02 Scarlett

2899 Words
É realmente bem comum a quantidade de mulheres que se envolvem com homens mais velhos, mas é estranho o fato de que eles sempre possuem uma condição financeira tão boa. Não entendo, será que no fundo é interesse mesmo que na verdade não seja? Meses se passaram, e meu corpo treme quando ele me olha nos olhos, quando penso nele, o imagino somente em lugares simples, fazendo coisas simples e usando coisas simples. É tão difícil conviver com pessoas criando verdades sobre nós que não são realmente verdades. Me chamaram de aproveitadora, interessaria e até infiel. Mas isso nunca foi verdade. É tão difícil falar de passado quando ele nos dói, eu não deveria ter começado essa história falando dele, mas eu precisava. Minha maior dificuldade é falar do Castiel quando ainda era apaixonada por ele, porque agora, não sinto nada além de desprezo por alguém que me fez tão m*l. Era de outro mundo, maquiadoras em minha volta enquanto me encaro de frente à uma penteadeira. Meu sonho de princesa, minha válvula de escape para me sentir melhor comigo mesma, talvez desde o início tenha sido assim. Porque eu nem deveria estar aqui, e eu sabia disso desde o início, mas como que fui convencida tão repentinamente a vim parar aqui? Refletindo enquanto encarava a madeira, levantei o olhar encontrando um ponto branco e preto que se destacava em meio tanto brilho e roupas femininas daquela sala. Castiel, com seu terno formal que me observava através do espelho, escorado no batente da porta. Meu coração de menininha se derretia inteira, ele me olhava com olhar de carinho, sempre foi, não pode ter sido tudo mentira. Me sentia uma menina finalmente sendo vista por um homem, era tudo tão lindo, um sonho de princesa e tudo começou exatamente dessa forma, como um sonho bem distante da realidade. Nosso primeiro beijo, ao entrar no elevador, uma mão surgiu travando a porta e então ele apareceu ali. Se posicionou em minha frente e pareceu muito mais maior do que eu, parado de frente para mim mesmo depois das portas terem se fechado enquanto me encarava em silêncio. Eu intercalava meu olhar dos seus olhos para a sua boca, totalmente bobinha, como uma adolescente i****a pelo seu primeiro amor. Meus membros falhavam só de imaginar ele me beijando. Como ele conseguia ser tão intimidante? Céus… Ele deu um passo para frente ficando mais próximo ainda de mim, então ele estava mais perto sem que eu sequer notasse. Seu rosto estava quase encostando no meu, eu podia sentir o cheiro do seu perfume caro, mas o hálito dele me atraía bem mais e como se estivesse dando consentimento, me permiti aproximar nossos rostos cada vez mais. Ele se aproxima me fazendo caminhar para trás até minhas costas colidirem com a parede metálica e sólida atrás de mim. Tão intimidante, essa sensação de estar sendo manipulada é algo que talvez me atraia. Seria algum tipo de fetiche submisso ou apenas coincidem? Em total silêncio, Castiel me encara fixamente. Seu olhar intercala entre meus olhos e minha boca. No automático encaro a sua boca sentindo ela antes mesmo de encostar na minha, a vejo cada vez mais perto e mais perto e mais perto. De repente, a sensação que eu sentia quando era criança, eu sinto agora. O próprio príncipe está aqui na minha frente próximo de mim e querendo me beijar, não me diz isso mas vejo em seus olhos todas as vezes que nos encontramos ou esbarramos pelos corredores. Fechos os olhos sem perceber quando ele se aproxima, depois de soprar ar quente em meu rosto tudo o que eu sinto são seus lábios macios beijarem os meus. Castiel me prende contra a parede com tanta força que sinto falta de ar. Ele me parece desesperado, me beija sem jeito por tamanha vontade e desespero. Sinto seus lábios macios encostarem na minha bochecha e no canto da minha boca. A magia acaba quando ouço a porta do elevador se abrir, mas mesmo assim ele não vai embora, escora a testa na minha e respira por alguns segundos antes de ir. Fico sozinha naquele elevador por mais alguns minutos com o peito subindo e descendo, até tomar fôlego para conseguir ir embora. Que i****a lembrar disso, que i****a ficar lembrando dele, mas prometo que paro de falar dele assim que esse capítulo acabar. Até porque o conto de fadas não continua sendo romântico quando o príncipe trai a princesa. Eu estava a mercê dele, parecendo uma menininha com dependência emocional em um homem. 