Como ele virou meu namorado

2105 Words
Encontro abrigo no abraço de minha irmã. Camila me consola enquanto choro copiosamente, lembrando do momento terrível que passei. Não deveria ter sido dessa forma, sou um verdadeiro fracasso. Me encolho como uma criança assustada no colo da Mila que me olha intrigada, sem saber o que fazer para me ajudar. — Porque você está chorando, Manu? — seu olhar de pena me deixa pior — Ele te machucou? — balanço a cabeça afirmando — Vou matar esse desgraçado! — me aperta em seus braços. — A culpa foi minha, quem ia imaginar que uma mulher de vinte anos é virgem? — me pergunto. — Ele é um i*****l, provavelmente nunca saiu com uma virgem e não sabia o que fazer. — Escondi dele a parte que eu era virgem — comecei a desabafar — foi rolando e eu estava gostando acreditei que seria natural, até que ele me penetrou… — Manuela você é maluca? — ela põe a mão na boca sem acreditar — Como você faz uma coisa dessa, poderia ter sido pior. E como ele não percebeu também, estou dizendo que é i****a. — O Luigui estava louco de t***o, tive vergonha de estragar o clima. Pensei que seria simples, talvez que arderia um pouco e só. — Seria assim se ele soubesse que era a sua primeira vez, provavelmente seria mais cuidadoso. — a Mila se ajeita na cama pensando nas palavras para me consolar — E como o advogado reagiu ao saber a verdade? — Não deixei o Luís Fernando perceber, fingi estar gostando e no final quando ele viu o sangue ficou assustado. Mas eu disse que minha menstruação desceu e ele não questionou. — Mila me encara boquiaberta. Contei desde o princípio como tudo aconteceu, minha irmã não cansa de dizer o quanto fui inconsequente e que o quadro seria outro se eu tivesse contado a verdade, pois ao ver dela o Luigui parece ser bom de cama. Não tenho o menor interesse de descobrir isso, não depois do trauma que vivi. A Mila me aconselha a dar uma segunda oportunidade para o Luís Fernando e conversar sobre o ocorrido de ontem, pois ele não teve culpa alguma. Culpá-lo pela minha burrice está fora de cogitação. Nunca mais quero viver aquela dor. Depois que me acalmo a Camila me explicou que na próxima vez não irá doer e será mais prazeroso, no entanto, desconverso não quero conversar sobre sexo com a minha irmã mais nova. Ela parece perceber meu incômodo e muda de assunto, depois de muita conversa adormecemos em minha cama como nos velhos tempos. (…) — Acorda meninas! — não sei o que é pior, o sol em meu rosto ou a voz irritante da minha mãe — A fofoca foi boa ontem, hein. — Fecha isso mãe! — Mila resmunga e cobre a cabeça. — Meio-dia não é hora de dormir. — ela insiste. — Fala sério, mãe! Hoje é domingo. — reclamei. — Não sem antes me contar sobre ontem, que pelo visto, foi maravilhoso considerando esse enorme buquê de flores entregue pela manhã. — Oi? — abro os olhos e minha mãe segura um lindo buquê de flores vermelhas — pela extravagância, garanto que foi o Roberto que mandou. — O Beto me mandou flores? — minha irmã pula da cama se esquecendo completamente do sono. — Dessa vez não, por incrível que pareça o nome no bilhete é o da Manuela. Suponho que finalmente alguém desencalhou! — minha mãe me entregou o bilhete sorridente. — Mãe quando você quer ser irritante, nem precisa de esforço. — Ah, para de ser chata e abre logo esse bilhete, quero saber a veracidade desse relacionamento! — ela se irrita. — Eu não vou abrir nada e se quiser pode levar essas flores para outro cômodo da casa. — relances de memórias da noite anterior veio me causando náuseas. — Como você é cavala! Desse jeito morrerá solteira e virgem! — minha mãe começa seu discurso cotidiano e meus olhos se enchem de lágrimas — é melhor segurar esse i****a, sua irmã foi pedida em casamento ontem e você vai precisar de um par para a cerimônia. — Mãe, menos… — a Mila tenta sem êxito fazer minha mãe