DEUS ME LIVROU DA MORTE

2248 Words
Eu corri para meu quanto e peguei a cartela de remédio pronta para tomar o restante dos remédios da cartela e esperar a morte chegar. Eu queria morrer e acabar com toda a dor, humilhação e sofrimento. Chega! Eu não aguentava mais sofrer. Como era terrível o que eu sentia naquele momento. Estava cansada de fracassar. Então, quando peguei a cartela no meu quarto, o meu irmão tomou-a de mim e literalmente, sumiu com eles. — Pode parar de doideira se não eu vou contar para papai e mamãe. — Não conte, por favor. Não por enquanto. — Implorei. Então, ele saiu e deixou-me em casa sozinha. Fiquei com medo pelo que aconteceria comigo dali para frente. Se eu iria realmente morrer, se os meus pais iriam saber o que fiz, enfim, realmente eu não sabia o que esperar. Mais uma vez verifiquei se a casa estava impecavelmente em ordem para que ninguém reclamasse e fui para meu quarto chorar e desabafar com Deus. Chorei e desabafei até não ter mais lágrimas para chorar e a morte não vinha. Eu não sentia mais nada referente ao efeito dos comprimidos, cachaça e suco que tomei. Foi meu pai apareceu-me chamando na porta de casa. Imediatamente fui até ele constatar o que queria, pois, desde a noite de ontem ele ainda não havia falado nada comigo. — O que você está fazendo? — Estou estudando no meu quarto. — Respondi sem olhar para ele, por medo. — Se você aprontar verá o que eu vou fazer. — Sim, senhor. Então, ele voltou ao que estava a fazer, me deixando sozinha com os meus pensamentos e sentimentos. Foi quando, derrepente, senti Deus falar comigo que quando eu tomei o suco forte de maracujá, ELE cortou o efeito dos remédios e cachaça que tomei. Depois das palavras de Deus, o meu coração ficou em paz. Uma calmaria maravilhosa, uma paz, tomada conta do meu coração. Fui estudar e organizar os meus matérias de escola para o dia seguinte. Chegando na escola, eu não tive condições de conversar com ninguém. Fiquei sozinha em meu canto. No horário do recreio eu estava com as minhas amigas Regina e Andréia, mas não tive coragem de contar nada para elas. Eu sentia um desejo grande de que a minha amiga .......... estivesse lá, comigo, para que eu pudesse desabafar com ela. A semana passou com um clima pesado para mim quando eu chegava em casa da escola. Na semana seguinte, durante a aula, decidi fazer uma carta para Eduardo pedindo desculpas por tudo que ele tinha passado. Eu queria saber se ele estava bem. Após sair da escola, encontrei coma irmã de Eduardo (ela estudava no turno da tarde) e pedi a ela se poderia entregar uma carta para ele. A vergonha de pedir que ela entregasse a carta sem eu nem ao menos a conhecer, foi insignificante, em relação à dor que eu sentia em meu coração por ter causado esse problema para ele. — Boa tarde. Você é irmã do Eduardo? — Perguntei meio sem jeito. — Sou, porquê? — Poderia entregar essa carta para ele? Prometo não lhe incomodar mais. — Claro, eu vou entregar hoje a noite quando ele chegar do serviço. — Obrigada! Então retirei-me e fui pegar o meu transporte de volta para casa. Chegando em casa, ajudei a minha mãe no serviço de casa e depois fui cuidar do jardim pedindo a Deus para que o meu tio não aparecesse. Eu não tinha condições de continuar suportando os assédios dele e toda a situação que eu estava vivendo. No fim da tarde, tomei o meu banho, coloquei o meu pijama e fui para o meu quarto ler e estudar, desejando ficar sozinha. — Você já jantou Canora? — Minha mãe perguntou. — Sim. — Menti, pois, se ela soubesse que eu não estava me alimentando direito me obrigaria a comer para não ficar doente. Fiquei sozinha em meu quarto lendo e escrevendo, então, fiquei de joelhos e orei pedindo a Deus que Eduardo não me odiasse. Eu sabia que ele provavelmente não iria querer mais nada comigo e também já havia desistido da ideia de ter um namorado. Eu apenas queria paz e nenhum problema. Iria estudar e lutar para ter coragem e condições financeiras para sair de casa quando tivesse maior idade. Já imagina eu trabalhando em alguma loja talvez, morando em apartamento de apenas um quarto, algo bem simples e barato. Móveis improvisados