-----
AURORA
_ Já te decidiste? - Perguntou alguém atrás de mim, fazendo-me pular do sofá com um susto. Mas eu conhecia aquela voz.
_ Como entraste? - Perguntei, sem responder à sua pergunta.
_ Pela porta das traseiras. Estava aberta.
_ O facto de estar aberta não te dá permissão para entrares.
_ No entanto, entrei. Que estás a fazer? - Perguntou enquanto se sentava no sofá.
_ Mas quem pensas tu que és para... - calei-me, chocada ao vê-lo a comer a sandes que tinha deixado preparada na cozinha.
_ Não consegui evitar. Cheira bem. - Diz-me ao perceber que eu olhava para as suas mãos.
_ Obrigada. - Digo devagar, ainda pasmada.
Ele acaba de comer a sandes rápido e olha para o meu gelado.
_ É que nem penses! Isto é meu! - Advirto-o.
_ Ok. Mas só porque eu não gosto de gelado de frutos vermelhos. E então já pensaste? - Pergunta-me enquanto levanta os meus pés e os coloca em cima do seu colo.
"O que se passa com ele? Que atitude é esta? Nem parece o mesmo."
Eu puxo os meus pés, mas ele agarra-os, não os deixando ir.
_ Leonardo?
_ Sim? - Ele olha para mim.
_ Escuta! Eu sei que és um homem poderoso e com muitos recursos, mas, e mesmo arriscando a minha vida, vou pedir. É possível esqueceres que eu existo e apenas me deixares em paz, na minha vidinha?
_ Não! Aurora, qual seria essa vida? Consigo perceber que esta casa não é tua. - Diz, enquanto aponta para as fotografias espalhadas pela casa. - O que fazes aqui? Não tens casa?
_ Não, não tenho. Esta casa é de uma amiga. - Suspiro.
_ E trabalho?
_ Não. - Baixo o olhar.
_ Então que vidinha é a tua?
_ Não tenho casa ou trabalho agora, mas vou ter no futuro. A trabalhar para ti, não vou ter futuro. Vou ser igualmente criminosa.
Ele permanece calado e calmo, olhando para mim. Começa a massajar os meus pés.
_ Pára com isso. - Digo, remexendo o meu pé. Mas, ele não o faz.
_ Em todo o caso, ainda tens umas horas para pensar.
_ Não há nada para pensar. Eu não quero trabalhar para ti! E sai daqui, antes que alguém te veja.
_ O que vamos ver? - Claramente, não estava nada interessado no que eu queria ou pensava. Derrotada, atirei-lhe o comando. - Escolhe tu.
Leonardo mudou de canal, até encontrar um que lhe despertou a atenção. Não vi do que se tratava, pois olhava para ele. Estava calmo, parecia estar a desfrutar de uma pausa da sua própria vida. Só agora reparei que até o seu look era descontraído. Vestia umas calças de fato de treino preto justinhas, uma t-shirt simples preta, também ela simples, e um casaco de fato de treino também ele preto, apertado pela metade. Totalmente diferente do que já o tinha visto vestir antes.
Ele continuava a massajar os meus pés e deixei-me ficar assim com ele, enquanto comia o meu gelado. Temia que no final do prazo que ele me deu, e perante uma resposta negativa da minha parte, acabasse morta naquele mesmo sofá, mas ainda tinha umas horas para pensar em como escapar dele, então acalmei a mente, respirei e prossegui em procurar uma saída.
-----
ZANE
Fui buscar a Clara a casa, todo arranjado e perfumado. Assim que cheguei a sua casa, nem precisei enviar mensagem, logo ela saiu para a rua e entrou no carro.
_ Olá! - Diz-me enquanto põe o cinto, sem olhar para mim.
_ Olá! - Ligo o motor e sigo viagem em direção ao restaurante, onde fiz uma reserva.
Durante a viagem, conversamos, rimos e mudamos várias vezes de estação de rádio, até gostarmos de uma que ia de encontro com os gostos de ambos. Ela estava sorridente e a conversa fluía muito bem. Não conseguia tirar os meus olhos dela. Vestia um vestido lindo, florido e curto. O decote em V era acentuado. Estava uma brasa!
O jantar correu igualmente bem. Pedimos o mesmo. Um bife grelhado acompanhado de um puré de cenoura e cebola caramelizada, enquanto apreciamos um bom vinho tinto. E só parávamos de falar para comer ou beber. Era muito fácil conversar com Clara e divertia-me imenso.
