CAPÍTULO 3

3351 Words
Sophia Oliveira. Hoje completa duas semanas inteiras que eu entrei nesse estágio e pra mim está sendo muito difícil me adaptar a trabalhar em um local aonde grande parte das pessoas me trás faz lembrar do momento mais difícil e triste de toda a minha vida. As pessoas com quem eu convivo aqui na delegacia não aparentam ser ruins e sendo bem honesta eu preciso dizer que todos recepcionaram e me tratam com muita educação, mas com tudo que houve no passado aquela maldita lembrança ainda lateja na cabeça me fazendo manter aquele bloqueio, mas eu venho tentando separar as coisas do passado e estou absolutamente de tudo pra não deixar que nada afete o meu desenho aqui, porque eu preciso muito desse emprego e não posso nem pensar em perde-lo. Com tudo que aconteceu nos últimos dias eu posso afirmar que mesmo com os todos os problemas pessoais e os traumas do passado eu tenho gostado de trabalhar aqui por todas as coisas que eu venho aprendendo com todos os funcionários que são imensamente inteligentes e benevolentes. Pra ser bem honesta uma das piores coisas sobre essa delegacia nem são os policiais em si, a pior coisa de ter que trabalhar aqui todos os dias é ter que cruzar com aquele delegado carrasco que age como um verdadeiro Deus na terra, aquele homem é com certeza a pessoa mais soberba, enjoada e chata que eu já conheci em toda minha vida e comigo as coisas são bem piores por causa daquele acidente. - Tchau Sophia!- Eliza, a chefe do meu departamento passa por mim com um sorriso no rosto se despedindo. Paro de encarar a tela do computador a olhando, dou um sorrisinho e aceno com as mãos me despedindo dela. - Até segunda, Eliza!- digo por fim. Eliza é uma mulher de mais ou menos trinta e cinco anos, ela é formada em direito, trabalha na área jurídica da delegacia e é ela quem passa as regras e muitos trabalhos pra mim. Ela é um doce de pessoa e também é uma das únicas pessoas que conversam comigo por aqui. Assim que ela passou pelas portas de vidro saíndo da delegacia eu voltei a prestar atenção no meu trabalho pra finaliza-lo rápido e poder ir pra casa descansar. Não demorou nem vinte minutos pra eu salvar todo o trabalho e desligar o computador com aquela sensação de dever cumprido e muita felicidade por finalmente poder ir pra casa e passar o fim de semana inteiro descansando. Me levando da cadeira juntando todos os meus objetos e os guardo na minha bolsa já colocando a mesmo no ombro pronta pra ir embora. Quando eu arrumei a minha cadeira no lugar correto, me virei na intenção de caminhar e me movi eu pude ouvir o barulho da última porta da setor se abrindo aos poucos e em questão de segundos aquele caminha muito forte e imponente soou me fazendo apertar o passo pra não ter que vê-lo e não ser obrigada a ser simpática. Paro em frente aquela enorme porta e quando eu fui tocar na maçaneta eu já senti um braço enorme rodeando meu tronco pra puxar a maçaneta, eu virei pra trás no mesmo segundo dando de cara com o aquele enjoado que eu sou obrigada a chamar de chefe. O meus olhar se cruzou com aqueles olhos azuis e eu não sei porque, mas a minha boca ficou totalmente seca e o meu corpo começou a ficar mole com a aquele homem tão perto de mim. O Rafael é com certeza a pessoa mais ranzinza que eu já conheci, mas ele também é o cara mais bonito que eu já vi em toda a minha vida. Eu sempre escuto as minhas colegas de trabalho falando dele e eu não as julgo porque eu também já me peguei olhando pra ele algumas vezes. - Eu vou ter que te pedir licença ou a senhorita vai sair do meu caminho por vontade própria?!- ele diz em um tom grosseiro e sarcástico ao mesmo tempo. Desvio o olhar dele parando de encara -lo no mesmo momento, engoli seco e forço um sorriso pra não voar em seu pescoço e ser demitida por justa causa sem direito nenhum. - Eu me distrair... me desculpe!- peço dando as costas pra ele e tiro a sua da maçaneta já puxando a porta e saio da delegacia sem olhar pra trás. Caminho em passos largos em direção ao meu carro, ouço seus passos bem atrás de mim e isso me faz andar mais o mais rápido possível. Abro a minha bolsa pegando o alarme do meu carro e o destravo assim que o vejo bem na frente do carro do Rafael. - Cuidado pra não amassar meu carro novamente. Meu assessor buscou ele hoje na oficina e eu não quero ter que manda-lo pra lá novamente.