99% do meu dia era “será que ele vai me chamar para sair?” e o único porcento que sobrava era “será que ele ainda quer me beijar?”. Depois de duas semanas sequer vi ele pelos corredores como se ele tivesse desaparecido, o que era estranho já que antes eu o via todos os dias. Parece que quando se passa a prestar atenção em alguém, esse alguém fica cada vez mais menos acessível. Até chegar a terceira semana e ao entrar em uma espécie de vestiário sozinha, ao olhar em cima da penteadeira estava lá uma caixinha transparente com um doce muito bonito e com uma aparência bem agradável. “Quer jantar comigo, loirinha?” Escrito em um bilhetinho perfumado com a assinatura dele no final. Então tudo começou, beijos durante o horário de trabalho, sorrisos quando nos esbarrávamos pelos corredores, dormia algumas noites na casa dele e outras vezes ele dormia na minha. Ele era tão atencioso, fazia questão de me dar atenção ao longo do dia, me dava presentes mesmo que eu não quisesse, fazia questão de demonstrar para as pessoas que estávamos juntos. Então nos casamos, uma cerimônia privada, por escolha minha. Meu sonho sempre foi ser atriz, eu não queria que as pessoas dissessem que todas as minhas conquistas fossem por causa dele. Eu ainda era a garota das capas, a modelo, garota propaganda, era tudo o que ele quisesse. Mas continuei atrás da atuação, só não queria que o público soubesse que éramos casados, para o meu bem e ele se dizia compreensivo, segundo ele estava tudo bem. Meu primeiro filme finalmente finalizado, foi lançado há poucas semanas e eu estava tão feliz. A noite teria um evento do filme, um evento no qual iríamos tirar fotos e falar com os repórteres. — Você está absurdamente gostosa nesse vestido! — Britiney me olha da cabeça aos pés como se estivesse me desejando, o que me fez rir. — Ah, Britiney. Não exagere. — Ah, Scarlett. Não seja modesta. — Me imitou em tom de ironia. — Agora você vai sair deste carro, vai desfilar até aquela porta e vai arrasar como uma grande gostosa que você é. — Arrumou umas mechas do meu cabelo e me olhou profundamente enquanto sorria. Ela é a minha assistente e a minha melhor amiga, ela me motivar desse jeito é o que me faz amá-la ainda mais. — Você está tão linda. Estou orgulhosa de você. — Confessou e não pude evitar uma lágrima. — Ah não, se você chorar eu quebro sua carinha de anjo. — Revirei os olhos. — Vai lá, e arrasa. — O Castiel já está vindo? — Perguntei ao Johnny, motorista particular do meu marido. — Na verdade, ele mandou dizer que precisou viajar de última hora. Ele desejou boa sorte para a senhora. — Johnny afirmou. Olhei para Britiney que parecia me olhar com pena. Castiel sabia o quanto esse dia seria importante para mim, ele podia deixar o trabalho para depois, isso não seria difícil... Não, eu estou sendo egoísta, tudo bem. Por que eu faço tanta questão que ele estivesse aqui? Se nem ao menos ele poderia ficar ao meu lado como marido já que aqui está chovendo jornalistas e paparazzis. — Boa sorte, amiga! — Britiney me deu um beijo na bochecha e me abraçou. Respirei fundo. Todas as atenções viriam em minha direção naquele momento, e tudo o que eu precisava fazer era ser confiante. Não me permiti pensar muito e então saí. Soltei as pontas do meu longo vestido vermelho que caiu sobre o chão. Todos aplaudiram e os paparazzis tiravam inúmeras fotos, então posei disfarçadamente para elas como se não estivesse descendo do carro posando para fotos. Caminhei confiante, por mais que naquele momento eu não estivesse nem um pouco. Eu sorria como se fosse a minha expressão normal, como se meu rosto já tivesse aquela única expressão desde sempre. Todos os outros atores se juntaram em uma espécie de