Superação

1471 Words
Kadir ficou perturbado depois da última conversa que teve com Gisella. Como se não bastasse perder os seus filhos e ouvir dos lábios dela que ela nunca o amara, ainda tinha de lidar com a ideia do divórcio. — Eu fiz tudo errado. Tudo errado! — Disse Kadir andando de um lado a outro. — Não deveria tê-la traído! Coitadinha! O que aqueles elfos malditos fizeram com ela… Não. — Ele puxou os cabelos e então teve uma ideia. Sorriu, insano. † † † Karlla foi ao encontro de Kadir assim que recebeu sua ligação. Se aproximou do carro e bateu no vidro que logo se abaixou. — Entre? A porta está aberta. — Falou Kadir. Karlla o beijou antes de dar a volta e entrar no carro. — Eu senti saudades! — Disse Karlla. — Finalmente se deu conta que aquela sua esposinha não chega aos meus pés? — Sim, sim. — Kadir disse e m*l conseguia disfarçar como estava perturbado. — Eu quero que me dê toda a sua loucura e toda a sua obsessão. Por favor? Me prometa que serei a única em seu pensamento? — Falou Karlla se aproximando dele. — Sim, eu prometo. — Kadir respondeu travando uma luta interna contra si mesmo, contra o que sentia e contra o que faria. — Vou levá-la a um lugar especial. — Onde? — Karlla perguntou sorrindo. — É uma surpresa. — Falou Kadir antes de dar partida no carro. Kadir parou seu carro em frente a um edifício de aspecto lúgubre e desceu, abrindo a porta para Karlla. — Oh! Não me diga que é esse o lugar? — Karlla disse encarando o prédio, arrepiada. — Lugares assim me excitam. — Falou Kadir sorrindo. — Oh! — Karlla sorriu, maliciosa. Entraram no edifício cuja reforma paralisara há algum tempo e Kadir insistiu que eles fossem até o terraço porque lá, teriam a melhor vista de toda a cidade. Karlla aceitou. Ele não mentira, ali, realmente tinha a melhor vista da cidade. Karlla ficou admirada enquanto observava o pôr do sol. — Eu não te disse?! — Falou Kadir se aproximando da borda do terraço. — Sim, você disse. — Falou Karlla se aproximando dele. Kadir se virou e a encarou. Karlla jogou seus braços em volta do pescoço dele e o beijou. Kadir não a correspondeu e recuou. — Querido? Algum problema? — Peguntou Karlla. Kadir a agarrou de repente e a empurrou de cima do prédio. A observou cair e então recuou depressa. † † † Gisella acompanhou Evin e Damla até uma boate que estava fechada. Damla estava com a chave e abriu a porta. Com um salão amplo, um palco, dois banheiros, um camarim e um bar, o lugar parecia ideal para o que as elfas tinham em mente. — Sim, é perfeito! — Damla sorriu. — Só precisamos arranjar as bebidas e as garotas. — Falou Evin. — Que bebidas? Que garotas? — Gisella não estava gostando do que imaginava. — Bem vinda a Wonderland! — Falou Damla, orgulhosa. — Sim… — Gisella olhou ao seu redor. — Com esse título, isso vai ser o que mesmo? Uma boate ou um prostíbulo? — Gisella! — Evin disse em tom de censura. — Não teremos cortesãs, apenas dançarinas. — Falou Damla. — Hendrik já sabe disso? — Perguntou Gisella. — Hendrik não paga as contas de casa! — Evin disse. Gisella recuou, levantando as mãos em sinal de rendição. — Ok… Façam como quiserem. Desde que não tentem me arrastar para cá, está tudo bem… Porque sou uma mulher casada, agora, e meu marido é tão ciumento que não suporta nem que respirem o mesmo ar que eu. — Falou Gisella encarando Damla. — Por que está olhando para mim? — Damla perguntou. — Porque é com você que estou falando! — Falou Gisella. — Ninguém a forçará a nada. — Assegurou Evin. — Mas é bem vinda se quiser aparecer por aqui de vez em quando… — Falou Damla. — Aposto que muitos elfos pagariam o que fosse só para te ver porque você é uma fada! — O quê? Nem em sonho! — Falou Gisella horrorizada. — Não suporto que olhem para mim, menos ainda que me desejem! Isso não é para mim! Respeito vocês, mas acho que isso é o fundo do poço. — Não seja tão certinha, não foi você que traiu seu noivo e agora está traindo o seu marido? O quê? Eu acompanho a história! — Falou Damla. — Está certo. Talvez, não tenha mesmo moral aqui, mas ainda