Tudo Chega ao Fim (parte IV)

3524 Words
Capítulo Vinte Final THOMAS DINESH Abraço os meus pais assim que os vejo. Eles estão assustados e com mil perguntas a serem feitas, mas não consigo respondê-las agora, porque estou muito preocupado com o que vem pela frente. — Por que vocês assinaram aquilo? — Pergunto. — Por que eu deveria ser obrigado a falar algo sem ter um advogado? Isso não é meio inconstitucional? Nos filmes é sempre diferente, o cara fala ''não direi nada sem um advogado''... — Porque você não tem nada a esconder. Porque queremos resolver isso logo, e sabemos que é só um m*l entendido. Você só está aqui porque conhecia a pobre garota. — Meu pai responde. Eles não fazem ideia das coisas que eu sei. Stacy é a primeira. Depois Billie, Johnny, Tyna, Gabriel, Travis e... Eu. — Está tudo bem. Apenas diga tudo que saiba. — A minha mãe me dá um beijo na bochecha, e sigo até a pequena sala na delegacia de Newland. — Thomas Dinesh, prazer. Já me apresentei anteriormente. Sente-se, fique a vontade. — Wallace senta ao lado de um policial e indica a cadeira para que eu me sente também. Em silêncio, o obedeço. — Você é o namorado de Jane Rainbow, certo? — É a primeira coisa que o policial fala. Ele nem ao menos disse o seu nome. Me lembro do que Jace havia conversado comigo. — Sim. — E... Como vocês se conheceram? Eram muito próximos, como era a relação de vocês dois? — No colégio. Ela entrou pouco tempo depois de mim. Fomos conversando e nos aproximando, até que... Nos apaixonamos. — Dói dizer isso, porque é mentira. Nunca fui apaixonado por ela. — Ela ia para a minha casa, mas na maioria das vezes o nosso tempo juntos era apenas na escola. — Entendi. Por ser muito próximo a ela, imagino que a conhecia bem, não é mesmo? — Não. Bom, muitos rumores são ditos sobre ela naquela escola, mas... Eu não liguei para eles, mas também nunca a confrontei sobre isso. — Rumores? Sinto que as veias em meu pescoço estão quase criando pernas e saindo correndo. — É... Como... Ela ter sido internada, e tudo mais. Os dois se olham. — Interessante, pois ninguém da família dela tocou no assunto. É algo que deveremos procurar mais à fundo, com certeza. Eles devem ter feito um bom trabalho para encobrir. — Vocês já sabem o que aconteceu com ela? Wallace pigarreia. Seus olhos cor de mel me encaram de volta. — O corpo está sendo analisado. Mas, como você é o namorado dela, acho que posso te dar uma informação valiosa, que apenas a família sabe. Jane foi assassinada. Meu corpo enrigece. Ela não se matou. Uma parte de mim ainda acreditava nessa possibilidade, porque afirmaria que estou limpo. Eu preciso contar, não vou conseguir guardar essa informação. Talvez os outros já tenham contado, de qualquer forma. Talvez eles duvidem de mim. Ou, até mesmo, acham que eu a matei. Se realmente fiz isso, irei pagar por minhas ações. E se não fiz... Encontrarão o culpado. — Eu preciso contar uma coisa. E, é. Eu realmente contei tudo. Quase toda a verdade, pelo menos. Ainda manti a mentira de que ela era a minha namorada. Falei sobre Jace e Gabriel, sobre a minha queda durante a atividade, a discussão com Gabriel e, claro... Sobre como Jane foi empurrada no chão e desmaiou. — Porém você não se recorda de nada, e tudo que sabe é o que os seus amigos te contaram, certo? — Wallace questiona. Bebo um gole da água em minha frente, e concordo com a cabeça. Apesar de ter me aberto, me sinto muito mais aliviado. — Não passou por sua mente que talvez eles estejam te protegendo? Isso faz a minha pressão cair. — Ray, iremos precisar de uns exames médicos para esse garoto, para certificar que ele não está mentindo. Vamos verificar a enfermaria do acampamento, bem como todas as câmeras de segurança. Iremos chamar Jace, Gabriel e Travis novamente para interrogá-los sobre isso. E quanto a você — ele olha para mim — pode esperar do lado de fora. Talvez eu tenha fodido tudo. Gabriel sai do interrogatório e me