para o início de tudo e conforme eu recebesse pelo meu trabalho, tentava comprar algo para ir melhorando. Adormeci pensando sobre isso e acordei com o meu pai me chamando para me levantar e se arrumar para ir à escola. Aos poucos o meu pai estava voltando a falar comigo como fazia antes. Eu estava confiante que tudo isso ficaria esquecido. Na escola tudo foi bem, tirando o fato de Talita ignorar-me, mas eu preferia assim. Eu não queria que ela soubesse de tudo que havia acontecido, pois, ela iria cantar vitória. Quando a aula acabou, esta indo pegar o meu transporte quando a irmã de Eduardo veio até mim. Confesso que eu cheguei tremer, imaginando que iria vir mais problema para mim. — Canora, boa tarde. — Boa tarde. — Eduardo pediu para te falar que você pode ficar despreocupada, pois, ele sabe que você não teve culpa de nada. Naquele instante senti como se fosse tirado um peso de cima das minhas costas. Agradeci a ela e fui pegar o transporte de volta para casa. No fim da tarde contei ao meu irmão mais novo sobre a carta e o recado que eu havia recebido de Eduardo. A noite, após o jantar, tomei um banho, coloquei o meu pijama e fui para meu quarto. Então, resolvi escrever mais uma carta para Eduardo. ***************************************** Oi Eduardo, como vai? Espero em Deus que bem. Queria te agradecer por ter enviado o recado por sua irmã em resposta a minha carta. Fiquei muito feliz. Quero que saiba que eu realmente sinto muito por tudo que aconteceu. Por um instante eu pensei que poderia dar certo, mas infelizmente eu não sei como agir e o meu pai é muito conservador e autoritário. Ele não agiu por m*l, mas também sei que ele não agiu da forma correta. Aquele beijo foi único e maravilhoso. Antes de você pensar em namorar comigo, eu já te observava discretamente quando eu ia à casa da minha tia e eu te via lá conversando com o meu primo. ("Mas é claro que o sol vai voltar amanhã Mais uma vez, eu sei Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã Espera que o sol já vem." Legião Urbana) *************************************** Eu realmente acreditava que tudo iria ficar bem, pois, eu confiava (e ainda confio) em Deus. Ele conhece o meu coração e sabe que jamais eu faria qualquer coisa errada com Eduardo. Deus sabia o quanto esteva com medo de tudo aquilo. O quanto eu estava com vergonha de estar realmente iniciando um namoro. O quanto estava feliz por finalmente as coisas começarem a asar certo. Quando o meu pai fez tudo aquilo comigo, eu me senti humilhada, fracassada, derrotada, destruída, pois, jamais imaginei que o meu pai falaria que o pai que eu tinha havia morrido... Enfim, tudo estava voltando a calmaria. No dia seguinte entreguei a carta a irmã dele pedindo que entregasse a ele e prometi que não iria enviar mais nenhuma carta Aquela era a última. Chegando em casa, acabei contando dessa última carta para meu irmão, novamente. — O que você sente por ele? — o meu irmão me perguntou. — Há, eu sempre achei ele bonito, interessante e, na verdade, não sei dizer nada ao certo porque eu nunca fiquei interessada em ninguém, mas eu queria que tivesse dado certo. No dia seguinte levantei cedo como de costume, fiz a minha higiene matinal, tomei café e comecei a faxina de sábado em minha casa. Enquanto a minha mãe faxina o quarto dela e separava as roupas de cama para ela lavar, eu seguia com a faxina, cômodo por cômodo. A minha mãe fez o almoço enquanto eu terminava a faxina da casa. Por volta de 15 horas eu estava finalizando, lavando a garagem e a calçada de frente de casa. Por volta de 17h horas fui tomar o meu banho para nos arrumarmos para ir ao culto. Coloquei uma saia justa um pouco abaixo dos joelhos com uma f***a na coxa esquerda, em veludo vermelho, uma blusa justa sem manga, da mesma cor e material, uma maquinagem básica, e batom vermelho, cabelos soltos e sandália de salto preta. Estava me sentindo melhor a cada dia que se passava. Durante o culto uma moça veio me convidar para me sentar com ela e outras meninas jovens. Eu sentia Deus falando comigo a cada louvor e confiando que teriam coisas boas para acontecer. Quando culto terminou, me despedi