- ouço sua voz atrás de mim com aquele tom que me deixa azul de raiva. Viro pra trás o encarando e forço um sorriso sarcástico colocando as mãos na cintura. - Se senhor não estiver na mão errada talvez eu veja o seu carro dessa vez, é que é muito difícil imaginar que algo ser pode ser tão e******o a ponto de dirigir em via proibida.- solto todas as palavras sem pensar com meus olhos sobre os seus. A feição de deboche que havia em seu rosto foi sumindo e aquele sorrisinho irônico acompanhou, ele cruzou seus braços no mesmo momento e juntou as sobrancelhas dando um passinho a frente. - Olha como você fala, garota! Tenha o mínimo de respeito a se referir minha pessoa.- ele diz em um tom soberbo. Revirei os olhos sem o mínimo saco pra ouvir as suas ladainhas e solto um suspiro pesado pra ele vê o tédio que eu estou sentindo. - Então me faça o favor de se lembrar que é uma autoridade quando estiver ao volante e lembre-se de todas as leis de trânsito.- digo sem saco algum pra aquele papo chato e soberbo. Eu realmente não sei por qual motivo esse homem insiste em jogar a culpa em mim sendo que o mesmo admitiu estar errado e pagou pelo concerto do carro sem reclamar. Pra ser honesta eu acho que ele faz essas comentários apenas pra me tirar do sério, e parece que seu plano tem dado muito certo. O seu semblante que já estava fechado ficou bem pior quando eu abri a boca, ele fechou seus punhos, trancou a sua mandíbula e deu um passo pra frente preenchendo todo o vazio que existia entre nós. - Eu estava em uma emergência no dia em questão. Não fale sobre algo que a senhorita não tem propriedade.- ele diz entre dentes em um tom raivoso. Cruzo os braços mantendo todo nosso contado visual e dou um sorrisinho bem debochado apenas pra provoca-lo já que ele gosta tanto de provocar quem está quieto. - Eu pararei de falar quando o senhor parar de encher o meu saco com esse assunto que já morreu.- digo com toda a minha sinceridade sem pensar nas possíveis represálias. Um sorriso irônico brotou nos seus lábios naquele mesmo segundo e ele balançou a cabeça com aquele ar de reprovação em seu rosto, mas eu não dei pra trás e me mantive parada bem na sua frente. - Você não tem medo de falar nesse tom com o seu chefe?- ele pergunta em um tom divertido tentando me intimidar. Dou os ombros e balanço a cabeça sem a mínima preocupação com as suas palavras. - Pelo que eu sei o senhor é meu chefe apenas daquela porta pra lá, aqui fora eu não sou obrigada a aturar ninguém tentando me intimidar. E a***o de poder é crime e se eu fosse o senhor pensava bem antes de confrontar um funcionário apenas por ele não ser do seu agrado.- desandei a falar sentindo um peso enorme saindo das minhas costas. Ele manteve aquele sorriso irônico em seus lábios, me olhou de cima a baixo com um olhar bem estranho e acenou com a cabeça concordando comigo. - Com certeza eu me lembrarei dessas suas palavras...- ele responde em um tom calmo, mas ameaçador. Eu não me dei nem ao trabalho de lhe responder, eu apenas dei as costas e abri a porta do meu carro já entrando no mesmo. - Tenha uma ótima noite!- ele deseja em um tom irônico. O encaro pela última vez e forço um sorriso acenando com a cabeça por não poder fazer outro gesto. - Boa noite!- respondo quebrando o nosso contato visual e bato a porta do carro com toda minha força. Enfio a chave no carro já o ligando e viro a cabeça o encarando pela última vez, ele se mantém parado no mesmo lugar e me encara com aquele sorriso irônico e frio em seu rosto. Desvio o meu olhar do dele arrancando o carro e saio dalí sem olhar para trás. Eu dirigi por uns quinze minutos com a imagem daquele i****a impregnada na minha mente e eu sou obrigada a fizer que os pensamentos não foram muito bons, saudáveis e muito menos apropriados. Entro com o carro de ré na garagem o estacionando, saio do carro apertando o botão do controle fechando o portão da garagem e saio dalí indo direção as escadas. Abri a porta entrando em casa, coloco a minha bolsa sobre a mesinha da entrada e tiro os meus sapatos indo em direção ao cozinha, mas paro logo na entrada ao ver o Luís em frente ao fogão cozinhando. - Oi...eu não ouvi você chegando.- ele diz desviando o olhar das panelas pra me encarar. Encosto no batente da porta com meu olhar ainda sobre ele, respiro fundo e aceno com a cabeça sem saber qual a resposta dar a ele. Desde aquele episódio há alguns dias atrás o Luís e eu nos distanciamos pra pensar sobre tudo que tem acontecido em nosso relacionamento nos últimos anos e pra decidirmos sobre o futuro. - Eu acabei de chegar...o que você está fazendo parado em frente ao fogão?