olha com ódio. Ele é acompanhado pelos policiais e por seus pais até a saída, mas ninguém diz nada. — Seus pais não chegaram até agora, senhorita Larson. — Uma mulher de óculos redondos diz. — Está tudo bem. Eles... Eles são muito ocupados. — Responde. O local em que estamos é pequeno, pintado nas cores cinza, branco e azul marinho. Policiais passam de um lado para o outro, mas não consigo me concentrar tanto em observar o espaço ao meu redor, porque talvez eu tenha feito a maior m***a da minha vida: entregado eu e os meus amigos. Meus pais precisaram sair para respirar, porque estão tão nervosos quanto eu. Não tive coragem de contar à eles o que contei para o delegado e para o policial. Isso me envergonha, porque eles depositaram uma confiança tão grande em mim, para desapontá-los dessa forma... Eles já descobriram que fiquei de recuperação de propósito, e isso pareceu mexer muito com o que eles consideram certo e errado. Eles já perderam uma filha, tudo que eles não precisam agora é ter um filho na cadeia. Mas a verdade sempre fica do lado daqueles que são honestos, certo? — Thomas. — É a voz de Jace. Ele me entrega um copo de água e me olha com preocupação. — Não fique assim, você fez a coisa certa. Estou aqui com você, tudo bem? Concordo com a cabeça, e começo a chorar. Ele me puxa para o seu peitoral e deixo as lágrimas caírem em sua blusa. Dói tanto sentir essa m***a que estou sentindo, e saber que uma escolha minha acarretou em tudo isso... Quando me recupero, é como se tudo à minha volta começasse a funcionar, como se as engrenagens estivessem rodando. — Está tudo bem, não é? Nós vamos falar a verdade e trazer justiça para Jane. Eu confio nisso. — Falo. Aos poucos, o medo se vai e, no lugar disso, tranquilidade. Farei o que é preciso para colaborar, e tudo vai ficar bem. — Am... Claro. — Jace responde sem muita convicção. Ficamos na delegacia por mais duas horas, até que alguns de foram liberados para ir embora e retornarem quando requisitado. Johnny foi o primeiro a sair. Em seguida, Travis. Ele se despediu rapidamente, e nem ao menos me olhou nos olhos. — Thomas Dinesh, sua consulta com o médico neurologista e com o psicólogo já está marcada para essa semana. Fique atento ao telefone, pois iremos te ligar. — Wallace me deu um olhar suspeito. Me despedi de Jace, e segui com os meus pais para casa. ''Tá tudo bem ai?'' 13:02 ''Sim. Estou almoçando agora, te mando mensagem mais tarde, tudo bem? Me avise quando estiver em casa.'' 13:04 Até agora eles não falaram nada comigo. Me olham como se eu fosse um monstro e comem em silêncio. Tive que contar a verdade a eles, porque de qualquer forma eles iriam descobrir. Contei que tem a possibilidade do filho deles ser um monstro sem consciência. — Vocês... Estão bravos comigo? — Pergunto. O meu pai acaba de mastigar o macarrão e limpa a boca com um guardanapo. — Eu não estou. Sei que você não é uma pessoa r**m, apenas acho que devemos ficar alertas. Essas pessoas brancas acharam uma desculpa para te incriminar, e devemos ficar de olho. E arranjar um bom advogado. — Penso o mesmo. — Minha mãe coloca a mão em cima da minha. — Filho, estamos com você. Sempre. Respiro fundo e tento digerir o que está acontecendo e o que vem pela frente. TRÊS SEMANAS DEPOIS JACE MILLER Todos estão ansiosos. Me endireito na cadeira de madeira, que é super desconfortável. Muita coisa mudou desde quando fomos para a delegacia, e Wallace literalmente perseguiu Thomas para incriminá-lo de todas as formas possíveis. — Jace Miller, por favor. Levanto-me, ajeito a blusa e caminho até a outra cadeira, que desta vez é bem confortável. Na minha frente, a juíza observa Thomas. Ele está sentado ao lado do seu advogado. Vê-lo assim faz o meu coração se partir em mil pedaços. Nós nos reaproximamos bastante, e conversamos que seria melhor... Acabar com tudo. Ele não está pronto para isso, e precisa ir com calma. Eu já procuro algo mais