Dias atuais
Estou correndo contra o tempo nesse último período de faculdade, nem acredito que falta tão pouco para a minha formatura.
Em breve meus planos irão sair do papel, já sonho com o meu nome assinado em contratos para promover os melhores eventos. No início escolhi fazer relações públicas por adorar criar eventos, hoje vejo que vai muito além disso.
Lutei tanto para que esse dia chegasse, foram tantos motivos para desistir e hoje estou a um passo de realizar um dos meus sonhos.
Pelo visto esse será o único, considerando o fiasco que é a minha vida amorosa, nunca subirei em um altar e muito menos serei mãe. Aí me pergunto, porque continuar namorando o Luís Fernando? A resposta é óbvia, para não ser atormentada pela sociedade machista que julga ser crime uma mulher bonita ficar solteira. Esse perfil não combina com a mulher que desejo ser, mas não consigo encarar a decepção de minha mãe.
Chego cansada e tudo que quero é passar o resto da tarde jogada em minha cama, no entanto, preciso sair com a Mila para fazer a última prova do vestido. Serei sua madrinha e aproveitei o ensejo para alugar a roupa da formatura. Está chegando o dia do casamento da minha irmã, estou muito feliz em vê-la realizando um sonho. Embora com isso a pressão tenha aumentado, minha mãe acha um absurdo o Luigui ainda não ter me dado uma aliança de noivado.
— Você está linda. — minha mãe reage ao me ver com meu vestido de madrinha — Não vejo a hora de te olhar com vestido de noiva também.
— Vamos com calma, mãe. — não me vejo casada com o Luigui — Olha a estrela da vez chegando.
Fico emocionada ao ver minha irmã caçula como uma princesa, o vestido dela é um sonho. Tenho certeza que ela será muito feliz com o Beto, ele é um cara incrível e o tenho como irmão, afinal de contas já está na família há quatro anos. Tempo o suficiente para afirmar que é um homem de caráter. A Camila ficou enlouquecida, quando o meu pai disse que ela só se casaria com vinte anos, foi um drama mexicano. A boba dizia que o Roberto iria desistir dela se tivesse que esperar dois anos, só estando louca para achar isso, pois os olhos do meu cunhado brilham sempre que fala na noiva.
Meu celular toca me trazendo para a realidade.
Ligação on
— Oi, Luigui — atendo a contragosto — Estou experimentando meu vestido para o casamento, posso falar com você depois?
— Tudo bem princesa, só liguei pra te lembrar do jantar no meu apê hoje. Todos os convidados confirmaram.
— Claro que não esqueço, chego às vinte horas, pode ser? — me esqueci completamente.
— Não senhora, vou te buscar às dezoito horas, comprei um vestido lindo para você vestir, e quero minha namorada comigo para receber os convidados.
— Tem certeza? — tento me livrar, esses jantares são um saco.
— Absoluta, como vou iniciar uma recepção sem o aval da minha promotora de eventos.
— Ok! Agora tchau porque tenho que me trocar.
— Ok sem atrasos.
Ligação off.
Hoje minha noite será longa, odeio esses encontros. Os convidados são um bando de empresários riquinhos que ficam me comendo com os olhos, enquanto o Luigui faz questão de exaltar a minha beleza, me deixando ainda mais constrangida.
Após experimentar nossos vestidos fomos almoçar em um restaurante com o meu pai. Comentamos sobre o casamento e os detalhes da casa do novo casal, minha irmã está super empolgada. Acaba de compartilhar conosco que parou de tomar seu anticoncepcional e quer ter logo um filho para alegrar a casa. Meus pais adoraram a ideia de ter um netinho. Já eu, diferentemente, não consegui compartilhar dessa felicidade. Lembrei que quando adolescente sonhava em me casar quando fizesse vinte anos com o meu namorado do colégio e ter filhos, mas aqui estou com vinte e dois anos e com um namorado que nunca terei futuro.
