Capítulo Três
THOMAS DINESH
Nós três prestávamos atenção na televisão, enquanto Tyna nos olhava com ansiedade, querendo saber o que estávamos achando do filme. Eu já havia assistido umas partes desse, porém m*l me lembro, e com certeza não é meu gênero favorito.
A casa de Tyna se parece com a minha. A sala com o conceito aberto, o doce cheiro dos brownies no forno fazendo o meu estômago roncar. Assim que chegamos, colocamos as nossas mochilas num canto e fomos para a sala de estar, e cá estamos, jogados no grande e confortável sofá, a mesa de centro cheia de pacotes de chips, biscoitos, latinhas de refrigerante e balas.
— Onde fica o banheiro? — Travis perguntou.
— Vire a direita, siga até o final do corredor e entre na última porta à esquerda. — Tyna respondeu sem ao menos tirar os olhos da televisão.
O forno apitou, indicando que os brownies estavam prontos. Tyna pausou o filme e andou apressadamente até a cozinha, retirando a forma e jogando-a na bancada.
— O que está achando? — Jace perguntou. — Aquele é o Draco, que eu estava falando mais cedo. E Tyna acha que ele é incompreendido, apenas um garoto. — Apontou para a televisão.
Ele estava sentado do meu lado, as pernas esticadas na beirada da mesa de centro, uma postura relaxada e despreocupada. Seu cabelo estava mais bagunçado que o normal, e de perto notei as suas leves olheiras roxas.
— Não é h******l, mas... Não é para mim — ri — prefiro um filme com muito sangue.
— Então vamos tirar isso. — Jace esticou-se para pegar o controle ao meu lado, passando por mim e aproximando-se demais.
Ao pegar o controle da televisão, tirou do filme e começou a procurar um de terror. Tyna logo veio até nós quando percebeu que algo estava errado.
— Cadê o Potter? — Colocou a mão na cintura, impaciente. — Ninguém come brownie se não colocarem o filme. — Olhou para Jace, que ainda estava com o controle na mão, mas ele ignorou-a completamente. — Thomas? — Fez biquinho.
Posso jurar ter escutado Jace suspirar com raiva. Ele colocou Harry Potter novamente, Travis saiu do banheiro e estávamos sentados outra vez, comendo os deliciosos brownies que Tyna havia feito.
Assim que o filme acabou e estávamos nos preparando para ir embora, todos os nossos telefones apitaram simultaneamente. Nos entreolhamos, confusos.
— Será que os seus pais emitiram um alerta de desaparecimento? — Tyna brincou.
Ao pegar o meu celular, vi que, assim como os outros, fui adicionado no grupo geral da escola. Já temos o grupo da sala, onde mandamos atividades e avisos, porém este aparentava ser o do colégio inteiro, e não havia monitoração. Agora sei como as fofocas se espalham com tanta rapidez por lá.
Haviam várias mensagens de pessoas rindo e falando bobagem sobre um vídeo, enviado por Billie. Lá vem. Quando dei play, Billie estava com um copo na mão, maquiada, e o cenário atrás de si estava uma completa bagunça. Pessoas bebendo, música alta e eu m*l conseguia entender o que estava acontecendo, nem o motivo de ter recebido isso. Ela faz uns gestos conforme a música, vira para a câmera traseira e posso ver uma boneca inflável grudada na porta da sua casa. Dois garotos altos seguram dardos nas mãos. Uma garota que parece ser mais nova, com os cabelos da cor dos de Billie está parada ao lado deles, rindo
— Sério? Que m***a é essa? — Jace estava com uma expressão de nojo. Olhei para Tyna, e ela apenas revirou os olhos.
— Sejam bem vindos ao ensino médio. Eu acho. — Apenas guardou o celular no bolso, como se nada tivesse acontecido.
— Quem ela pensa que é? De verdade, por que ela se acha no direito de fazer isso com as pessoas? Cara, ela não vê o quão estúpida ela está sendo? — Travis passou a mão pela testa, nervoso. — Tyna, não se preocupe. Eu vou resolver isso.
Eu invejava Travis, um pouco. Seu corpo era perfeito, o cabelo sempre estava arrumado e brilhante, os olhos castanhos claro me lembravam madeira que havia acabado de ser polida. Parecia uma barra de ouro ambulante. Não conseguia ser f**o, nem mesmo se forçasse. Sua iniciativa me assustava um pouco, no entanto.