calar a boca — Menos o c****e! — ela continua — Sua irmã brinca com a sorte, você tinha que ver como o rapaz a olhava ontem, está caidinho por ela. — Já te disse que o Luís Fernando é o meu amigo! — gritei sem paciência. — Acorda Manuela, uma mulher bonita não tem amigo homem. Aproveita que esse é bom partido. Levanto sem paciência e pego meu celular que está tocando. Vou para o banheiro e tranco a porta enquanto minha mãe continua dizendo suas verdades que me machucam. Sentei no vaso e desviei a ligação do Luís Fernando, ele é a última pessoa do mundo que gostaria de falar agora. Já estou acostumada com os constantes ataques de sinceridade da minha progenitora,mas hoje em específico não queria ouvir sobre como minha vida amorosa é um fracasso. Meu celular segue vibrando e leio as mensagens do Luigui. Mensagem on Bom dia! Princesa, nem dormi essa noite pensando em você. Quero muito te ver hoje, talvez ir ao cinema ou se preferir pode vir aqui para o meu apê. Espero que tenha gostado das flores. Amei as flores, obrigada. Quanto ao passeio, melhor deixar para outro dia, não estou me sentindo bem. Aconteceu algo? Não, só acordei com cólica, não serei uma boa companhia hoje. Mensagens off Invento a desculpa e desligo o meu celular para não ser mais incomodada. Entro no box e ligo o chuveiro deixo a água gelada lavar a minha alma, as palavras da minha mãe por mais que seja repetitiva me magoa. Não encontrei a pessoa certa, aquele homem dos meus sonhos que me faça querer viver para sempre, talvez esse amor só exista em novelas… Após horas no banheiro percebo que meu quarto está silencioso, isso quer dizer que dona Laura não está mais no recinto. Visto meu pijama, quero passar o dia todo na cama, mas antes preciso comer, minha barriga está roncando. Para o meu azar minha mãe está na cozinha, por sorte ela está arrumada para sair. — Manu, vou sair com a mãe para comprar algumas coisas para a festa do meu noivado, você bem que podia ir conosco, vamos? — minha irmã me convida. — Tenho alguns trabalhos da faculdade para fazer e amanhã tenho prova, melhor ficar em casa. — invento uma desculpa. — Deixa ela, Camila. — minha mãe se intromete — o que sua irmã sabe sobre noivado? Nem namorado arruma. — Mãe, por favor para com isso! — minha irmã se irrita. — Deixa ela, Mila! Qualquer dia desses ela se sufoca com o próprio veneno. — abro a geladeira em busca de algo para matar minha fome. O interfone toca e minha mãe atende. — Sim, claro que lembro de você querido, é melhor subir, será um prazer recebê-lo. — Quem é mãe? — Mila pergunta curiosa. — Visita para sua irmã! — ela fala alto para ter certeza que vou ouvir. — Não estou esperando ninguém — deixo claro. — Percebi — ela olha para o babydoll de bolinhas com desdém. A campainha tocou e minha mãe correu até a porta, parece que vai receber o presidente da república em nossa casa. — Entre querido, estamos de saída, mas pode ficar à vontade com a Manu. Sinta-se em casa. — Minha mãe me entrega de bandeja. — Obrigado — Luís Fernando responde sem jeito. Deu-me um medo tão grande que tive vontade de gritar por ajuda, minha irmã parece sentir meu desespero, mas minha mãe a puxa pelo braço para sair. E se ele quiser repetir a cena de ontem? Não vou conseguir suportar novamente. — Desculpa vir sem avisar, mas não consegui te ligar. — ele estranha minha reação. — Meu celular descarregou — dou um passo para trás. — Você está pálida, vim trazer esse remédio, não sei se você já tomou algum, mas minha irmã diz que esse é infalível. — ele me entrega uma sacola um pouco grande demais para conter apenas remédios — Trouxe chocolates e o seu sorvete favorito. — tenho que admitir que o Luigui é fofo e não tem culpa da noite anterior, teria sido diferente se eu fosse sincera com ele. — Obrigado Luigui você é um amor, na verdade, já tomei um remédio e a dor