— Adam! — Pat o chamou. — Vá atrás das meninas. Nós cuidamos daqui.
Adam olhou ao redor. A entrada do IML estava uma bagunça total, os corpos decapitados estavam em seu processo de decomposição, o cheiro r**m subia em baforadas. Ele tinha perdido pelo menos dois homens naquela luta, foi um saldo muito bom, devido as circunstâncias.
Usando sua força sobrenatural, abriu as portas do elevador, já que o mesmo não subia. Olhou para o buraco n***o abaixo e pulou. A queda não levou mais que segundos. Aterrissou em cima da caixa, com a pouca luz e sua incrível visão conseguiu achar a alavanca para puxar a portinhola do alto do elevador. O buraco era estreito e com seu tamanho da transição não conseguiria passar. Levou alguns minutos para voltar ao normal.
— Meninas espertas — quando olhou a amarração para manter a máquina no andar, ficou admirado.
Fez uma rápida varredura pelo andar e não as encontrou. O último lugar que as procurou foi a porta de saída de emergência. Xingou mentalmente, se as mesmas não apareceram na entrada, isso só significava que aquelas escadas dariam do lado de fora. Com a horda de mortos-vivos cercando o prédio, estariam caminhando para uma armadilha.
Subiu de dois em dois os degraus, já começando novamente a transformação. Saiu pela porta com supetão e como esperado o lado de fora estava um caos. O cheiro de lixo, agredia seu nariz, se encontrava próximo as caçambas que provavelmente recebiam os detritos dos prédios. As quatro garotas encurraladas em um canto. A morena lançava bolas de fogo em todos que chegasse o mais perto possível.
Ele uivou para chamar a atenção. Tirando suas laminas duplas preparou-se para o ataque, dois deles vieram em sua direção. Com golpes precisos ele os eliminou. O problema que atrás daqueles dois, tinham mais. Estavam em extrema desvantagem.
Foi aí que um vento frio passou pelo local, seguido por uma corneta. Adam já tinha ouvido aquele som, olhou para o céu e viu os guerreiros alados. Agora a p***a ficou séria, rindo mergulhou para acertar, mais daqueles não mortos.
***
— Aquilo são pássaros? — Perguntou Liz.
Melissa não tinha tempo e nem energia para olhar, para onde a outra menina apontava. Seu corpo ficando fraco, as bolas de fogo diminuíam. Antes acertava de dois a três, mas agora, m*l atingia um.
— Não é um avião — riu histérica Karen. — Desculpa, quando fico com medo, começo a fazer piadinhas infames.
— Meninas eu... — Melissa não completou a frase e caiu de joelhos no chão. Completamente exausta não conseguia lutar.
“Não posso mais” — pensou derrotada.
“Deixe-me assumir” — a voz pediu.
“O que vai acontecer se eu deixar Draco?”
“Irei queimar todos os mortos-vivos”.
“E as meninas? Vão se machucar?”
“Não. Os elementares não podem afetar uns aos outros”.
Enquanto Melissa conversava com Draco, os silfos[1] desceram do céu e se juntaram a batalha. Seis guerreiros dourados, munidos de espadas douradas atacavam, qualquer não morto que chegava perto.
Silfos tinham a forma de homens, corpulentos, com asas brancas e violetas. O humano que alguma vez teve sorte de ver um deles, os confundiam com anjos, são dotados de grande beleza e vivem por mil anos sem nunca envelhecerem.
Liz tentou levantar Melissa, mas teve que retirar suas mãos quando o corpo da outra, começou a emitir calor, todo o ar ao redor pareceu convergir ao corpo dela, ele começou a brilhar.
Melissa levantou do chão e abriu os olhos, olhos de cor vermelho vivo. Seu corpo começou a levitar do chão. De seu braço uma lingueta de fogo nasceu, como se fosse um chicote. Todos no lugar pararam e a observaram. Quando estava no alto, parou para observar o cenário.
— IGNIS DRACONEM — pronunciou em latim.
O chicote tomou o formato de um dragão de fogo. Circundou seu corpo e desceu a Terra, acertando todos os mortos-vivos. Um a um os foram carbonizados só restando cinzas. Depois do último queimar, o dragão voltou para ela e se fundiu ao seu corpo. Melissa fechou os olhos e seu corpo caiu, teria atingindo o chão se não fosse um vulto preto a pegá-la.
***
Nicolas chegou a tempo de ver o espetáculo que a nova recipiente do elemento fogo mostrava. No ponto de vista dele, sempre um espetáculo Ignis Draconem. Fazia um milênio que não via aquele golpe.
Segurou mais forte o corpo da jovem em seus braços e observou o campo de batalha. Dois dos mortos-vivos que tinha mandado viraram cinzas, os silfos e os lobos estavam reunidos, não era o momento de capturar as outras meninas. Por hora, o prêmio que tinha seria o suficiente.
Murmurou um feitiço que o possibilitava ficar invisível a todos, pulando de prédio em prédio se afastou do local. Há alguns quilômetros dali seu carro com chofer o estava aguardando. Abriu a porta e depositou seu fardo com cuidado. Deu a ordem para partir de volta a sua casa.