Até quando vou viver nessa comodidade? Por um bom tempo culpei minha mãe por forçar esse relacionamento. O fato de minha progenitora encher o meu saco e me chamar de encalhada não é motivo o suficiente para estar a tanto tempo com o Luís Fernando. Também tem as minhas amigas, a maioria namora e acabavam me excluindo do rolê por ser de casais, a desculpa era sempre a mesma: "você vai ficar de vela, melhor não ir". No fundo, eu sabia que a exclusão era por puro ciúme. Obviamente que ter acesso às saídas de casais também não é motivo para manter um namoro. Amor com certeza não é. O Luigui é maravilhoso, tirando o sexo que até hoje não se encaixou e minhas tentativas de apimentar só piorou a situação, pois ele agora pensa que gosto de novidades e está sempre me surpreendendo negativamente.
— A sua vez vai chegar, Manu! — meu pai diz baixo em meu ouvido e segura minha mão com carinho.
— Estou bem assim, pai. — forço um sorriso — Meu sonho agora é terminar a faculdade e montar a minha empresa de eventos.
— Seja qual for o seu sonho, tenho certeza que vai realizar.
(...)
Como combinado, Luís Fernando veio pontualmente me buscar. Quando saí do quarto ele parecia estar cochichando com a minha mãe e quando eu cheguei os dois desconversam. Melhor ir embora antes que a dona Laura invente alguma história.
O bom desses eventos é que coloco em prática o que sei e dessa forma me divirto. Verifiquei minuciosamente cada detalhe, tanto da arrumação como do buffet que será servido. Até o Luigui me trazer a realidade dizendo que preciso me arrumar para estar ao lado dele.
Agora é hora de polir o troféu do meu namorado para ele erguer mais tarde. Tenho que admitir que ele tem bom gosto, sempre escolhe roupas lindíssimas. O vestido preto e justo, no comprimento do joelho e com a costa cavada, caiu perfeitamente bem em mim, sem falar no decote que realça meus s***s fartos. Admiro meu reflexo no espelho, como sou linda.
— Ficou perfeito o vestido em você. — Luigui entra no quarto — Comprei isso aqui para combinar — me entrega uma caixa aveludada.
— Não precisava — digo sem jeito ao avistar o lindo colar com um diamante — Nossa é lindo, obrigada.
— Quero que você seja a mulher mais linda desse mundo, o que não é difícil, pois tudo te cai bem. — ele sorri orgulhoso.
Ele coloca o colar em mim, em seguida me abraça por trás apertando meus s***s e pressiona seu pênis ereto em minha b***a me causando arrepios.
— Depois do jantar vou rasgar esse vestido e te fazer de sobremesa. — sussurra em meu ouvido.
— Melhor descer, acho que ouvi a campainha — disfarço para fugir de seu abraço.
Na sala enquanto os convidados não chegam, Luís Fernando dança comigo na varanda externa. Queria tanto amar esse homem, porque crio tantos obstáculos, seria tão mais fácil, só basta me apaixonar. Ele tem todos os atributos que um homem precisa ter para ser amado, qualquer mulher estaria aos seus pés, menos eu.
A campainha tocou interrompendo nosso momento. Kátia, a empregada abre a porta e um homem de cabelos grisalhos entra. Apesar de parecer mais velho, Eric, o novo cliente de Luís Fernando, é atraente e seus ombros largos ficam perfeitos dentro do terno. Enquanto Luigui vai ao bar pegar bebida, o empresário não tira os olhos de mim. Como já estou acostumada a causar essa reação nos homens, não me sinto acuada com os olhares e começo uma conversa aleatória sobre negócios. Noto seu espanto, provavelmente ele compartilha do mesmo pensamento que toda mulher loira e bonita é burra.
Chegou os dois sócios do Luís Fernando acompanhados de suas mulheres que já conheço, e a secretária do Luigui. Uma pequena e chata reunião para falar de negócios e convencer o novo cliente a contratar seus serviços. Enquanto isso o Eric falta pouco para babar em meu peito, parece que ele levou a sério a parte do fique a vontade.