— Na verdade, acho melhor vocês irem. Quero... Quero ficar sozinha. — Nos olhou com tristeza. — Não quero arranjar mais encrenca, mas agradeço. — Respondeu para Travis.
— Tudo bem. Não se preocupe com o vídeo, foi apenas para te irritar. Se precisar de algo, é só mandar uma mensagem. — Jace sorriu.
— Claro — ela tentou sorrir — pode deixar.
Assim que Jace, Travis e eu saímos, fomos até o carro de Jace sem dizer uma palavra. Eu ainda pensava nas marcas que vi no seu pulso. Hoje o dia estava sendo, no mínimo, bizarro.
No carro toca Between the Bars, de Elliott Smith. Fechei os olhos e apoiei a cabeça na janela, deixando o som tomar conta do meu corpo. Era como meditar. Jace tinha um ótimo gosto musical, eu conseguia sentir cada dor ser tocada em forma de notas, e imaginava a melodia como cordas me amarrando, me jogando para o lado, porém de uma forma gentil.
Dei um forte suspiro, sentindo o peso deixar os meus ombros. Essa música me lembrava tanta coisa, e, ao mesmo tempo, limpava a minha mente e a minha alma.
E estávamos na minha casa. Willis e Miller moravam bem perto, então fez mais sentido passar por meu lugar primeiro. Peguei a mochila, me despedi e sai do carro.
Com os pés na grama, observei a picape vermelha se distanciar cada vez mais e virar a segunda direita. Entrei em casa, e estava sozinho.
— Como sempre. — Sussurrei.
Amanhã tudo começava novamente. Escola, olhares estranhos, preocupações, pessoas ansiosas, inquietas e superficiais.
O meu estômago estava cheio, e me peguei olhando para o teto novamente. Pensei em Maya, minha irmã mais nova. Ela estava com depressão, foi o que os psicólogos falaram. Seu estado mental era deplorável; tinha surtos psicóticos, via e escutava coisas e pessoas que nem sequer existiam. Era h******l presenciar os seus surtos, porque eu nunca sabia o que fazer.
Devido a isso, me culpei por muito tempo. Não é útil para nada, não consegue ajudar ninguém, você deveria ter vergonha de si, as vozes na minha cabeça me diziam. Maya tinha apenas doze anos (e, na época, eu tinha catorze) quando se suicidou. Ficamos em choque, especialmente porque ela era muito nova para chegar a considerar isso.
Maya só ficava por perto quando estava bem. Brincávamos, ríamos, ficávamos olhando para as manchas no teto do nosso quarto, imaginando que criaturas viviam entre as pedras e a tinta, e estavam tentando sair.
Percebo que o meu rosto está molhado devido às lágrimas que nem senti caírem. Olho para o desenho que eu havia pregado na parede ao lado da cama, era um que a minha irmã havia feito num dia que estávamos brincando de escrever e desenhar quadrinhos. No papel estava eu e ela usando capas de super-heróis, com os braços para cima como se estivéssemos voando. ''Super irmãos'', ela havia escrito com suas letras redondas.
No outro dia, Tyna não foi á aula. Não senti o seu cheiro de bala de morango - que eu descobri ser o creme que ela passava nos cabelos -, não escutei uma falação sobre Harry Potter na minha cabeça, e nem ela discutindo com Dave, como já era acostumado. Ela também não havia mandado mensagem.
— Alunos, espero que tenham feito o dever de história, porque eu menti — Derisse ajeitou os óculos e sorriu sarcasticamente — não era um dever, e sim um trabalho que vale cinco pontos. Me entreguem e podem sair para o intervalo. — Claro que eu havia feito. Sou um aluno exemplar, sem querer me gabar.
Assim que deixei o trabalho na sua mesa, a professora passou os olhos rapidamente por ele e me olhou, surpresa.
— Uau, Thomas. Você nunca deixa de impressionar.
Sorri e passei pela grande porta da sala de aula.
JACE MILLER
Billie Rainbow merecia pagar pelo que havia feito.
Após a aula terminar, entrei no meu carro e pensei no que poderia acontecer. Algo que não me entregasse, que passasse despercebido. As minhas mãos tremiam de ódio, e por mais que eu tentasse reprimir a raiva dentro de mim, era impossível.