palco e fizemos poses para as fotos por longos minutos. Marco se enroscou em minha cintura e eu estranhei, mas era óbvio que era uma tentativa de marketing. Depois, os seguranças deixaram alguns repórteres se aproximarem. — Scarlett! — Uma linda mulher morena apontou um gravador de voz de última geração em direção ao meu rosto. — Como foi interpretar a personagem? — Bom... — Procurei as palavras. — Foi bem diferente, eu nunca me imaginei interpretando uma personagem tão... Diferente e tão complexa como a Kira. — Qual rapaz você escolheria se fosse a Kira? — Sorri com a pergunta. Era óbvio que essa seria a parte que a mídia estaria interessada em saber. Seria ótimo para ajudar no marketing se eu falasse do Marco, as pessoas amam isso. — O Ash, óbvio. — Tentei esboçar um sorriso ainda maior, pois seria ótimo para atiçar um pouco mais. — O Ash é interpretado por o seu amigo, Marco não é? — Eu assenti. — Como foi atuar ao lado do Marco, Scarlett? — Foi surreal, o Marco e eu nos damos super bem. É incrível como uma grande amizade surgiu em tão pouco tempo, não sei como seria interpretar a Kiria nesse filme sem ter o Marco como parceiro. — Forcei um sorriso bobo. Foi questão de minutos para aparecer inúmeras matérias sobre "Scarlett e Marco, atores que interpretaram Kiria e Ash do filme inspirado em um livro. A química entre esses dois prendem os telespectadores de uma forma surreal". Agora o filme bomba ainda mais. Esse é meu primeiro filme, e essa é a primeira vez que eu sou a Scarlett e não apenas a mulher do Castiel. Agora eu tinha um nome, um reconhecimento. Tudo o que eu precisava fazer era não deixar que as pessoas soubessem que eu tenho um marido, rico e empresário. Não tem nada haver com vergonha, ou medo. Mas sim com a liberdade da minha imagem. Esse tipo de marido nessas circunstâncias fazem com que as pessoas digam que só cheguei até aqui porque meu marido tem muita influência, e não porque eu tenho talento. Apesar de que eu queria gritar o quanto amo Castiel e que somos casados há anos. Depois de algumas horas, eu refiz o caminho de volta para o carro. Um segurança que me acompanhou abriu a porta de trás para mim. Antes de entrar no carro, eu depositei um beijo na minha palma da mão e balancei para os paparazzis. — Que tal irmos comer um hambúrguer? Tem uma hamburgueria aqui perto. — Britiney sugeriu assim que entrei no carro. — Britiney! — A repreendi. Se algum paparazzi visse a nova sensação do momento em uma hamburgueria se enchendo de calorias, pegaria muito m*l. Mas dane-se, eu preciso comemorar. — Vamos! Brity deu gritinhos animada. Os olhares curiosos para mim, não eram nem um pouco discretos. Querendo ou não, eu tinha me tornado uma figura pública agora. — Scarlett! — Olhei curiosa para Britiney. — Tenho uma coisa incrível para contar. — Então conta, está me matando de curiosidade. — Sorrimos juntas. — Não tem o hotel onde o Marley trabalha? — Assenti. Marley é o noivo da Britiney. — O hotel é muito chique, é super incrível. Marley, um pouquinho antiprofissional me contou que o Castiel, o seu marido, o seu homem reservou uma suíte para duas pessoas. — Britiney me olhou de soslaio sorrindo maliciosa. — Ai meu Deus, será que ele lembrou do nosso aniversário de casamento? — Sorri animada. — Provavelmente sim, Scar! — Demos as mãos e emitimos gritinhos animadas. — Finalmente, depois de tanto tempo ele finalmente vai fazer algo para mim. — Scarlett, há quanto tempo vocês não... — Ela olhou em volta para ver se alguém ouvia. — Transam? — Brity! — A repreendi e ela me olhou séria erguendo a sobrancelha. — Alguns meses. — Falei rápido e baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse. — Scarlett, meu Deus! — Colocou uma mão na testa. — Mas também, acho que o negócio dele nem levanta mais. — Me engasguei com o refrigerante e rimos. — Também não exagere, o Castiel é só alguns anos mais velho do que eu. — 15 anos, Scarlett. Não sei o que você vê em um homem praticamente idoso. — Brity revirou os olhos. — Ele tem só 37 anos, Britiney. — E você diz "só 37 