assim… Jamais me venderei a alguém. — Falou Gisella. — Ah! Desculpe? Você casou por amor? — Disse Damla. Gisella demorou a responder: — Não, mas tinha esperança de aprender a amar o meu marido com o tempo. Infelizmente, ele não é o homem que pensei que fosse. — Então, se separe dele de uma vez e viva a vida! — Falou Damla. — Como se ele se recusa a me dar o divórcio? — Gisella elevou a voz, nervosa. — Se aceitar subir naquele palco, aposto o que quiser, que seu marido a deixa! — Falou Damla apontando para o palco. Gisella encarou o palco e sem perceber, começou a tremer. — Você precisa encarar os seus medos! — Falou Damla se aproximando dela e tocando seu ombro. — Eu não sei se consigo. — Falou Gisella. — Por que não assiste algumas apresentações quando inaugurarmos? Assim, você decide com calma. Sim? — Falou Damla. Gisella assentiu. Alguns dias depois quando Wonderland inaugurou, Gisella passou a assistir algumas apresentações burlescas. Ela gostava de ver as elfas cantando e dançando, e não era a única que parecia hipnotizada pelas belas curvas das moças. Mabel também apreciava a apresentação.           Gisella logo passou a ajudar no camarim, escolhendo os trajes e penteados das elfas, e Mabel não quis ficar para trás. Decidiu se juntar as dançarinas, dessa forma, forçaria Gisella a lhe dar atenção e babar um pouco menos pelas outras dançarinas.           Mabel era uma excelente dançarina e também uma boa cantora, embora preferisse dançar a cantar. Sem dúvidas, os elfos superavam com mais facilidade seus traumas, pois Mabel não parecia se incomodar com os olhares maliciosos que eram direcionados a ela.  Já, Gisella, se contentava em assistir e, às vezes, bancar a garçonete – não gostava muito de servir as pessoas porque eles a reconheciam e, embora, não dissessem nada, a encaravam, encantados. Isso, porque ela era uma banshee… Imagine se fosse outro tipo de fada? Talvez, a morte fosse encantadora. Logicamente, Gisella não matava ninguém, apenas pressentia a morte dos outros, mas, isso, em uma vida anterior, pois até o momento, ela não pressentira a morte de ninguém.           A atração mais esperada da noite – ao menos para Gisella – não era Mabel e cia, mas sim, Hendrik. O elfo subia ao palco, tocava violão e cantava canções românticas, encantando todas as mulheres presentes, inclusive, Gisella que o encarava sem nem piscar. — Com licença? — Disse uma garçonete se aproximando de Gisella. — Sim? — Gisella disse ansiosa porque Hendrik estava cantando e ela detestava perder isso. — Pediram para te entregar isso. — A garçonete colocou sobre a mesa um drinque, um jornal que estava enrolado, uma rosa vermelha e um bilhete. — Hã? Quem foi que mandou isso? — Gisella perguntou. — Eu não sei. Ele não disse o nome, mas era alto, moreno e muito bonito. — A garçonete disse antes de se afastar. Gisella desconfiou que pela descrição só podia ser Kadir e o procurou visualmente entre a multidão. Tinha gente demais aquela noite e por isso, ela não conseguiu vê-lo parado no canto, a observando.           Nervosa, ela pegou o bilhete e leu o que ele dizia: “Não há nada que eu não faça por você”. Sentiu um arrepio. Pegou o jornal e o abriu e logo na primeira página, leu o título da manchete: “Mulher morre ao se jogar de cima de prédio”. Logo abaixo da legenda, havia uma foto de uma loira caída no chão. Gisella logo a reconheceu. Era Karlla. — Meu Deus! “Eu só queria que você me ajudasse a superar aquilo, que em vez de dormir com a primeira v*******a que encontrou, tivesse sido compreensivo comigo”, Gisella lembrou-se do que dissera a Kadir. Ele matara sua amante numa forma de mostrar a Gisella que nenhuma outra mulher importava para ele a não ser ela. “Ele não vai me deixar em paz”, pensou Gisella, “se foi capaz de m***r a própria amante, imagine então o que faria com Hendrik se percebesse que gosto dele”.           Gisella se levantou e foi até o camarim. Ficaria lá até Evin fechar o local e elas voltarem para a casa.
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