A observo de longe, vendo os seus cabelos pularem á medida que atravessa o estacionamento. Estou relativamente afastado, então ela não nota a minha presença. Ela faz um inferno na vida de Tyna, nas nossas vidas. E se Tyna não tem coragem o suficiente para agir, eu tenho.
Billie se movimenta como se estivesse a andar por uma passarela, o céu cinza acima da sua cabeça provavelmente querendo soltar um raio nela. A vejo entrar no seu carro e o ligar.
E, então, a sigo.
━━━━━━━ ● ━━━━━━━
Thomas está no chão, e está muito escuro para entender o que está acontecendo.
— O que aconteceu? — Coloco a mão no seu ombro. Ele se vira com medo.
Os seus olhos estão arregalados de uma forma que nunca vi antes. A sua roupa está manchada por algo escuro, e, ao me ajoelhar ao seu lado, sinto o cheiro de sangue.
— p***a, Thomas... O que é isso? — Passo as minhas mãos pelas folhas na sua frente. Sinto algo molhado grudar nos meus dedos e, ao levá-los no nariz, percebo que também é sangue. — Vem. Anda.
Levanto abruptamente. Minha mente está girando, e nada faz sentido. Por que ele estava sozinho na floresta? E, por que raios está repleto de sangue?
— Thomas, vamos! — Digo novamente. Ele me olha, mas apenas vejo um vazio dentro de si. Com força, puxo o seu braço, obrigando-o a se levantar. — Vá para o banheiro e se limpe. Tem um perto da cabana do zelador. Depois, me encontre nos fundos do hotel. Rápido!
━━━━━━━ ● ━━━━━━━
Então é aqui que ela mora. Numa casa de dois andares, com um quintal impecável. Tudo parecia muito diferente dela; paredes brancas, calmaria e fragilidade. É o oposto de quem Billie é; irritante, hostil, um verme.
Olhei para a caixa de tinta spray ao meu lado, respirei fundo. Não havia muito movimento pela rua, já que era um bairro nobre, mas não tinha como fazer isso agora. Não de dia.
A vontade me contaminou e rodou pelos meus ossos, me dando calafrios. Eu queria acabar com ela, fazê-la desaparecer.
Ela estacionou o carro dentro da garagem, destrancou a porta e entrou em casa. Até parecia gente. Anotei o número da sua casa e prometi, mentalmente, voltar quando a noite chegar.
— Alô! — Travis não parava de bater na porta — Tem alguém aí?
Estávamos novamente na casa de Tyna. Eu e Thomas queríamos ver como ela estava, então nos encontramos aqui. Travis foi apenas uma coincidência infeliz.
— Espera, c*****o — ouvimos do lado de dentro — estava no banho.
E, então, a porta foi aberta. Tyna estava com os cabelos molhados, usava moletom e exalava um cheiro enjoativo. Os seus olhos estavam pretos e os esmaltes descascavam das unhas.
— Entrem.
Ela apenas se virou e jogou-se no sofá, ocupando todo o espaço. Nós três entramos, e vimos que a sua casa estava uma bagunça. A louça estava cheia de vasilhas e copos, dezenas de bichos de pelúcia jogados pelo chão, as cortinas fechadas e a mesa de centro com restos de comida.
— É aqui que ligaram pedindo serviço de limpeza? — Thomas riu. — Sério, se você me der dinheiro eu arrumo isso em instantes.
— Acredite ou não, não fui eu quem fez isso. Foi minha irmã, Alysha. — Larson revirou os olhos. — Ela está na aula agora, só não tive coragem de limpar isso ainda.
— Tudo bem, nós te ajudamos. — Travis falou.
Enquanto eu e Travis lavávamos a louça, Thomas e Tyna arrumavam a sala.
Eu deveria contar, não é? Contar o que planejo fazer. Talvez Travis me ajude, participe, porque sei que ele gosta de Larson.
— Eu estava pensando numa coisa... — Falei. As mangas da minha blusa de frio estavam completamente molhadas, mas era isso ou mostrar a todos os meus ferimentos. Enxaguei o copo na minha mão, e me virei para encarar Travis. — Comprei tintas spray.
— E? — Ele continuou a enxugar as vasilhas sem olhar para mim.