intenso, diferente do que ele busca. E está tudo bem. Cada um de nós tem o seu próprio ritmo, e o nosso está fora de sincronia. — O senhor pode repetir exatamente o que aconteceu na noite em que Jane Rainbow foi morta? — Sim. Eu havia esquecido algumas roupas na quadra de natação, e mesmo que já tivesse passado do horário do toque de recolher, fui até lá para buscar. Foi quando percebi que Jane e Tyna estavam por alí, rindo. Também escutei sons na floresta, mas pensei que poderia ser algum animal. Busquei as minhas coisas e, quando estava saindo da quadra, percebi que não tinha mais ninguém lá. O barulho na floresta não havia parado. — Dou uma pausa. É nesse momento que encontrei Thomas. Ainda tenho pesadelos com isso. — Não precisei chegar muito perto para ver Thomas caído de joelhos no chão. Ele estava muito triste e nervoso. — Certo. E o que vocês fizeram? — Eu... Eu perguntei a ele o que havia acontecido, mas ele parecia estar em um tipo de choque. Não conseguia falar. Eu vi o sangue, e o levei para o banheiro do zelador para se limpar, já que era mais perto que o nosso dormitório. — Minto. Eu não ligo de estar mentindo. Farei o possível para protegê-lo. — Jogamos a blusa que ele estava usando no lixo, e emprestei a que eu havia buscado. E ele me contou que estava com Gabriel na floresta, e os dois tiveram uma discussão. Jane apareceu para tentar separá-los, tentando tirar Gabriel de cima de Jace, que não parava socá-lo. Gabriel... Ele... — Ele está me observando. — Empurrou Jane para afastá-la, mas ela acabou caindo e bateu a cabeça em uma pedra. — A força que o senhor Willis usou para empurrá-la a fez cair no chão, bater a testa na pedra, como também consta no laudo, e desmaiá-la. Como é possível dizer que ele tentou ser cauteloso? Na minha perspectiva, ele estava agressivo e também descontou nela. Thomas encara a mesa, e consigo ver daqui que as suas mãos estão tremendo. — É verdade que você e Thomas mantinham um relacionamento? — A mulher perguntou. — Sim. — E é verdade que ele era o namorado de Jane? — Não. — Quando digo isso, Thomas me olha com decepção. — Eles nunca foram namorados. Eles apenas se beijaram algumas vezes, e ela espalhou essa mentira para todos. Sei que antes havíamos conversado sobre não dizer isso, mas escolhi o que irei esconder ou revelar. Pensei muito antes de estar falando isso, e não irei esconder quem Jane Rainbow ela. Uma maluca controladora, psicopata e... — Por que ela faria isso? — Porque estava fazendo o possível para se aproximar de mim, para, assim, se aproximar do meu irmão Dylan. — Por que ela faria tal coisa? Sabemos que Dylan é um homem casado, e com uma bela esposa grávida. Suspiro. Dylan se levanta entre as pessoas, e vejo sua esposa chorar. Nem me lembro o nome dela. — Pergunte para ele mesmo. — Digo no microfone. A juíza me manda sair para que ele se sente no meu lugar. O resto desse dia foi como um show. Advogados tentando proteger os seus clientes, e a juíza apenas tentando resolver essa m***a do c*****o. Eu disse para Thomas que Jane Rainbow não era uma pessoa confiável. — Aqui estão os papéis que provam que Jane foi internada em uma clínica psiquiátrica após perseguir e ameaçar Dylan Miller no passado. Ela demonstrou bom comportamento, e dessa forma conseguiu sair de lá antecipadamente. Porém, continuou com sua fixação doentia. Aproximou-se de Thomas para ter uma desculpa e ficar perto de Jace, ou, até mesmo, ter brechas para perseguí-lo sem que ninguém soubesse. — Hunter é o advogado da família, e hoje ele está sendo o advogado de Thomas. Esse homem nunca perdeu um caso nosso. E também não perderá o caso Dinesh. Dylan foi questionado por diversas pessoas sobre essas informações, e trouxe provas para todas elas. Quando eu e ele conversamos sobre isso, entendi o porquê de termos nos distanciado, e de sentir algo tão r**m sempre que estava com ele. Era ela. Eu não entendia ao certo o que estava acontecendo, ele