Lívia Narrando Quando eu cheguei em casa, a porta já tava só encostada, como minha mãe sempre deixava quando sabia que eu tava pra chegar. Empurrei devagar e entrei, sentindo o corpo cansado, a alma então nem se fala. Ela tava na sala, sentada no sofá, me esperando. Não perguntou nada. Não correu pra cima de mim. Só me olhou. E aquele olhar dizia tudo. Eu não falei nada também. Não tinha força. Não tinha voz. Só caminhei até ela e sentei do lado, devagar, sentindo cada dor no corpo. E então eu deitei a cabeça no colo dela. Foi automático. Como se eu voltasse a ser aquela menina de antes, antes de tudo desandar. E aí eu chorei. Chorei como eu não chorava há muito tempo. Um choro preso, engasgado, que saiu de uma vez só. Meu corpo tremia, meu peito apertava, parecia que eu tava