- o questiono sem entender já que o Luis odeia todos os serviços domésticos. - Eu sabia que você chegaria em casa cansada e com fome e decidi preparar algo pra você comer.- ele respondeu ainda encarando aquilo. Paro de encara-lo olhando em volta e me surpreendo ao ver que tira a casa está muito limpa e organizada, como eu minha vi antes. Volto a encara-lo me afastando dalí, entro na cozinha parando bem ao seu lado e balanço a cabeça sem entender o porque dele está fazendo tudo que ele nunca fez nos últimos anos. - Por que?- pergunto com o meu olhar preso sobre ele. - O que?- ele pergunta sem ao menos me encarar. Dou uma risadinha nervosa ao vê-lo se fazendo de burro, balanço a cabeça e respiro bem fundo tentando não me estressar. - Nos últimos anos você não encostou em uma louça suja dessa casa e muito menos fez questão de se importar com o meu cansaço...eu realmente gostaria de saber o motivo dessa sua repentina mudança.- digo tentando ser forte. Ele parou de mexer naquilo, desligou o fogão e se apoiou na cerâmica da pia deixando um suspiro escapar. - Só me explica...por favor.- eu peço. Ele levantou o seu corpo me olhando de um jeito profundo, juntou as suas mãos em um gesto de ansiedade e por fim deu um passo a frente ficando um pouco mais próximo a mim. - Eu passei os últimos dias pesando no nosso relacionamento e aí eu entendi todos os seus motivos. Eu realmente ando vacilando nos últimos tempos e acabei me transformando em um cara i****a, mas eu refleti sobre as minhas ações e eu realmente desejo mudar os meus atos e eu te peço uma chance de fazer as coisas diferentes.- ele diz tudo com calma e olhando em meus olhos. Desvio meu olhar do dele por alguns segundos sem acreditar naquilo, ele já me faz tantas promessas nos últimos meses que é bem difícil de acreditar em algo que saí da sua boca. - Eu já cansei de te dar um milhão de chances Luís, mas você nunca muda e eu já estou farta de esperar e esperar e nada acontecer!- eu exclamo. Ele pegou a minha mão a apertando e se ajoelhou na minha frente fazendo o meu coração parar de bater. - Eu quero me casar com você, Sophia. Me dá só uma última chance pra eu te mostrar que eu quero fazer diferente, eu quero formar uma família contigo e envelhecer com você...- ele diz com lágrimas nos olhos. Fecho os olhos sentindo um aperto no meu coração e uma maldita indecisão em minha cabeça. - Por favor, só mais uma chance.- ele diz apertando a minha mão de leve. Abro os olhos o encarando e aceno com a cabeça sentindo aquela uma sensação tão r**m em meu coração. - Essa é a última chance que eu te dou, eu juro que no próximo vacilo eu vou embora e não volto nunca mais.- digo com meus olhos presos aos seus. Um sorriso enorme se abriu em seus lábios, ele se levantou em um rápido impulso e envolveu seus braços em meu corpo me dando um forte abraço. - Muito obrigada amor, eu te prometo que vou fazer tudo valer a pena dessa vez.- ele responde em um tom abafado enquanto afaga os meus cabelos. Encosto a minha cabeça em seu peito, fecho os olhos e abraço de volta. - Eu realmente espero que você não me decepcione, porque dessa vez eu estou sendo sincera...- digo saindo dos seus braços. Ele pegou o meu rosto com suas mãos, deu um sorriso fraco e balançou com a cabeça concordando comigo. - Eu juro que tudo será diferente dessa vez. Eu juro!- ele diz e me surpreende com um beijo nos lábios. Beijo que eu não fiz questão de manter por muito tempo. Nós jantamos juntos um jantar muito delicioso que ele preparou para mim e depois ele fez questão de cuidar das louças sozinho enquanto eu tomava o meu banho. Saio do banheiro já vestida com meu pijama e me deparo com Luis deitado na cama apenas com de short. - Eu posso voltar dormir ao seu lado ou você ainda vai me deixar dormir naquele sofá duro?- ele me questiona em um tom divertido enquanto assisti um jogo qualquer na televisão. Tiro os meus chinelos, caminho até a cama e me deito ao seu me cobrindo-me com o edredom. Quando eu deitei ao seu lado ele pegou imediatamente o controle desligando a televisão e se virou para mim me olhando com um sorriso cheio de malícia em sua boca. - Você não sabe como eu senti a sua falta...