nome errado

512 Words
Douglas. O nome ficou no ar. Pesado. Incômodo. Errado. A porta do apartamento se fechou atrás de Verônica horas depois. Risadas ainda ecoavam pelo corredor enquanto Safira, já mais tranquila, voltava para dentro… alheia. Sempre alheia. Esperamos. Como sempre fazemos. O silêncio tomar conta. A luz apagar. O mundo desacelerar. Até restar só ela. E nós. — Douglas… — Ruan repetiu, baixo, quase degustando o nome com desprezo. Encostei na parede, os olhos ainda na direção do quarto dela. — Ele perguntou por ela. — Ele não devia — respondeu, frio. Não era ciúme comum. Era outra coisa. Mais escura. Mais profunda. Mais perigosa. Ruan passou a mão pelo rosto, pensativo. — Ela rejeitou. Assenti. — Mas ele ainda existe. Silêncio. E isso… era o problema. --- Horas depois, já estávamos fora do prédio. Dentro do carro. Mas, dessa vez… não estávamos apenas observando. Estávamos indo atrás. — Nome completo — Ruan disse. Abri o notebook no colo, os dedos já se movendo com precisão. — Douglas… Uma pausa. Alguns cliques. — Douglas Ferraz. Ruan soltou um leve “hm”. — Empresário. Continuei lendo. — Dinheiro antigo… família forte… acostumado a ter tudo. — Inclusive pessoas — ele completou. Olhei para a tela. Fotos começaram a aparecer. Eventos. Festas. Reuniões. E então… Ali estava ele. Bem vestido. Sorriso confiante. Postura de quem manda. Mas o olhar… Errado. — Ele olha como se comprasse — murmurei. Ruan inclinou levemente a cabeça. — E tentou fazer isso com ela. A tensão dentro do carro mudou. Ficou mais densa. Mais perigosa. Rolei mais informações. — Já teve histórico de relacionamento controlador. — Claro que teve — Ruan respondeu, seco. — Mulheres que desapareceram da vida dele… rápido demais. Silêncio. Pesado. Aquilo não era coincidência. — Ele não aceita não — falei. Ruan deu um leve sorriso. Frio. — Então vai aprender. Fechei o notebook devagar. — Vamos observar primeiro. — Não — ele respondeu. Olhei pra ele. — Ainda não fez nada. Ruan virou o rosto lentamente na minha direção. Os olhos escuros, firmes. Decididos. — Ele pensou. Uma pausa. — Pensar nela… já é demais. O silêncio que veio depois não era dúvida. Era decisão sendo formada. Irreversível. --- No apartamento, Safira dormia. Tranquila. Respiração leve. Corpo relaxado. Sem saber… que, naquela mesma noite, o mundo dela tinha acabado de mudar um pouco mais. Porque agora… não era só sobre ela. Era sobre quem ousava se aproximar. --- De volta ao carro, liguei o motor. — Vamos fazer o quê? Ruan olhou pela janela. A cidade passando devagar. Mas, dentro dele… nada era lento. — Primeiro… ele entende o lugar dele. — E qual é? Um pequeno sorriso surgiu. Escuro. Perigoso. — Longe dela. Engatei a marcha. E, enquanto o carro avançava pela noite… uma certeza se consolidava: Douglas não fazia ideia… mas já tinha cruzado o caminho errado. E, quando dois homens como nós escolhem alguém… não existe espaço pra concorrência. Só existe uma regra. E ela é simples. Ou você se afasta… ou a gente faz isso por você. ---
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