passou — minha barriga ronca e lembro que a única coisa que tenho para comer é a salada da dona Laura — que tal você me levar para almoçar? Minha mãe saiu e só deixou capim na geladeira — sorrio. — Também estou com fome, vamos! — Vou colocar uma roupa apresentável. Saímos e a tarde foi perfeita. Eu poderia amar o Luigui com o tempo, ele é cavalheiro, gosta de me agradar e sempre foi um bom amigo. Um namoro por conveniência? Talvez, mas é melhor que aturar minha mãe jogar na minha cara que não sou capaz de arrumar um namorado. (…) Fui totalmente sincera com ele, em relação aos meus sentimentos (é óbvio que nunca vou admitir que fui deflorada por ele), ele concordou em irmos devagar e está confiante em me conquistar. Tem se esforçado com afinco, me trata como uma princesa, confesso que tem sido confortável ter alguém sempre ao meu dispor, porém, está longe de ser amor, talvez uma atração ou nem isso. Foi cinco meses saindo com ele, sem sexo ou compromisso, e então ele veio com o pedido de namoro. No meu aniversário saímos para comemorar com a minha família, na hora da sobremesa ele me entrega um anel de compromisso e diz as palavras mágicas — Quer namorar, comigo? — a resposta não tinha como ser outra, ainda mais com a minha mãe ao meu lado já sonhando com o meu casamento. Agora namorando é quase inevitável não me relacionar sexualmente com ele, talvez seja isso que falte para me apaixonar pelo Luigui, ou não. Depois de uma festinha com os amigos da faculdade, combinamos de ir para o seu apartamento. Tudo está favorável, Luís Fernando sempre gentil e galante, a noite agradável e a mente turbinada por três taças de vinho que tomei. Dessa vez, meu agora namorado não vai com tanta sede ao pote. Ele tem o cuidado de percorrer cada linha do meu corpo, a excitação toma conta me fazendo esquecer do medo. Ele começa com as preliminares que me faz vibrar de t***o, estou quase chegando ao lugar que julgo ser o auge do prazer, no entanto, ele interrompe o maravilhoso oral para me penetrar, meu corpo fica imóvel, porém, seu m****o desliza, sinto um leve desconforto que passa rápido. Toda emoção acaba dando lugar a uma vontade enorme que acabe logo. E assim foi minha segunda experiência s****l, sem dor e sem prazer. Foi assim todas as outras vezes, tentei apimentar a relação com algumas posições que aprendi na Internet, comprei vários apetrechos para variar, mas de nada adiantou. Era sempre a mesma coisa me animava com as preliminares, mas, não sentia nada ao ser introduzida, o problema deve ser eu, pois o Luís Fernando faz tudo direito. Passou o primeiro ano de namoro e a minha família parece amá-lo mais que eu. Minha mãe rasga elogios, meu pai se entende perfeitamente com ele, a Mila não cansa de dizer o quanto sou sortuda, pois o Luís Fernando é um lorde e o Beto virou seu melhor amigo. Tenho que admitir que tenho um namorado perfeito, mas nunca o amei. Até gosto da sua companhia e dos benefícios que tenho ao ser sua namorada, mas é só isso. O Luigui me leva para conhecer vários lugares diferentes. Com ele voltei a ter amigas, pois ao ver delas, agora não existe a possibilidade de perder o namorado para mim. Ganhei até uma nova habilidade, sou quase uma artista do sexo, pois é assim que me sinto quando estou na cama com ele, uma profissional do sexo, com direito a orgasmo e gemidos fingidos. (…) Com muito esforço meu namorado se tornou um advogado conhecido e admirado por suas causas ganhas. O jovem advogado gato, inteligente e da linhagem dos Colucci logo caiu na mídia, e com ele a namorada elegante e sem defeitos (aos olhos do público). Uma coisa que sempre me incomoda é a forma que Luigui me apresenta, sempre enaltecendo a minha beleza exterior. Se as pessoas ao menos imaginassem que o casal perfeito, na verdade não existe…
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