Cap. 17 - O pacto

1126 Words
----- AURORA Assim que cheguei a casa do Leonardo, fui parada na entrada. Um senhor muito calmo pediu-me que esperasse, pois iria pedir autorização para que eu entrasse. Não tardou a voltar e a indicar-me o caminho. Entrei numa sala grande, com um pequeno bar, dois sofás grandes pretos de couro e uma secretária a um canto, muito moderna. Conseguia ver um extenso jardim pelas janelas grandes que cobriam duas das paredes mais compridas. Seguranças patrulhavam. Resolvi esperar em pé. _ Bom dia. - Cumprimenta Leonardo, assim que entra na sala. _ Bom dia. - Respondi Zane entrou logo atrás de Leonardo, mas permaneceu calado. Leonardo fez-me sinal para que me sentasse no sofá, de frente para ele. Assim o fiz. Zane permaneceu em pé junto de uma janela. _ Quanto ao que falamos ontem, tens alguma dúvida? - Começa Leonardo _ Não, mas tenho um pequeno ajuste. - Respondo. _ Ajuste? - Ele mostrava-se curioso. _ É possível eu fazer o meu trabalho, sem estar a par das vossas ilegalidades? _ Nossas? - Pergunta Zane. _ Eu não sou parva. Já vos vi aos dois em ação. No bar! Então eu aceito o trabalho, se a minha função se resumir à proteção e a tudo o que ela engloba. Mas, em nenhum momento, quero saber dos vossos negócios na íntegra. _ Estou a ver... - Diz Leonardo. _ Com certeza, não estás a considerar isso ser possível, Leonardo. - Zane interrompe, olhando para ele. - Aurora, como podes saber como nos defenderes dos nossos inimigos, sem saberes quem são? A partir do momento que sabes quem são, já estás a par de algumas coisas. _ Zane tem razão nesse ponto. Aurora fica pensativa. _ Aceito. - Digo rapidamente, para não pensar mais no assunto. Só iria dar um nó no cérebro. E eu preciso deste trabalho. _ Boa! - Leonardo não esconde o seu contentamento. Já Zane, está boquiaberto com a minha decisão e não parece gostar nem um pouco dela. Leonardo levanta-se do sofá e vai até à secretária, de onde tira uma pasta da gaveta. Entrega-me a pasta e uma caneta. _ Lê e assina. Trata-se do meu contrato de trabalho. Leio-o com atenção, assino-o e entrego-o de novo a Leonardo. _ Zane, importas-te de mostrar à Aurora os cantos à casa e de pô-la ocorrente de todos os procedimentos de acesso? - Zane assente, movendo-se para a entrada. Eu sigo-o. - Daqui a umas horas encontrámo-nos para apresentar-te a todo o pessoal e ao teu quarto. - Desta vez, dirige-se a mim. _ Leonardo, e quanto à agenda do dia? - Questiona Zane. _ Vazia para hoje. Já tratei de tudo. Mais logo organizamo-nos. Tenho só uns assuntos para resolver, mas trato disso. Podem ir! Eu e Zane saímos do escritório. ----- ZANE "O que se passa na cabeça de Aurora para vir trabalhar com o Leonardo? Ela não entende o quão perigoso pode ser?". Mostro a casa a Aurora, por dentro e por fora. A casa é grande. No piso térreo, do lado direito, encontramos uma área de lazer aberta com uma pequena biblioteca, seguida de um corredor que dá acesso ao escritório. Do lado esquerdo, temos uma sala de estar, e um corredor, que se subdivide em cozinha, com acesso ao exterior, e numa sala de jantar enorme. Na cozinha, encontramos uma pequena escada que nos leva a uma adega na cave. Todavia, a primeira coisa que vemos assim que entramos na casa, é uma enorme escada que se subdivide a meio, em duas, e dão acesso ao primeiro andar. No primeiro andar, encontram-se os quartos. Ao todo são seis, todos suites, em que três deles são para convidados. Estão dispostos por dois corredores. Cinco deles num corredor, que conta ainda com uma casa de banho de serviço. O outro quarto fica no segundo corredor. No exterior, há um enorme jardim em volta de toda a casa. Nas traseiras, uma piscina, com uma área que convida ao lazer à sua volta. Um pouco mais adiante, existe uma escada de acesso a um deck, que fica num patamar mais baixo, com uma grande mesa para refeições, churrasco e alguns bancos de jardim. Do deck, podemos avistar um grande lago, flanqueado por várias casas mais pequenas, em madeira. Toda a propriedade é cercada por um muro contínuo, alto e branco. A entrada é feita por um portão alto e imponente de ferro preto automatizado. Do lado de fora, existe um grande pinhal. Do lado de dentro, assim que se passa o portão, à direita, encontra-se uma enorme garagem com capacidade para dez carros. Mostro tudo a Aurora. Contudo, existem mais algumas áreas, às quais não tem acesso, pelo que nem as mencionei. _ Porque aceitaste este trabalho, Aurora? - Pergunto durante o percurso. - É perigoso! _ Preciso. - Respondeu-me, sem demora. - Posso-te fazer uma pergunta, Zane? _ Sim. _ Tu e a Clara... É sério? _ Ela contou-te? - Surpreende-me. _ Sem pormenores. Mas disse-me que jantaram ontem. _ Sim, é verdade. _ E então? É sério? _ Eu não sei o que te dizer. - Passo a mão pela nuca. - Clara parece-me ser uma rapariga incrível e eu quero conhecê-la melhor. Para já não é sério. Mas pode ser, se ambos o quisermos. _ Eu tenho medo que ela se magoe. Esta vida que tens... _ Que temos! Não te esqueças que estás a trilhar o mesmo caminho. E Aurora, pára com essa atitude preconceituosa! Nem tudo é preto e branco. Vais perceber que existem áreas cinzentas com tanto ou mais valor. Eu não sou santo, mas também não sou d***o. Sim, tenho esta vida, mas não sou má pessoa. _ E Leonardo? É má pessoa? - Surpreendeu-me com esta pergunta. _ Estás interessada? - Fiquei curioso. _ Não é isso! - Vejo que cora um pouco. - Eu só quero saber se ele é tão perigoso como aparenta. _ Isso depende da pessoa. Leo não é a mesma pessoa para toda a gente. Ele gera este negócio ilegal, então precisa de ser frio e calculista, mas vais acabar por descobrir, com o tempo, que existem exceções. _ Hum... - Rio-me. _ De certeza que não estás interessada? - Dramatizo um pouco o meu olhar de desconfiado. - Podes confiar em mim. - Pisco o olho. _ Será que posso? És de confiança? _ E que tal se fizermos um pacto? _ Que pacto? _ Eu sinto que eu e tu seremos amigos. Além disso, temos uma pessoa em comum, a quem só queremos bem. Então que tal... Podemos falar sem medos e protegeremo-nos mutualmente. O que dizes? _ Pacto aceite! _ Boa, agora vamos. Já são quase horas de almoço e esperam-nos.
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