CAPÍTULO DEZOITO.
Selene Moreau
O dia passou na velocidade da luz, e de tanto que fiquei no mar, com a Kaiane, que aceitou molhar os pés, dormimos metade dele.
Agora são vinte e três horas, nós já devíamos ter descido, estamos atrasadas para variar.
Mas o que aconteceu foi que depois do almoço, nós dormimos, e quando acordamos, já estava na hora de termos descido.
Avisamos que íamos nos atrasar, obviamente, e decidimos jantar aqui no quarto.
O jantar durou mais uma hora, e só nos prepararmos na outra...
Enfim, estamos prontas agora. A Kaiane e eu estamos de vestido de cor preta, o dela é curto, o meu é longo, mas com uma racha discreta, e um decote nas costas. Os tecidos também são diferentes, o dela é de seda assim, e o meu de sequins, bem vibe praia de noite.
Ela está um arraso.
— Coloque esses, os seus são muito baixos — ela diz, se referindo aos saltos que estou usando.
— Eu tenho uma competição amanhã, nem deveria estar descendo, não posso me dar ao luxo de torcer o meu pé — respondo, passando perfume.
— Vamos, que até as duas eu já quero voltar — falo, caminhando até a porta.
— Tá! — ela responde, mas m*l eu abro a porta, encontro homens parados do lado de fora.
Era só o que me faltava.
— O que carambas vocês estão fazendo na minha porta? — questiono, nervosa.
— O senhor Zade ordenou que ficássemos de olho na senhora — ainda respondem.
Eu olho para a Kaiane, ultrajada, e a mesma não liga, revira os olhos, andando na frente.
Eu podia explodir com eles, mas o que mudaria?
Eu vou é ver o que esse brutamontes pensa que está fazendo.
Entramos no elevador, e eu não sou doida nem de ter segurado o elevador para eles.
— Ficar de olho em mim... O que ele acha que eu sou? — pergunto, furiosa.
— Não vai deixar que ele acabe com o nosso dia — ela diz, e eu levanto a minha mão na sua direção.
— Olhar para a minha mão e ver essa algema enrolada no meu dedo já acaba com o meu dia, Kaiane — falo, e ela suspira.
— Primeiro, ele ficava me seguindo e atormentando, agora não só me seguiu até aqui, mas também invadiu o quarto ontem, e agora mandou os homens deles aguardarem do lado de fora — oh, eu estou com a minha pele fervendo.
— É do Zade que estamos falando, Selene — ela comenta, e eu suspiro, e saio assim que as portas metálicas do elevador deslizam.
Eles vieram atrás enquanto entrávamos no recinto da festa.
Um jogo de luzes interessantes, uma quantidade de pessoas bem legal, o suficiente para eu não ter que esbarrar com o i****a do Zade, porque do jeito que é festeiro, com certeza está aqui.
Música bombando, pessoas dançando, um ambiente bem legal!
Consigo avistar o Castellano lá no bar, com companhia, e foi para lá que fomos entrosando-nos com as pessoas que estão dançando como se não houvesse amanhã.
Adorei a energia!
— Sejam bem-vindas! — o Castellano diz, sorrindo e se levantando.
Enquanto a única coisa que eu consigo sentir é a minha pele queimando com o olhar do ser que está do lado.
Nada discreto já agora.
Finjo que não estou vendo, para manter a minha sanidade intacta, dando dois beijinhos no Castellano, e depois na assistente dele, a Kaiane faz o mesmo.
— Sejam bem-vindas! — quem eu estava fazendo de invisíveis dizem, e eu sou obrigada a encará-los.
— Obrigada! — agradeço, somente, mas a Kaiane os cumprimenta do mesmo jeito que saudamos o Castellano.
Valha-me...
— Não sabia que tinha vindo com seguranças — o Castellano comenta, e eu suspiro, me sentando na cadeira aqui.
— Um Martini, por favor — peço, para o barman e o mesmo assente.
— Eles não são meus — respondo-o, e ele franze o cenho.
— Foi o Moreau quem os mandou? — ele pergunta, e eu sorrio.
Antes fosse.
— Mais ou menos isso — sou curta, e ele assente.
— Bem, infelizmente a minha idade não me permite ficar aqui por mais tempo — ele fala, e o moço entrega as bebidas que a Kaiane e eu pedimos.
— Um brinde! — ele diz, e brindamos todos.
— Até mais! — ele diz, se despendido.
Mas faz um sinal para o Laurent, que sai com ele.
— Então... — o Apollo fala, chamando a minha atenção, me encarando com os seus belos olhos levemente puxados. — Ainda chateada comigo? — ele pergunta, e eu sorrio.
Ele é um fofo mesmo sem querer.
Levo o Martini até a boca e tomo.
— Ainda — afirmo. — Mas... — eu falo, e ele sorri.
— Mas? — ele pergunta.
— Eu perdoo você, se me passar o vídeo de ontem — falo, e ele alterna o olhar do meu para a Kaiane.
