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LEONARDO
Estive a manhã toda a trabalhar no escritório e, agora, que era hora de almoço, decidi parar.
_ Georgia, aqui novamente? - Pergunto, ao entrar na sala de jantar e ao deparar-me com ela.
_ Olá Leonardo! - Cumprimenta-me.
_ Filho, fui eu que convidei Georgia para almoçar. Sairemos a seguir, então não fazia sentido Georgia não almoçar cá.
_ Claro que foi a mãe. - A minha mãe sempre me tenta juntar com Georgia. Não consigo perceber quais das duas enxerga menos. Como não percebem que Georgia e eu é um grande "Não". - Onde está Valentina? - Decido mudar de assunto.
_ Na faculdade. - Informa-me a minha mãe.
Na sala entram Enzo e Aurora. Ao ver novas pessoas, Aurora mostra-se um pouco desconfortável.
_ Mãezinha. - Cumprimenta Enzo. - Georgia. - Assena para ela.
_ E quem é esta rapariga? Nova namorada Enzo?
_ Não, mãezinha. É uma amiga.
_ É a nova chefe de segurança.
_ E amiga! - Acrescenta Enzo.
Não gosto muito do apontamento que Enzo faz, mas decido deixar passar, desta vez.
_ Aurora. Prazer! - Aurora dá-se a conhecer.
_ Prazer, Aurora! O meu nome é Catarina e sou a mãe de Leonardo. Sê bem-vinda à equipa! - Georgia mexe-se desconfortável na cadeira.
_ Olá. O meu nome é Georgia, sou uma "amiga" do Leonardo. - E faz o gesto de aspas com os dedos a pronunciar a palavra "amiga", soltando um sorriso no final.
_ Prazer, Georgia. - Aurora também a cumprimenta.
_ Senta-te Aurora, hoje és minha convidada.
_ Ui! É a primeira vez que vejo um empregado a comer à mesa com os patrões. - Comenta Georgia, ciumenta.
_ Eu também sou empregado, Georgia, e quase sempre almoço junto com a Dona Catarina e o Leonardo. - Diz Zane.
_ Almoça mais vezes cá do que tu, Georgia. - Saliento. - E isso agrada-me. - Acrescento, baixinho
_ Sim, Zane. Mas tu és da família. - Comenta Catarina, desviando as atenções de mim. - E Aurora, hoje, é uma convidada. - Acrescenta, lançando um olhar de aviso a Georgia.
_ É verdade! - Georgia percebeu o olhar. Era melhor mudar de atitude ou eu mesmo a arrastava para fora daquela mesa.
O almoço decorreu sem grandes ocorrências. Quando finalizamos, dei instruções ao Zane e segui com Aurora para a zona do lago.
_ O Zane mostrou-te a propriedade?
_ Sim, mostrou.
_ Ótimo. Agora vou levar-te à casa onde irás viver.
_ Casa? Pensei que teria direito a um quarto apenas.
_ Todos os empregados têm direito a uma casa, porém é uma casa para cada dois empregados. De momento estás designada sozinha para uma casa, pois temos número ímpar de empregados. No entanto, isso pode mudar a qualquer altura.
_ Tudo bem. Ainda é mais do que eu esperava. Obrigada.
Encaminhei-a para uma das casas de madeira existentes na berma do lago. Quando entramos, ela olhou maravilhada para tudo. Não é nada de mais. Não é luxuosa. Todavia, tem todas as comodidades necessárias e um pouco mais. É uma casa simples, mas com o seu encanto.
À entrada uma varanda, com uma pequena rede de descanso e uma mesinha pequena e baixa, em frente a um sofá de exterior. Ao entramos, temos uma sala aberta para a cozinha e uma casa de banho de serviço. No lado direito fica um quarto com uma casa de banho privada. Uma pequena escada em caracol, no canto da sala, leva a uma mezzanine onde se situa o outro quarto, com outra casa de banho. De lá de cima, consegue-se avistar grande parte do piso inferior. O quarto tem ainda uma varanda com vista para o lago, com mais um sofá de exterior.
