sempre me acolheu, mas que hoje parece intruso, deslocado… quase estranho demais. Entro e fecho a porta devagar, apoiando a testa contra a madeira por um instante. Só um. Como se o simples toque pudesse me ancorar à realidade, ao mundo que conheço — ao mundo onde Getúlio não deveria existir da forma que existe dentro de mim. Respiro fundo, tentando expulsar o tremor que insiste em permanecer nos meus dedos. Tiro o casaco e o deixo cair na cadeira da entrada sem a menor elegância. Nunca fui desorganizada… hoje, porém, a ordem parece um luxo distante. Caminho até a sala, mas não acendo a luz. Prefiro a penumbra. Prefiro o silêncio. Prefiro não ter que encarar meu próprio reflexo nas janelas. Sento-me no sofá, abr