- ele diz avançando pra cima de mim e toma os meus lábios com uma certa posse. Ele desceu com sua mão contornando o meu tronco, em um certo momento ele puxou a minha camisola a tirando de mim e me deixou completamente nua. Ele também ficou pelado logo em seguida, subiu em cima de mim e me penetrou de um jeito tão bruto que eu agradeci aos céus quando ele acabou e por ele ser tão rápido. - Foi bom pra você?- ele me perguntou com uma voz fraca. Forço um sorriso ainda encolhida por baixo dele, fecho os olhos por alguns momento e aceno com a cabeça. - Ahan...- foi a única resposta que eu consegui dar. Um sorriso bem grande surgiu em seu rosto, ele acariciou o meu rosto por alguns segundos e logo depois deixou um selinho rápido em meus lábios. - Que bom. Agora eu vou descansar um pouco por que eu tô predação.- ele disse por fim, caiu completamente nu e ofegante ao meu lado na cama, virou- se dando as costas pra mim e puxou os lençóis apagando a luz. Eu fiquei completamente imóvel ao seu lado esperando pela minha vez enquanto encarava o teto, mas esse tempo só serviu pra me fazer lembrar de todas as vezes que eu fui dormir com a vontade de sentir pelo menos o mínimo de prazer. Coisa que eu não sinto há tanto tempo que eu nem me lembro mais como é a sensação! Me viro na cama dando as costas pra ele, puxo os meus lençóis me tapando e abraço com o travesseiro fechando os olhos e mesmo sem desejar aquele homem rude e com lindos olhos azuis invadiu o meu pensamento e deixou todo o meu corpo em chamas. . . . Desde que eu entrei para o estágio as horas do dia parecem ter diminuído muito pra mim. Eu saio da faculdade, vou para o estágio e quando chego em casa tenho que cuidar das coisas e na maioria das vezes eu tenho trabalhos e mais trabalhos pra fazer e isso acaba me deixando doidinha. - A gente podia marcar alguma coisa pro fim de semana.- Isadora diz muito animada, mas a minha reação não foi nada parecido com a dele. Luiza mantém seu olhar preso em seu celular, faz uma careta daquelas que só ela faz e revira os olhos com uma expressão de tédio em seu rosto. - Eu tenho um compromisso no fim de semana que não dá pra adiar de jeito nenhum. Deixa pra outro dia!- Luiza logo tratou de responder pra tirar o seu da reta. Isadora faz uma careta desviando seu olhar da Luiza, me encarou com uma feição animada em seu rosto e sorriu. - Pode ser só nos duas amiga. A gente pode ir no cinema assitir aquele filme que estreou ou ir para uma baladinha bem bacana no centro...- ela desandou a falar de um jeito tão animado que eu não quis nem corta-la. - Okay pra mim. Eu vou aproveitar que o Luis vai passar o fim de semana todo fazendo um bico em uma cidade vizinha.- eu logo respondi tirando um sorriso da Isadora. Ela acenou com a cabeça no mesmo segundo concordando comigo, mas logo desviou o olhar de mim pra olhar para Luiza. - Que colar lindo Lu!- ela elogiou com um brilho em seus olhos. Levei meu olhar para a peça também e realmente é uma jóia muito bonita, é um colar de ouro com um pingente de coração bem delicado. - Obrigado amiga, era da minha mãe e agora é meu.- ela responde com um sorriso em seu rosto. Nós três ficamos por sentadas no área externa da faculdade conversado por um bom tempo, mas quando deu um certo horário cada uma seguiu para o seu caminho de rotina. Quando eu pisei na área que os carros ficam estacionados na faculdade uma pessoa bem evidente chamou toda a minha atenção. O Rafael está encostado em deu carro, ele está falando em seu celular como de costume e está com uma trajado com algo bem mais esporte do que ele costuma vestir no trabalho. - O que esse homem está fazendo aqui?- sussurro pra mim mesma com uma certa curiosidade dentro de mim. Em questão de segundos uma jovem loira, de olhos claros e com um corpo exuberante se aproximando do dito cujo envolvendo as mãos em volta do seu pescoço e beijou a sua boca com tanta vontade que me deixou até com uma certa inveja. Eu não faço ideia de quem seja essa garota, mas pelo visto ela estuda aqui na faculdade e pelo que parece os dois têm um relacionamento. Eu realmente não sei se ela é uma mulher de sorte por ter esse homem a sua disposição ou se ela é azarada por ter alguém tão chato ao seu lado todos os santos dias. Pouco tempo depois os dois pararam de se agarrar, ele se afastou um pouco dela olhando ao redor e quando e foi quando eu tentei me esconder pra ele não me vê, mas ele foi mais rápido e eu pude sentir aqueles olhos azuis tão irritantes me fitando de um jeito tão estranho que eu me senti como se eu estivesse complemente nua.
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