Sabia, não seria fácil recuperar as meninas, seus guardiões não iriam permitir os elementais surgir sem proteção. Por isso, mandou seus peões. Corpo-seco eram uma criação sua. Esta versão pelo menos. Antigamente essas criaturas não passavam de resquícios da podridão do ser humano.
Quando um humano comete um crime ou age de forma errada para com outro ser humano, sua alma vai apodrecendo aos poucos. E quando morre fica em extrema agonia para toda a eternidade, vão se fragmentando e os pedaços vagando pelo espaço, nunca sendo capaz de se completar novamente. A quem diga que este é o próprio purgatório.
Nicolas depois de muitos estudos nas artes das trevas, conseguiu canalizar esses fragmentos e transferir de volta para o corpo humano. Assim nasceu o primeiro Corpo-seco. Muitos acham que eram vampiros, já que sua criação assim como os monstros da lenda bebia sangue humano, pois seu corpo não era capaz de filtrar ou renovar essa parte vital de seus sistemas, e não podia sair a luz do dia devido as trevas que habitavam dentro deles.
Afastando os cabelos da jovem em seu colo para ver seu rosto, arregalou os olhos surpresos.
— Minha Alicia — sussurrou maravilhado.
***
Nicolas levou Melissa ao seu apartamento, que se situava no edifício chamado Banespa, não era de conhecimento público que o 33º andar do prédio pertencia ao um investidor recluso. Para o mundo, o prédio havia sido comprado por uma instituição financeira de alto nome, o que ninguém sabia, trás disso, ele tinha o adquirido por sua localização. Tendo uma visão privilegiada de 360º de toda capital.
Assim transformou aquele andar em seu lar. Usando de determinadas magias ele conseguiu criar uma ilusão onde um dos quatorze elevadores sempre estava quebrado, para os olhos humanos era aleatória, porém o primeiro da esquerda, de seu uso exclusivo.
Levando nos braços sua preciosa carga, Nicolas não parava de olhar a jovem. Extremamente parecida com sua amada Alicia e ao mesmo tempo diferente. Ao sair do elevador encontrou André sangrando em seu hall, olhou com repugnância.
— Senhor... — ofegou André.
— Sai daqui criatura patética — disse ríspido — você me decepcionou muito.
— Os cães eram muitos, senhor. Tenho certeza que se eu tivesse...
— Poupe de suas desculpas esfarrapadas — Olhou para toda sujeira, corpo-seco sangravam n***o, seu corpo de morto-vivo não conseguia deixar vivo o sangue deles. — Sua sorte, consegui parte do que queria. Caso contrário você já não estaria respirando. Agora saia.
Ele não esperou para ver se sua ordem foi acatada, caminhou ao seu quarto. As luzes se acenderam quando chegou. Com um movimento de mão usando seu próprio poder, afastou os lençóis pretos da cama e depositou o corpo da jovem. Afastou os cabelos do rosto e contemplou a beleza etérea. Não pôde deixar de compará-la com sua Alicia.
Alicia tinha a pele alva, quase translúcida, vivia rindo dela como ficava vermelha por qualquer coisa. Os cabelos loiríssimos quase brancos, tinha os olhos azuis igual a um céu de verão.
Já a garota em sua frente o completo oposto, cabelos negros como a noite meio ondulados, a pele de um tom de terroso, não quis a comparar com um chocolate, mas fazia com que ele desejasse lambê-la, já que tinha um pequeno fraco por aquela iguaria. Pequenas ruguinhas nos cantos da boca demostravam que sorria com muita facilidade. Outro contraste com Alicia, que não sorria. Tirando estes pequenos detalhes era como se tivesse a versão n***a de Alicia em sua frente. Iguais, mas totalmente diferentes, a jovem controlava o fogo já a outra a água. O perfeito yin-yang.
Suspirando, caminhou até o banheiro de sua suíte e acendeu as luzes, preparou a banheira com água temperada com sais de banho com cheiro de flores que sempre deixava preparado para aquele dia, o dia que Alicia voltaria para ele.
Voltou ao corpo e despiu a jovem das roupas horríveis. Pegou-a nos braços levando-a e a depositando dentro da banheira. Sem pressa, lavou desde os cabelos até os dedos dos pés. Sempre cuidadoso e carinhoso. Quando se deu por satisfeito alcançou as toalhas e a secou. Voltou para o quarto a deixando na cama. Caminhou para o grande guarda-roupas em um canto do quarto, como tudo o móvel era de um tom escuro. Abrindo uma das gavetas escolheu uma camisola vermelho sangue. Colocou nela, dando por satisfeito com seu trabalho, dirigiu-se para o banheiro, tomou uma ducha, colocou a calça preta de seda do seu pijama e deitou-se ao lado da moça.
— Dorme minha garota de fogo. — Alcançando um colar com um pingente de coração de um cristal, colocou em volta de seu pescoço. A gema passou transparente para um vermelho pulsante.
Com a mente se certificou de estavam sozinhos no andar, acionou as proteções mágicas e finalmente descansou com sua amada nos braços.