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O Mafioso e a Presidiária

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Blurb

Kiara não sabia o que estava acontecendo, confiou no seu namorado e por causa dela foi parar na prisão, mas ela não sabia que o lugar que parecia ser o seu fim na verdade seria o início de uma nova história de amor. Seria ali que ela teria uma vista íntima e encontraria o amor da sua vida.

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Um
Joel Estou entrando agora no presídio feminino de Lusyana, passo por uma supervisão bem minuciosa e depois por uma revista bem invasiva diga-se de passagem, um pouco até exagerada demais. Porém, respiro fundo e procuro me concentrar no que está por vir. Assim que sou liberado eles me levam até uma sala, uma espécie de quarto na verdade. Passo uma olhada no local e percebo que não tem câmeras, pelo menos não alguma que esteja ao alcance dos meus olhos. Sento na cama e me pergunto: — Cara! O que eu vim fazer aqui? - sorri comigo mesmo, isso já é um pouco demais, não dá. Me preparei para me levantar e sumir daquela prisão, eu nunca deveria ter aceitado fazer essa visita íntima para uma mulher que eu nem conheço. Mas aí a porta abriu e eu encarei aqueles dois olhos de lua me fitando intensamente. "E foi aí que eu enlouqueci!" (.....) Alguns anos antes Kiara Meu nome é Kiara, e esta é a história que eu nunca imaginei que teria que contar. Uma história que não é feliz, mas que, espero, sirva de alerta para alguém que esteja caminhando pelo mesmo caminho torto que eu trilhei. Hoje eu posso dizer que encontrei um pouco de paz, mas o preço foi alto demais. Meus pais me criaram com todo o amor e esforço que podiam oferecer. Deram-me escola, comida na mesa, roupas limpas e, acima de tudo, valores. Mas eu, na minha adolescência cega e rebelde, joguei tudo isso fora por causa de um garoto e das más companhias que vieram junto com ele. Eu nasci e cresci em Lusyana, uma cidade que, vista de fora, parecia ter tudo: ruas arborizadas, shoppings modernos, escolas públicas decentes e um ar de tranquilidade que escondia muitos segredos. Estudei em uma escola pública bem perto de casa, daqueles lugares onde as turmas são grandes, os professores se desdobram e os alunos sonham com algo maior. Foi lá que eu vi Sander pela primeira vez. Ele era o tipo de garoto que fazia o corredor virar um palco. Cabelos negros caindo sobre os olhos escuros, corpo definido, jaqueta de couro mesmo no calor de Lusyana, e aquele cigarro sempre pendurado nos lábios, como se o mundo inteiro fosse obrigado a girar ao ritmo dele. Eu ficava hipnotizada. Dormia e acordava pensando nele. Mas Sander tinha namorada: uma ruiva chamada Karin, que eu achava horrível (embora, no fundo, eu só estivesse com inveja). Ela andava sempre colada nele, marcando território, e isso me corroía por dentro. Até que veio aquela tarde chuvosa. O céu estava pesado, cinza, e as primeiras gotas já caíam quando eu saía da escola, xingando mentalmente por não ter trazido guarda-chuva. Foi quando ouvi o ronco grave de uma moto se aproximando. Ele parou ao meu lado, o capacete na mão, o cabelo molhado grudado na testa. — Oi, gatinha. Tá indo pra algum lugar? — perguntou Sander, com aquele sorriso torto que fazia meu estômago dar cambalhotas. Eu congelei por um segundo, depois respondi, tentando não gaguejar: — Ah... oi. Tô indo pra casa, mas acho que a chuva vai me pegar de jeito. Ele deu uma risadinha baixa. — Sobe aqui que eu te levo. Meu coração disparou. Pensei na minha casa, no carro velho do meu pai que nunca estava disponível, na minha família que não tinha nada de sobra. "Que se dane", pensei. Aceitei. Montei na garupa, me segurei na cintura dele, senti o cheiro de cigarro misturado com perfume forte e couro. Ele acelerou pelas ruas molhadas de Lusyana, e por alguns minutos eu me senti a garota mais importante do mundo. Quando chegamos na frente da minha casa, desci com as pernas bambas. — Valeu, Sander... de verdade. — falei, envergonhada. — Qualquer coisa, gatinha. Me chama quando precisar. — ele piscou e foi embora, deixando um rastro de fumaça e adrenalina. Entrei em casa tentando não fazer barulho, mas minha mãe já estava na porta da cozinha, braços cruzados. — Quem foi que te trouxe? Ouvi uma moto. — perguntou, desconfiada. — Foi só um colega, mãe. Tá chovendo muito, eu ia me molhar toda. Ela estreitou os olhos. — Espero que seja uma boa pessoa, Kiara. Você sabe muito bem que não é seguro pegar carona com qualquer um. A raiva subiu como lava. — Você não pensou que eu podia me afogar na chuva? Acha r**m alguém ter me ajudado? O que você quer? Que eu morra, é isso?! — gritei, jogando a mochila no chão. Saí correndo para o quarto, batendo a porta. Minha mãe veio atrás, batendo devagar. — Kiara, abre. Me diz o que está acontecendo. — Eu tô cansada! — berrei do outro lado da porta. — Cansada dessa vida miserável, de não ter nada do que as outras meninas têm! Cansada de vocês me sufocarem! - As palavras saíram como facadas. Eu as joguei sem pensar, e elas nunca mais saíram da minha cabeça. Os dias seguintes foram uma sequência de mentiras. Eu saía mais cedo, voltava tarde, inventava trabalhos em grupo. Sander começou a me esperar na saída da escola quase todos os dias. Karin sumiu do radar dele. — ou pelo menos foi o que ele me disse. — Terminei com ela. Era muito ciumenta, não aguentava mais. — explicou, enquanto estávamos sentados no muro dos fundos da escola, dividindo um cigarro. — Sério? — perguntei, o coração acelerado. — Sério. Agora eu vejo você. Você é diferente, Kiara. Tímida, mas... tem fogo aí dentro. Eu derreti. Começamos a namorar! As primeiras semanas foram um sonho: corridas de moto pela estrada que contorna Lusyana, beijos roubados em estacionamentos vazios, festas em casas abandonadas onde a música batia alto e ninguém perguntava idade. Ele me apresentou a um grupo de amigos mais velhos, que falavam pouco, mas sempre tinham dinheiro no bolso e olhares que me deixavam desconfortável. Eu comecei a fumar, comecei a beber, a faltar aula também, e minhas notas despencaram, meus pais brigavam comigo quase todo dia. — Quem é esse Sander? — meu pai perguntou uma noite, sério, durante o jantar. — Meu namorado! — respondi, desafiadora. Minha mãe largou o garfo. — Kiara, a gente ouve coisas. Ele anda com gente errada. Drogas, brigas... Você merece coisa melhor. — Vocês não sabem de nada! — gritei, saindo da mesa. — Ele me ama! As brigas viraram rotina. Eu fugia pela janela, mentia sobre dormir na casa de amigas. Sander me levava para lugares cada vez mais escuros: galpões abandonados, festas clandestinas, encontros com homens que eu nunca sabia o nome. Uma noite, ele me chamou. — Kiara, preciso de você. É importante. — disse pelo telefone, voz baixa.

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