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1341 Words
CAPÍTULO DEZANOVE. Selene Moreau Ele puxa-me pela cintura na sua direção, fazendo-me esquecer de como se respira. — Acabou, Laurent... — falo. — Você não controla mais a minha vida! — eu gostaria imenso que isso fosse uma verdade. Ele saiu da minha vida, e mesmo sem eu querer, eu paralisei no tempo. O oceano no seu olhar está agitado. — Eu não quero controlar a sua vida, eu quero você, Selene... — ele diz, e os meus olhos começam a ser consumidos pela fonte inesgotável neles. Eu quero manter o meu coração à distância, não o mostrando o suficiente, mas é tão difícil como ficar sem respirar. — E eu quero que você chore por mim, como eu chorei por você — falo. Eu tenho um recipiente de raiva dentro de mim, que oh, decide deixar as coisas escaparem dos meus lábios sempre que os abro. — Noite e dia por você! — eu falo, olhando para ele. — Eu não confio mais em você, Laurent — falo. — Eu não sabia quem você era, agora não sei o que você é, eu estou confusa, não entendo o que você faz e nem por que faz... — digo. — Eu iria para o inferno e voltava por você — ele diz, com os seus olhos em mim. — Se eu tivesse você, eu caminharia até um furacão, só para te manter segura — a intensidade com que fala, me faz perder forças. Eu o quero de um jeito humilhante. — Existem inúmeras coisas que eu faria só por você, só para reverter o que eu fiz... Mas eu não irei suportar ver aquele i****a, tocando em você, falando tão perto de você — ele fala com paixão, como se estivesse ditando limites. Eu só sei que eu particularmente estou queimando como se tivessem tacado gasolina em mim. A tensão chega a ser palpável, o meu corpo em brasa, o meu coração a mil, e os seus lábios sentavam a milímetros de distância dos meus. Uma tortura dolorosa e prazerosa, simultaneamente. — Você... — balbucio, com a minha voz num fio. — Está noivo ainda — puxo a minha consciência, querendo simplesmente me lançar de vez para os seus braços. Batem na porta no mesmo instante me fazendo quase saltar, ele trancou a porta. Sem pensar duas vezes, porque se eu continuar aqui, as coisas vão passar das estribeiras. Simplesmente abro a porta e saiu, encontrando duas moças. — Devem esperar alguns minutos para entrar, a senhora da limpeza está aí dentro — simplesmente falo, elas assentem e eu simplesmente saio daqui. Aqui ainda está agitado, e eu não estou no humor para continuar aqui. Mal estava saindo do corredor, quase me esbarro com a Leila, o seu olhar denuncia o que ela pensa, e eu não me dou ao trabalho de ficar perto dela por mais um segundo que seja. Eu vejo homens do Zade aqui, estão curiosos com o que aconteceu, e eu vazo daqui. — Opa! — o Apollo exclama, quando agora literalmente esbarro nele, na saída. — Desculpa... — peço, e ele me encara preocupado. — O que aconteceu? — ele pergunta, e eu suspiro. — Está com pressa? Pode subir comigo para me entregar o pendrive agora? — pergunto, porque se o Zade manda os homens dele ficarem de guarda, não vai dar bom. — Aqui está — ele diz, tirando do bolso e eu o pego aliviada. — Já vai para o quarto? Você chegou agora! — ele fala, e eu assinto. — Eu não estou com vontade de ficar aqui — respondo. — Por favor, diga para a Kaiana que eu voltei para o quarto — falo. — Tudo bem — ele diz, me olhando estranho. — Mas, você está bem mesmo? — pergunta preocupado. — Eu estou, obrigada! — respondo. — Até amanhã! — me despeço. — Até amanhã, Selene! — ele despede, e eu vou até o elevador, e no instante seguinte, eu já estava no