Douglas.
O nome ficou no ar.
Pesado.
Incômodo.
Errado.
A porta do apartamento se fechou atrás de Verônica horas depois. Risadas ainda ecoavam pelo corredor enquanto Safira, já mais tranquila, voltava para dentro… alheia.
Sempre alheia.
Esperamos.
Como sempre fazemos.
O silêncio tomar conta.
A luz apagar.
O mundo desacelerar.
Até restar só ela.
E nós.
— Douglas… — Ruan repetiu, baixo, quase degustando o nome com desprezo.
Encostei na parede, os olhos ainda na direção do quarto dela.
— Ele perguntou por ela.
— Ele não devia — respondeu, frio.
Não era ciúme comum.
Era outra coisa.
Mais escura.
Mais profunda.
Mais perigosa.
Ruan passou a mão pelo rosto, pensativo.
— Ela rejeitou.
Assenti.
— Mas ele ainda existe.
Silêncio.
E isso… era o problema.
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Horas depois, já estávamos fora do prédio.
Dentro do carro.
Mas, dessa vez… não estávamos apenas observando.
Estávamos indo atrás.
— Nome completo — Ruan disse.
Abri o notebook no colo, os dedos já se movendo com precisão.
— Douglas…
Uma pausa.
Alguns cliques.
— Douglas Ferraz.
Ruan soltou um leve “hm”.
— Empresário.
Continuei lendo.
— Dinheiro antigo… família forte… acostumado a ter tudo.
— Inclusive pessoas — ele completou.
Olhei para a tela.
Fotos começaram a aparecer.
Eventos. Festas. Reuniões.
E então…
Ali estava ele.
Bem vestido. Sorriso confiante. Postura de quem manda.
Mas o olhar…
Errado.
— Ele olha como se comprasse — murmurei.
Ruan inclinou levemente a cabeça.
— E tentou fazer isso com ela.
A tensão dentro do carro mudou.
Ficou mais densa.
Mais perigosa.
Rolei mais informações.
— Já teve histórico de relacionamento controlador.
— Claro que teve — Ruan respondeu, seco.
— Mulheres que desapareceram da vida dele… rápido demais.
Silêncio.
Pesado.
Aquilo não era coincidência.
— Ele não aceita não — falei.
Ruan deu um leve sorriso.
Frio.
— Então vai aprender.
Fechei o notebook devagar.
— Vamos observar primeiro.
— Não — ele respondeu.
Olhei pra ele.
— Ainda não fez nada.
Ruan virou o rosto lentamente na minha direção.
Os olhos escuros, firmes.
Decididos.
— Ele pensou.
Uma pausa.
— Pensar nela… já é demais.
O silêncio que veio depois não era dúvida.
Era decisão sendo formada.
Irreversível.
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No apartamento, Safira dormia.
Tranquila.
Respiração leve.
Corpo relaxado.
Sem saber…
que, naquela mesma noite, o mundo dela tinha acabado de mudar um pouco mais.
Porque agora…
não era só sobre ela.
Era sobre quem ousava se aproximar.
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De volta ao carro, liguei o motor.
— Vamos fazer o quê?
Ruan olhou pela janela.
A cidade passando devagar.
Mas, dentro dele…
nada era lento.
— Primeiro… ele entende o lugar dele.
— E qual é?
Um pequeno sorriso surgiu.
Escuro.
Perigoso.
— Longe dela.
Engatei a marcha.
E, enquanto o carro avançava pela noite…
uma certeza se consolidava:
Douglas não fazia ideia…
mas já tinha cruzado o caminho errado.
E, quando dois homens como nós escolhem alguém…
não existe espaço pra concorrência.
Só existe uma regra.
E ela é simples.
Ou você se afasta…
ou a gente faz isso por você.
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