— E sei onde a Billie mora. Sei o número da casa... — Parei de falar quando ele colocou o pano de prato na mesa e olhou-me, confuso.
— Você está mesmo pensando nisso? — Sua expressão era séria. — Você é um gênio! — E esboçou um sorriso.
Ela merecia.
— Vamos acabar isso e ir até lá — fechei a torneira — não fale para eles onde estamos indo. — Apontei para Thomas e Tyna.
A casa estava finalmente arrumada. Eu não sabia que Tyna tinha uma irmã, e p***a, que bagunceira! É meio estranho ninguém nunca estar aqui, sei que os pais dela ficam fora durante o dia, mas não é errado?
Vai saber. A minha realidade é completamente diferente da dela, então quem sou eu para julgar? Na fazenda nunca estou sozinho, mesmo quando os meus pais estão fora, tenho a companhia dos caseiros.
— Quero levar vocês a um lugar — falei enquanto colocava a alça da mochila sob os ombros — vamos? É surpresa.
Tyna me olhou com preocupação.
— Não vai nos s********r e nos enterrar na fazenda, não é? — Riu, deixando claro que estava apenas brincando.
— Se essa fosse minha intenção, vocês já estariam a sete palmos do chão, querida. — Sorri sem mostrar os dentes.
Os meus cabelos caíram por meus olhos, os joguei para trás e, inevitavelmente, olhei para Thomas. Ele pareceu ficar constrangido, juntando as mãos e olhando para o lado. Sou muito bonito, o que mais poderia acontecer?
— Contanto que não sejamos presos, tá tudo bem. — Thomas levantou-se e todos nós saímos da casa de Larson.
Travis estava sentado no banco da frente ao meu lado, a caixa de tinta no seu colo. Thomas costumava sentar aqui, mas estava no banco de trás com Tyna, sussurrando algo que eu não consegui entender. Depois de um tempo, percebi que eles estavam falando hindi.
— Podem parar com os segredinhos? Na nossa língua, por favor. — E aumentei o som, deixando Thom Yorke invadir os meus tímpanos.
Dirigi por quinze minutos até estacionar a duas quadras de distância da linda e perfeita casa da Billie. Pouco me importava o que iria acontecer, eu só queria vingança.
— Jace, onde estamos? — Tyna perguntou.
Virei o meu tronco para trás, agarrando o assento com força.
— Estamos fazendo justiça. — Levantei o capuz da minha blusa de frio, fazendo com que tampasse parcialmente o meu rosto. — Faça o mesmo, você vem comigo. — Falei com a garota de cabelos encaracolados.
Ela não hesitou, muito menos questionou. Pessoas que não perguntam e apenas fazem são as minhas favoritas.
— Um de vocês precisa ficar aqui para manter o olho na rua. Quem vai ser? — Passei os olhos por Travis, que segurava a caixa. Os seus músculos marcavam através da blusa, estava tenso. Mordiscava os lábios e me olhou fixamente, dizendo com o olhar que não ficaria na picape.
— Eu fico — Thomas pronunciou — não sou ótimo com o que... quer que esteja fazendo.
— Tudo bem. Quando sairmos, sente no banco do motorista e buzine caso ver ou escutar algo. — Os meus olhos estavam arregalados.
Nós três saímos do carro com cuidado, evitando fazer muito barulho. As casas dessa vizinhança são impecáveis; jardins com o gramado verde, múltiplas espécies de flores, sem gritarias ou portas batendo. Por cada casa que passávamos, era possível escutar algo. Uma TV ligada, uma música da Taylor Swift em outra casa, alguém praticando violino, som de talheres e vozes baixas. Era tudo muito, muito quieto.
— O que estamos fazendo aqui? — Tyna perguntou. — Fale a verdade dessa vez.
— Estou falando a verdade. Billie merece pagar pelo que fez.
Andamos ligeiramente até pararmos na casa de Rainbow. As luzes estavam apagadas, não era possível escutar som algum. Nos movemos para a direita, do outro lado da casa. Sentamos atrás de uma moita e Travis abriu a caixa.
Tintas pretas e vermelhas revelaram-se, era um pouco difícil enxergá-las devido à falta de luz do local, então peguei o meu celular e as iluminei.
— c*****o, Jace! Não podemos fazer isso, é crime! — Tyna estava espantada.
