Narrado por Sofia Minha filha estava dormindo no quarto do hospital, com soro no bracinho e respiração suave. O monitor apitava de tempos em tempos, marcando o ritmo do seu coraçãozinho. Eu não tirava os olhos dela. Eu não piscava. Eu não respirava direito. Mas agora, pela primeira vez em muito tempo, eu não tinha medo. Eu tinha ódio. Peguei o celular. Liguei para o único nome que eu sabia que reagiria como eu precisava. — Samara? — Oi, amiga, que foi? Você sumiu, eu estava quase indo aí… Minha voz saiu firme. Fria. — A babá tentou envenenar a Luiza. Do outro lado da linha, o silêncio foi cortado por uma explosão: — O quê?! — A gente viu nas câmeras. Eu e Eleonora. Ela colocou uma substância na mamadeira de madrugada. Já levamos a Luiza pro hospital. Ela vai ficar bem. Mas, Sama