Ao passarmos pela porta dos fundos da cozinha, temos acesso a um jardim, que fica nas traseiras da casa. Ele tem uma cerca em volta com sebes, conferindo privacidade. Há uma pequena piscina no centro e lindos canteiros de flores em toda a sua volta.
_ É muito linda! - Comenta Aurora, admirando as flores.
_ Não trouxeste as tuas malas? - Pergunto, lembrando-me que não a tinha visto com malas nenhumas, de manhã.
_ Não. Pensava em trazê-las amanhã ou mais logo.
_ Quando Zane chegar, ele dá-te boleia e vão buscá-las. - Imediatamente, mando uma mensagem a Zane, para que assim que regresse, acompanhe Aurora a casa da amiga e a ajude com a mudança.
_ Ok. - Concordou.
_ Toma. Esta é a tua chave. Em cima da mesa, vais encontrar uma folha com algumas regras, que espero que sigas à letra. Não aceito desculpas.
_ Tudo bem. - Ela engole em seco.
_ Agora vamos! Quero-te apresentar à equipa de segurança.
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AURORA
A casa, que passaria a ser o local onde iria morar, era muito linda, organizada e confortável. Uma casa de madeira, com todos os confortos que podia imaginar e com uma decoração muito feminina e delicada. Se tivesse de decorar uma casa minha, acho que teria escolhido cores e elementos totalmente diferentes, o que faz com que estranhe ainda mais o facto de ter realmente gostado.
_ Agora vamos! Quero-te apresentar à equipa de segurança. - Diz Leonardo.
Toda a equipa, esperava-nos, reunida numa das garagem, que funciona como centro de comando. Uma das paredes está revestida com vários ecrãs, onde é possível ver toda a propriedade. Uma outra, está toda forrada com um armário, com as mais variadas armas. Um autêntico arsenal! Um grande quadro branco está pendurado, na terceira parede. No centro, uma grande mesa redonda com cadeiras de escritório em volta.
_ Pessoal, esta é a Esteves! A nova chefe da equipa de segurança. - Apresenta-me Leonardo, assim que entramos na sala.
_ Com o devido respeito chefe, mas ela é mulher. - Diz rapidamente um dos homens.
_ Folgo em saber que tens boa visão, Junior. - Zomba Leonardo. Alguns dos homens riem-se.
_ Eu concordo com o Junior, senhor. - Ouve-se uma segunda voz.
Vejo a irritação de Leonardo, pela forma como se posiciona. Coloco-lhe uma mão sobre o seu ombro.
_ Com a sua permissão, senhor. - Digo, confiante.
_ Força. - Leonardo, dá-me licença para falar.
_ Onde fazem os treinos de preparação física? - Questiono toda a equipa, esperando que um deles me responda.
_ Maioritariamente no exterior, chefe. Mas, temos uma grande sala com máquinas e tapetes de ginástica. - Responde um dos outros homens. Os dois homens que anteriormente falaram, olharam para ele, com ar de chateados. Provavelmente porque me reconheceu como sua chefe.
_ Podemos? - Pergunto para Leonardo, num tom de voz mais baixo. Ele assente. - Passemos então para essa sala, se não se importam. - Levantei a voz.
Os homens seguem à frente de mim e de Leonardo, liderando o caminho. Assim que entro, tiro o casaco, amarro o meu cabelo num r**o de cavalo e descalço os meus ténis e meias, antes de subir no tapete. Eles não se apercebem, enquanto caminham para o fundo da sala. Leonardo olha para mim.
_ Vocês os dois! - Chamo. Os homens entreolham-se, questionando-se a quem eu me refiro. - Os dois machistas. - Acrescento, como se fosse bastante óbvio. O que para mim, até era.
Os dois homens de antes aproximam-se do centro.
_ Tem a certeza? - Pergunta Junior.
_ Nós somos dois. - Diz o outro.
_ Olhem só... O Junior tem boa visão e o Figueiredo sabe contar. Se estivesse no lugar das Esteves teria muito cuidado! - Leonardo zomba dos seus homens. Eu sorrio.
E com o orgulho ferido, ambos se projetam na minha direção, prontos para lutar. Assim como eu!