e meus pais não quiseram compartilhar comigo. Quando ele se mudou de cidade e perdeu contato com todos nós... Isso teve motivo. Teve motivo para nunca ter ido o visitar, e vice-versa. Aquela maluca desgraçada finalmente teve o que mereceu. Algumas pessoas acreditam em Thomas. Outras, como Stacy, Johnny e... Travis, confiam veemente que ele com certeza pode ter feito o que fez. — Jane Rainbow teve a garganta cortada por um objeto pontiagudo afiado, que não foi reconhecido e nem encontrado. Duas horas após a sua morte, foi rastejada pela floresta e descartada como lixo no lago do acampamento de Newland. Ela não tem marcas de arranhões, portanto não tentou brigar por sua vida. Foi um ataque imprevisível de alguém que ela conhecia. Travis e Tyna estão abraçados, e Tyna chora como se isso estivesse acontecendo com ela. — Acessamos as câmeras de segurança, e vimos que Jane Rainbow, após sofrer a queda, dirigiu-se até o seu dormitório. — Hunter continua. Ele dá play na gravação da câmera, e ela entra como se não estivesse pingando sangue. — Depois, ela não saiu mais. Se Thomas tivesse ido atrás dela, teria aparecido na câmera. A janela não contêm suas digitais, tampouco foi quebrada. Não há nada que prove que ele esteve com Jane após o acidente, e gravações do dormitório dos garotos confirma que ele não saiu durante a madrugada. Esse trabalho é algo mínimo que você deveria ter feito, delegado Wallace. Travis se surpreende. Como ele pode ter acusado Thomas, depois ter ficado ao lado dele, e então o acusado de novo? — Wallace realizou um trabalho sujo e de imperícia. Tudo isso para encontrar o assassino e fechar o caso rapidamente, aumentando a sua reputação em Newland. Por que não culpar um garoto indiano, que havia sofrido um acidente durante uma atividade que o deixou com sequelas. Ele realizou o exame médico e psicológico, e foi constado que ele não oferece risco para ninguém, e que as suas condições não afetaram outras pessoas além dele mesmo. Seus meios são escassos e pobres. — Ele praticamente cospe essas informações na cara do delegado. Durante essas semanas, Thomas foi perseguido e perdeu todas as esperanças que tinha. Comentei sobre os seus sintomas com o meu terapeuta, e ele aconselhou que o garoto procurasse ajuda imediatamente, porque parecia depressão. — Vocês não possuem nenhuma alegação contra Thomas Dinesh. É a última coisa que fala. Todos permanecem em silêncio, até que a juíza pede uma pausa para todos. — Thomas — vou até ele — como você está? Ele já era magro, e com isso tudo acontecendo... Ele perdeu alguns quilos com toda essa ansiedade. Felizmente, a sua família já o colocou numa dieta passada por nutricionista para recuperar o seu peso. — Esperançoso. — Sorri. O seu sorriso é fraco, e vejo como ele está cansado. Quantas noites ele não passou acordado? O dou um abraço, e isso me faz sentir saudade de estar com ele a maior parte dos nossos dias. Queria poder lhe beijar, mas isso é algo que não posso ter. — Vai ficar tudo bem. Eles não possuem nada contra você. — Eu sei, mas... Isso me custou Travis, e consequentemente Tyna, porque agora ela faz tudo que ele também faz. — Ele não pode ficar nisso para sempre... Não faz sentido. Assim que tudo for resolvido, ele vai se arrepender de ter virado as costas para você. Para nós. Ao olhar para ele, vejo que Willis estava nos observando com seriedade. Quinze minutos passaram-se até que a juíza retomou a audiência. Billie deu o seu discurso, e em seguida os pais dela também. Eles não acreditam na plena inocência do Thomas, e até alegam que ele não deve ter agido sozinho. Todos os três foram repreendidos por falsa acusação. Consegui enxergar a tensão nos olhos de Thomas. Os seus ombros estão rígidos, e m*l consegue falar sem gaguejar. O seu futuro depende de uma mulher. Confio que Hunter fez um bom trabalho, e que continuará a fazer, caso preciso. — Está na hora da sentença. THOMAS DINESH É