Quando olhei para o relógio, vi que estávamos a minutos de perder a sessão de cinema. Pedi rapidamente a conta, paguei e fomos a caminhar até ao cinema, que ficava apenas a umas ruas de distância dali. Comprei os bilhetes e entramos na sala, que estaria vazia, se não fossemos nós. Sentámo-nos na última fila, longe da tela.
_ Porque escolheste um filme de terror? - Perguntou-me.
_ Não gostas? - Comecei a ficar preocupado com a minha escolha.
_ Gosto, mas não é o meu preferido...
As luzes apagam-se e o filme começa. Na primeira cena, Clara dá um pulo e me dá a mão. Aperto-a, fazendo-lhe carinho com o polegar. Ela chega-se a mim e não vimos mais o filme. Beijámo-nos, primeiro envergonhados, mas queríamos mais. Os beijos foram-se tornando mais frenéticos e apaixonados. As nossas mãos começavam a percorrer os nossos corpos. Puxei-a para o meu colo. O clima cada vez estava mais quente e eu ficava com muito calor.
_ Ainda achas que não escolhi bem o filme? - Sussurrei-lhe ao ouvido.
_ Qual filme? - Disse-me entre beijos.
_ Vamos sair daqui?
_ E para onde vamos? - Ela afastou os seus lábios do meu e olhou-me nos olhos.
_ Para minha casa. - Afirmei e juntei novamente os nossos lábios.
Clara saiu do meu colo, ajeitou o vestido e puxou-me pela mão, em direção à saída.
Nunca tinha conduzido tão distraído.
Assim que saímos do carro, retomamos os beijos. Levantei-a e ela rodeou-me com as suas pernas. Já dentro de casa, encostei-a à parede e as minhas mãos subiram até ao seu r**o. O meu pénis pulsava dentro das minhas calças, querendo sair a todo o custo. Levei-a até ao sofá e deitei-a cuidadosamente. Beijei-lhe o pescoço e depositei mais beijos ao longo do decote do vestido. Ela arqueava as costas a cada toque meu. Tirei-lhe o vestido e a minha camisola. Ela, nada tímida, colocou-se de joelhos sobre o sofá e desapertou-me as calças. Aproximei-me dela e toquei-lhe, por cima das cuecas, enquanto ela me tirava os boxers. O meu pénis saltou logo para fora, grande e cheio de vida. Posicionei-a debaixo de mim e com os dedos desviei as suas cuecas para o lado. Beijando-a, penetrei-a devagar.
Ela inspirou fundo, mas consegui colocá-lo todo dentro. Movia-me devagar, preenchendo-a enquanto ela me cravava as unhas nas costas. Comecei a aumentar o ritmo, algo que lhe agradou, pois ela me chupava as orelhas, deixando-me ainda mais louco. Não tardou a atingirmos o orgasmo juntos. Assim como não tardou em repetirmos.
-----
LEONARDO
Eu olhava para a televisão, mas não estava realmente a ver. "A trabalhar para ti, não vou ter futuro."... Não me parecia um pensamento errado. Eu afastava Valentina dos negócios de família, para que se algo desse para o torto, ela não fosse envolvida ou acusada de ser uma criminosa. Aurora tinha receio de ser ver nessa situação e, pelo que li no seu currículo, provavelmente também tinha alguma repulsa por aquilo que sou. Toda a sua vida, foi disciplinada em valores, que eu contradizia diariamente, a todo o momento. Ela não estava numa posição fácil. Mas era ali que eu a queria. Sem esperança e sem escapatória, a não ser aceitar a minha oferta. Agora, só tinha de ser paciente, e deixar o tempo acabar.
O meu telemóvel toca e eu desligo. Aproveito e olho para as horas.
_ Aurora! - Chamo-a, mostrando-lhe as horas.
Ela suspira e eu levanto-me. Olha-me e espera que eu dê o próximo passo. Estendo-lhe uma mão. Ela agarra-a e levanta-se.
_ Faz o que tens a fazer. - Diz-me, conformada com o seu fim.
_ Má escolha! - Lanço-me sobre ela, fazendo-a perder o equilíbrio. Ela cai no chão, mas não se defende. Coloco as minhas mãos em torno do seu pescoço, imobilizando-a. Ela não olha para mim. Permanece imóvel. Eu aproximo-me dela. - Não me serves de nada morta, Esteves. - Sussurro-lhe ao ouvido.
_ Tu... - Ela abre os olhos surpreendida por eu saber o seu apelido.
Ouço um barulho de um carro a estacionar em frente da casa, apago a televisão, escondo-nos aos dois atrás do sofá e faço sinal para que ela permaneça em silêncio.