Imperador Narrando Eu tava sentado no meu trono de madeira e ferro, bem no fundo do galpão grande, o lugar reservado pros julgamentos sérios do comando. As paredes de tijolo aparente tavam sujas de fumaça, umas poucas lâmpadas amarelas penduradas no teto piscando fraquinhas, criando sombras longas no chão de cimento. O ar dentro do galpão tava abafado, cheirando a cigarro, suor e pólvora. Todo mundo calado, só o barulho distante dos tiros de festim lá fora e o zumbido de um gerador no canto. Eu olhava tudo com calma de quem já viu mërda demais. Do meu lado esquerdo, o Pitel, de braço cruzado, cara fechada. Do direito, o Bial, o vapor que tinha levado a Lívia pro hospital na noite anterior. Aí ela chegou. Lívia. Andando devagar pelo meio do galpão, com o olho ainda inchado pra c***