agora. Tudo parece se mover em câmera lenta, e eu só queria poder me recordar de tudo. Tentei fazer isso com terapia, hipnose, meditação... Mas nada. A única coisa que posso fazer para ajudar com as minhas memórias é ter acompanhamento médico para não perdê-las novamente. E se tudo tivesse sido muito pior? E se eu tivesse me esquecido de Jace? De quando o desenhei tocando guitarra, ou de quando fomos nadar no lago. E se eu me esquecesse de que ele quase perdeu a vida? Do nosso primeiro beijo... Sei que conversamos e decidimos terminar, mas... Mas talvez seja a última vez que eu faça isso. Jace ainda está perto de mim, e mesmo com as mãos algemadas, consigo segurar o seu queixo e lhe dar um beijo. É doce, como sempre. Sua boca sempre vai ter o formato perfeito para encaixar na minha. Meus pais estão atrás de mim, olhando tudo. Mas não me importo com isso. Não me importo com mais nada, porque só me importo com Jace. — Vamos nos sentar. — A juíza pigarreia. — Está na hora da sentença. Jace nem tem tempo de reagir ao beijo, mas me olha com surpresa. Todos nós nos sentamos, e a sala fica em total silêncio. — Nos exames realizados, não foram encontradas provas que liguem Thomas Dinesh com o caso. O que existe nas câmeras, de fato, é ele e seus amigos procurando por Jane, que acreditavam estar desaparecida. Portanto, Thomas, você é considerado inocente. — E bate com o seu malhete. Os pais de Jane fecham a cara e me olham com nojo. Eles só queriam um culpado. Mas não sou eu. Eu não fiz nada para Jane, nunca teria feito. Hunter me abraça e comemora, e em seguida os meus pais aparecem e me apertam. Travis está parado no mesmo lugar, como se estivesse insatisfeito com a sentença. Eu não matei Jane Rainbow. Eu não matei Jane Rainbow. Eu não matei Jane Rainbow. Mas alguém matou. Alguém que nem fez esforço para procurá-la. Alguém que a conhecia o suficiente para atacá-la no momento certo. Uma pessoa que havia ódio o suficiente para cometer esse crime. Billie Rainbow se retira, e logo atrás dela, a sua advogada. Jace se aproxima de mim quando, finalmente, meus pais me deixam respirar. — Eu te falei. — E me beija. Esse beijo é muito mais intenso e demorado, e ficamos dessa forma até nos cansarmos. — Mas não acabou, Jace. Quem matou Jane ainda está impune. Ainda... Está por ai, vivendo como se nada tivesse acontecido. E essa pessoa me deixou levar a culpa. — Isso não é problema nosso. O que importa é que vamos voltar para casa. Deixe a polícia resolver... Seus próprios problemas. — Ri, e seus olhos estão cheios de lágrimas. — Acho que hoje é dia de sorvete. — A minha mãe diz. — Na minha casa? — Jace pergunta. — Estou louco para apresentá-los aos meus pais. — Am... Não estão se esquecendo de alguém? Alguém que, por acaso, SALVOU esse garoto das garras de um delegado preconceituoso? — Hunter joga os longos cabelos pretos para trás, se gabando. Enquanto estávamos a sair da sala, Travis segura o meu braço. Isso tira o sorriso do meu rosto. — Podemos conversar? — Não. Hoje eu quero comemorar com os meus amigos e com a minha família. Puxo com força, fazendo-o me soltar. Tyna me dá um sorriso gentil, e retribuo. Apesar de não ter se imposto, ela nunca me acusou de algo como Travis fez hoje na frente de todos. Eu nunca vou esquecer desse dia, e muito menos das palavras que saíram de sua boca. Talvez ele só esteja puto porque o seu irmão foi preso por ter empurrado Jane e tê-la deixado ir embora. Quando finalmente estou do lado de fora, olhando para o céu e para as nuvens e para o sol, sinto Maya me olhando. — Está sempre cuidando de mim, não é? — Sorrio, e as lágrimas caem. Uma pequena e frágil borboleta branca voa ao meu redor, e resolvo acreditar que foi ela. Talvez Jace esteja certo, e não importa mais. Quem precisa descobrir o assassino de Jane Rainbow é a polícia e a sua família. Não eu. Não nós. E talvez ela tenha merecido.
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