Beatriz narrando A casa inteira dormia, menos eu. A mansão parecia maior de madrugada. Cada cômodo apagado virava um buraco escuro, cada quadro caro nas paredes parecia me observar em silêncio. Eu estava na sala principal, luz baixa, só o abajur aceso, um vinho tinto caro pela metade na taça, e a Nina enfiada na outra ponta do sofá, roncando daquele jeitinho ridículo de Shih-tzu mimada. Vittorio, claro, nada de chegar. “Assuntos importantes”. Eu sabia exatamente o formato dos “assuntos importantes” dele: ruivo, corpo montado em mesa de cirurgia, sorriso treinado pra obedecer. Olga. Ele acha que me engana. Girei o vinho na taça, vendo o vermelho escuro colar no cristal. O silêncio só era cortado pelo barulho da geladeira ao fundo e, de vez em quando, um carro passando na rua do condomí