— Só é crime se souberem quem fez isso. Eu vim até aqui mais cedo, me certifiquei de gravar a posição de todas as câmeras.
Felizmente, as casas não são tão próximas umas das outras, então elas apenas nos pegariam caso ficássemos perto o suficiente da porta. Olhei para cima, e havia uma janela a alguns metros das nossas cabeças, e não haviam janelas da casa ao lado viradas para nós.
— Mas o que vamos fazer? Quer dizer, pichar ''v***a'' é meio clichê. — Tyna se rendeu e pegou uma latinha de tinta preta.
— Eu... Eu sei de algo. — Travis falou e, em seguida, fechou os olhos e suspirou fundo, como se tivesse se arrependido de ter aberto a boca. — Um dia, Billie ligou para Gabriel, mas eu atendi. A nossa voz é idêntica, então ela não notou haver algo errado. — Engoliu seco. — Ela está grávida. Quer dizer, já faz muito tempo, pode ser que ela tenha feito um aborto. Ela com certeza abortou, senão a barriga já estaria perceptível.
— O QUÊ? — Tyna gritou, e antes que eu pudesse repreendê-la com o olhar, uma luz foi acesa no cômodo acima de nós.
Nos encolhemos atrás da moita, quase deitando no chão. p***a, p***a, porra...
— Vizinha maluca do c*****o. — Era uma voz irreconhecível. Era de garota, mas não era da Billie. Ufa.
A luz foi apagada novamente, a pessoa fechou a janela e escutamos a cortina ser fechada. Ufa, novamente.
— Que m***a, Tyna. — Bufei. Estou fazendo isso especialmente por ela, e ela quase nos entrega. — Enquanto eu escrevo algo com a tinta vermelha, quero que vocês façam pentagramas no chão. E rápido, antes que algo aconteça.
Travis e Tyna se levantaram, cada um com duas latinhas em mãos. Me levantei rapidamente, chacoalhei a latinha e escrevi ''aborte, porca'', e desenhei um porco ao lado.
Eu não me importava com mais nada no momento. Estava cego de vingança, raiva, ódio. Escrevi ao lado ''Rainbow = morte'' e uma caveira em cima. Olhei para Travis, que abanou a blusa devido ao calor que sentia no corpo. Tyna já havia parado, e percebi que estava pensando demais.
— Ela é uma v*******a, e merece pagar. Você sabe disso. O que estamos fazendo não é nem metade do que ela já fez com você.
A noite estava gelada, as árvores balançando devido ao vento. Eu m*l conseguia respirar; vento frio entrava, vento quente saia. O meu corpo estava a vibrar de emoção, cada parte de mim saciando por mais.
— Tá, chega. — Travis disse. — Vamos enquanto podemos passar despercebidos. — Ele deu dois tapinhas nas minhas costas.
Fomos para trás da moita novamente e guardamos as latinhas na caixa. Eu não conseguia tirar o sorriso do rosto, mesmo sabendo que era errado para c*****o.
— Você está bem com isso? — Tyna perguntou à Travis. — Quer dizer, podem descobrir que foi você, já que provavelmente a Billie contou achando que era o Gabriel.
— Ou ela vai achar que foi ele. — O garoto respondeu. — Só não sei o porquê de Billie ter ligado justo para ele...
— Acho que sabemos. — As palavras saíram rapidamente da minha boca, mais secas do que eu imaginava.
À medida que andávamos, o vermelho da picape foi se intensificando. Como estava de longe, não era possível visualizá-la direito, mas estava lá. Antes que pudéssemos voltar, atravessei a rua e joguei a caixa com as tintas numa lixeira qualquer. Se eu mantivesse isso comigo, seria uma prova contra mim.
— Isso foi daora. Mesmo que errado, eu gostei. — Tyna deixou um riso escapar. — Ela realmente mereceu. E cara... Não consigo a imaginar grávida. E se for mentira? — Parou de andar, fazendo com que eu e Travis virássemos para ela.
— Não sei para que ela mentiria sobre isso, mas se for... Problema é dela. — Travis respondeu.
Continuamos a andar, a picape ficando cada vez mais visível. Tyna correu até ela, entrando rapidamente no banco de trás, sem nem ao menos prestar atenção no que fazia. Quando pude estar perto o suficiente, tentei olhar para Thomas através do vidro; mas ele não estava lá.