O silêncio que antecedeu o primeiro disparo parecia um grito preso no peito da Vila Kennedy. Até o vento segurou a respiração. E então, de repente— TÁ-TÁ-TÁ-TÁ-TÁ! Tiros cortaram o ar como navalha, ricocheteando em paredes, derrubando pedaços de reboco, acordando cachorros, calando rezas e acendendo o medo em cada canto do morro. Catarina se encolheu atrás da janela, mas não conseguia afastar o olhar da cena lá embaixo. Era impossível tirar os olhos dele. V.K avançava pelo beco como se fosse parte do chão. Movimentos rápidos. Passos calculados. Cabeça baixa, arma erguida. Ele parecia invencível — e, ao mesmo tempo, tão humano que aquilo doía nela. — Menina, sai da janela! — Dona Nilva puxou seu braço. — Eu preciso ver! — Precisa rezar! — Eu tô rezando vendo! — Isso não é re