anos"? — Britiney me olhou incrédula. — Você tem 22. A diferença de idade é gritante. — Mas o que importa é que eu o amo, ele também me ama e estamos casados há 2 anos. — Sorri debochada. — Ai meu Deus, que fofo. Vou vomitar! — Brity fez uma cara de nojo e dei um tapinha no seu ombro a fazendo rir. Eu não poderia deixar de ficar nervosa, eu não via a hora dele me levar para fazer essa surpresa, e que eu ia fazer o meu melhor papel de atriz fingindo não saber de nada. Quando cheguei em casa, tudo estava silencioso. Estranhei, pois achei que ele iria me esperar em casa com um bom pedido de desculpas, um buquê de rosas vermelhas e me levaria para uma grande surpresa. Já faz séculos que ele nem ao menos me olha, e eu não via a hora dele me fazer essa surpresa. Mas o meu celular tocou e vi que se tratava do próprio. Ainda esperançosa atendi no mesmo instante. — Oi, amor. — O cumprimentei com a voz neutra. — Oi Scarlett, como foi? — Foi sensacional, queria que estivesse lá comigo. — Desculpa Scar, eu tive que viajar de última hora, você me perdoa? — Claro. — Forcei um pouco uma compreensão achando ele estranho para alguém que pretendia me fazer uma surpresa. — Eu vou precisar ficar fora por alguns dias, mas logo estarei em casa novamente, você não vai nem notar minha ausência. — Ah… está bem, Castiel. Não tem… problema. — Encarei o chão fixamente enquanto franzia o cenho. — Eu amo você. — Seu tom de voz nem parecia mais sincero... Parecia querer apenas me agradar e eu noto isso ao me dar conta de que há algo de errado. Desliguei sem responder de volta e liguei imediatamente para Britiney. — Scarlett? — Sobre a reserva no hotel que você me contou. Para quando estava reservada? — Fui direto ao ponto. — Para hoje a noite. — Sua voz esboçou estranheza. — Aconteceu alguma coisa? Britiney tentava acompanhar meus passos largos, mas ela estava correndo atrás de mim. Eu estava andando de salto mas parecia estar andando de tênis, parecia nem sentir nada. Me aproximei da recepcionista que começou a falar comigo sobre as suítes e eu simplesmente a cortei. — Eu preciso saber em qual suíte o meu marido está, ele se chama Castiel Castro. Pode olhar aí nos registros, tenho certeza de que ele está aqui. — Tentei manter a calma para ser bem convincente, nem me importei mais em falar que ele era meu marido. Dane-se o mundo e o que ele acha, Castiel é o meu marido. Pensem o que quiser. — Perdão, senhora. Mas não posso informá-la em qual suíte o seu marido se encontra, ligue e fale com ele. — Você não está me entendendo, ele é meu marido. Me informe onde ele está. Ele não está atendendo, o celular deve estar desligado ou acabou a bateria. — Menti tentando manter a calma. — Sinto muito. Mas não posso. Depois da Britiney fazer um escândalo, e até mesmo tentar entrar no elevador sem permissão, me afastei da recepcionista e olhei em volta com as mãos na cabeça. Estava bufando, bufando de raiva ao mesmo tempo que estava preocupada. — Vamos embora, Scarlett. Quando ele voltar você confronta ele. — Brity parecia derrotada depois de tantas tentativas de entrar no elevador e ser impedida pelo segurança. Olhei para o lado e reparei no restaurante do hotel. De longe notei Castiel, era ele eu tinha certeza, eu o reconheceria há quilômetros. Saí caminhando em disparada em sua direção, vi ele de mãos dadas com uma linda morena aparentemente tinha uns 20 anos. Corpulenta, robusta, cabelos longos e lisos. — Scarlett! — Britney gritava atrás de mim. — Então é aqui a sua viagem de negócios de última hora, não é? — Questionei decepcionada e ofegante. Foi tudo muito rápido, nem me dei o trabalho de ouvir sua resposta. Peguei a taça de champanhe da sua mão e virei na cabeça dele que fecha os olhos assustado. Puxei a aliança do meu dedo e a arremessei no chão. — Babaca! — Britiney o xingou dando-lhe um soco em seguida causando burburinhos entre as outras pessoas que estavam ali em volta. — v***a! — Xingou a mulher que estava com ele e saiu pisando fundo atrás de mim.
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