quarto. — Argh... — balbucio, frustrada, sem saber nem como alocar o que estou pensando e o que eu estou sentindo. Ele rebentou com o rosto do Zade como se o punho dele fosse de ferro. Não é que eu não esteja habituada a ver sangue e cara sendo rebentada, mas é a questão de que eu nunca tinha o visto daquele jeito. Foi atraente? Foi. Mas me deixou extremamente confusa. — Ele é filho do Anakin Duvall, não, Selene? — me pergunto retoricamente, retirando esses saltos dos meus pés. Ele é filho do Anakin Duvall! Estou surtando, com a minha ficha caindo. Retiro o vestido, caminhando para o frigobar e retiro um pote de sorvete. Deixo o pote na cama, vou até a mala guardar o vestido, substituir por um pijama e guardar o pendrive. Mal sentei na cama, escuto o toque do meu celular, vindo da mesinha da Kaiane. Alcanço e é a minha irmã. Atendo. — Eu sei que você ficou r**m de celular, mas tem alguma coisa e eu quero saber, o que está acontecendo aí, Sel? — a Vesper pergunta, e eu abro o pote de sorvete. — Eu sei que o Zade está aí, está tudo bem? — ela pergunta, e eu suspiro. — Tem como se estar bem onde o Zade também está? — pergunto. — Eh, essa questão foi boba — diz. — Eu estou com saudades, me diga o que está acontecendo aí? — ela pergunta, enquanto eu tomo sorvete. — O Laurent está aqui — falo. — Eu sei que ele chegou e que surpreendentemente ele é filho do senhor Anakin — ela diz. — Não, Vesper — falo. — Aqui, ele está aqui — afirmo, e escuto ela gritar do outro lado da linha. — Ele falou com você? Explicou porque desapareceu? Pediu desculpas? Ele está mesmo noivo? Ou, precisa que eu venha até aí, dar a minha dose de irmã, bem no rosto dele? — perguntas e mais perguntas. — Você pode bater nele se quiser — afirmo. — E, bem... a forma como começamos a falar não foi nada convencional — conto. — Como assim? — ela pergunta, enquanto eu tomo mais uma colherada de sorvete. — Longa história, eu conto tudo direito quando chegar. Resumidamente, armaram contra mim, e fizeram parecer que eu fosse uma moça promíscua aos olhos dele e ele acreditou — falo. — Quem armou? Que tipo de armação? — ela pergunta. — Eu não vou contar agora, se não vai estragar o show que eu farei quando chegar — aviso. — Selene... — ela diz, e eu suspiro. — Enfim, aconteceram muitas coisas, e eu contarei assim que voltar para você — falo. — Vocês estão bem? — ela pergunta, curiosa, e eu busco ignorar os meus batimentos cardíacos desenfreados. — Amanhã, eu conto — falo. — Você vai estar na casa do papai? — pergunto. — Ultimamente, estamos sempre lá — ela fala, e eu franzo o cenho. — E, por quê? — questiono. — Seu casamento — ela responde, e eu suspiro frustrada. — Eu estou tentando, mas eles querem o casamento logo que você chegar — ela afirma, e eu já me sinto febril. — Me desculpe, Selene... — ela lamenta, e eu suspiro. — Você não tem do que se desculpar, a culpa não é sua — falo. — Quando você volta? Comprou o resort, fechou o negócio? O papai só fala nisso, tem alguma coisa de muito importante aí — claro que tem, ele nunca faz algo que não o beneficie. — Huhum! — afirmo, ele terá uma surpresa. — Eu volto amanhã, devo chegar aí de tarde — falo. — Onde está a Kaiane? — pergunta. — No bar, ela ficou lá e eu subi — falo, e daí rolou conversinha boba. Terminei o pote de sorvete e fiquei assistindo vídeos de surf até a Kaiane voltar. Obviamente, fingi adormecer até adormecer porque eu a amo, mas não estou afim de ter a minha cabeça doendo, tenho uma competição para vencer amanhã.
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