das meninas e fui encontrar os meus pais para voltarmos para casa. Nesse dia, os meus irmãos estavam junto connosco e ficarem sentados com os meus pais. — Ele estava sentado lá na praça quando chegamos para o culto. — o meu irmão me contou. — Sério? Eu não percebi. — Falei com empolgação. — Talvez você não o viu porque ele estava com uns colegas dele. — Será que ele nos viu? — Você quer saber se ele te viu? Acredito que sim, pois, ele não tirou os olhos de você até entrarmos na igreja. Tanto é que ele esteve no culto, sentado la no último banco. — Sério? — perguntei toda sorridente. O domingo passou de forma tranquila. Eu fui dar umas voltas de moto pelo bairro e aproveitar para dar uma passarinha no sítio da minha tia, que não ficava longe de onde morávamos. Tinha algumas semanas que eu não ia visita-la e ja estava sentindo falta de conversar com ela. A minha tia e eu conversamos um pouco, desabafei com ela, chorei e ouvi os conselhos dela. Depois voltei para casa, pois, meu pai ou meu irmão mais velho poderiam estar precisando da moto. A noite fomos ao culto novamente. Nós éramos visitantes, mas íamos quase todos os fins de semana. Quando passamos pela praça, olhei atentamente tentando encontrar Eduardo, mas eu não o vi. Dessa vez sentei-me com os meus pais e tentava, discretamente, observar pelo reflexo no vidro ao meu lado se ele tinha vindo ao culto. Quando vi ele o meu coração aprecia que iria sair pela boca. Logo pensei se o meu pai tinha o visto também. Pedi a Deus para não dar mais problemas. Na segunda-feira, quando estava indo pegar o ônibus para voltar para casa, ouvi alguém me chamando. Quando olhei para o outro lado da rua, percebi que era a irmã de Eduardo que esta me chamando. — Ei, tudo bem Canora? — Ei, tudo bem sim! E você. — Estou bem sim! Meu irmão pediu para te entregar essa carta. Ela deu um sorriso para mim e antes de ir disse: — Sempre que quiser enviar cartas para ele, pode deixar que eu levo com maior prazer. Tchal, se cuida. Agradeci e fui logo para o ónibus, pois, ele estava mesmo chegando no ponto. Quando eu ja tinha embarcado no ónibus abri a carta curiosa para ver o que estava escrito. "Oi Canora, Gostei muito de receber as suas cartas. Queria muito te beijar novamente. Não consigo tirar você da minha cabeça. Te vi na praça no sábado a noite e você estava ainda mais linda com aquele vestido vermelho. Acabei entrando na igreja e participando do culto para poder ficar um pouco mais perto de você e continuar te olhando. Domingo também estive lá e fiquei com um pouco de receio quando vi que o seu pai havia percebido a minha presença. Confesso que fiquei aliviado que ele apenas me olhou e voltou a atenção para o culto. Aguardo mais cartas suas. Beijos, Eduardo." A minha vontade ela de pular de alegria naquele instante, mas eu não podia e nem tinha coragem então, guardei toda aquela felicidade para mim. Coloquei a carta bem escondida em um dos meus cadernos e não parei de pensar nele o dia todo. No fim da tarde contei sobre a carta para meu irmão mais novo e disse o quanto eu estava feliz, mas sabia que não poderia namorar ele, mas quando eu completasse maior idade eu estaria correndo atrás dos meus sonhos. Todos os dias daquela semana eu enviei carta para Eduardo. A irmã dele sempre me dava algum recado dele e eu ficava muito feliz. A irmã dele era muito simpática comigo e agradeci a Deus por isso. Sábado chegou novamente e como de consume fomos ao culto. Eu não vi Eduardo na praça nem no culto. Quando acabou o culto, a esposa de um amigo de papai veio conversar comigo e a minha mãe. Enquanto isso, o amigo de papai chamou-o para conversar perto da porta da igreja. Derrepente a esposa do amigo de papai chamou a nossa atenção nos mostrando quem estava com papai. — Olha lá quem está fazendo as pazes! Olhei na direção do meu pai e não pude acreditar no que os meus olhos viam. Percebi que a minha mãe estava feliz também com o que via. Meu pai e o seu amigo estavam sentados e conversando com Eduardo. E o mais incrível ainda era que eles estavam sorrindo como se nunca tivesse acontecido nada.
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