— O que pretende fazer com ele? — ela pergunta, e eu dou de ombros.
— Você verá — respondo, e volto a olhar para o Apollo.
— Você é uma pequena chantagista, não é? — ele pergunta, e eu sorrio.
— Assinaremos o nosso contrato de tréguas ou não, Apollo? — pergunto, e ele sorri.
— Eu entrego o pendrive para você — ele afirma, e eu sorrio feliz.
Eles vão cancelar esse casamento.
Eles terão de o fazer.
— Eu lamento por tudo o que aconteceu, Selene — ele diz. — De verdade — ele afirma, me fazendo sorrir.
— Está tudo bem — respondo.
— Uh, eu adoro essa música! — a Kaiane diz, indo até a pista sem nem piscar e eu sorrio, voltando a olhar para o ser na minha frente.
— Eh... — céus. — Como ficou... o senhor Anakin? — pergunto, sobre o pai do Laurent.
— Muito bem! — ele responde e eu sorrio. — Ele é duro na queda, não tem com o que se preocupar — a calmaria deles, não devia me deixar tão assustada.
— Eu achei que alguma coisa tivesse acontecido — comento. — Eu conhecia o senhor Anakin, mas nunca soube que era o pai do Laurent — falo, minimamente confusa. — Quando eu descubro, que ele não só é pai, a richa entre ele e o meu pai, atravessa uma barreira que eu nunca tinha visto entre os dois e, de repente, o pai do meu na... do Laurent está na cama de um hospital, por conta dele — eu vou falando.
— E, quando dou por mim... o filho que ninguém sabia que ele tinha, vem para esse lugar onde as notícias correm rápido como o vento, e onde ele certamente nunca o manteve e escondeu, por medo de que alguma coisa acontecesse — falo, e ele me observa.
— O que está acontecendo, Apollo? — pergunto.
— Você conhece o seu pai — ele diz, e o meu rosto ruboriza. — E sabe como as coisas por aqui funcionam — ele comenta, e eu engulo em seco.
O que eu menos esperava é que o Laurent pudesse estar envolvido com tudo isso também.
O meu olhar vai na sua direção, sem que eu conseguisse controlar, e os meus olhos não veem absolutamente nada que me agrada.
A Leila está lá, muito feliz o que significa que ele não fez o que disse que faria.
Eu estou com raiva?
Estou! Eu não consigo controlar o que eu sinto.
Volto a olhar para frente, e vejo um homem fardado a segurança vir falar ao ouvido do Apollo, que de acessível, passou para o oposto, eu não o consigo ler.
Tal como o Laurent, quando ambos ficam desse jeito, ficam intimidantes.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, alerta.
Eu conheço melhor que ninguém essa movimentação.
— Não — claro que ele ia dizer não. — Eu já volto — ele diz, levantando-se e o que eu faço?
Nada.
Ele se vai e eu fico aqui.
Eu podia me juntar a Kaiane que já tem companhia de umas moças, mas eu estou genuinamente sem vontade alguma.
Termino num gole o Martini, me segurando para não voltar a olhar na direção deles.
— Quer outra? — o moço pergunta.
— Ela não vai tomar mais nada, não é, meu amor? — oh...
A voz dele me deixou enojada no mesmo instante em que chegou e parou do meu lado.
— Desgruda de mim, Zade — falo, tirando a mão que ele colocou bem na minha cintura ao chegar.
— Está tudo bem, senhorita? — o moço pergunta, parecendo genuinamente preocupado.
— Por que ela não estaria bem, com o noivo? Hamn? — céus. — Cuide da sua vida, rapaz — ele diz, e eu viro-me para ele.
— O que você pensa que está fazendo? — questiono, ultrajada. — Porque mandou todos aqueles homens para a minha porta? Quem você pensa que é? — o seu olhar se torna frio, e assustador.
— O seu noivo — ele responde, segurando no meu braço, e com força. — Eu tenho feito de tudo por você, e o seu comportamento já está começando a me deixar chateado — ele diz, e por mais que eu tente soltar a minha mão, eu consigo.
— Me solta — eu falo, entredentes.
— Ela mandou você a soltar — o Laurent diz, chegando do nada, e já tirando o aperto do Zade de mim.
Um alívio, eu achei que ele ia acabar deslocando alguma coisa minha com esse aperto de tão forte que era.
— Não se meta no assunto que não lhe convém, Laurent — o Zade diz. — Ela agora é a minha noiva, a minha mulher... — o Laurent praticamente o engole com a presença dele.
— Sua mulher é o c*****o — o maxilar dele está cerrado, sua mão o pegou pela camisa, afastando-o de mim, e eu estou atordoada. — Acha que a Selene é sua, porque você é canalha o suficiente para obrigá-la a fazer o que não quer? Hamn?! — com isso, eu só vi o punho dele encontrar o rosto do Zade que bateu na bancada e caiu no chão.
Meu coração está a mil, e eu me levantei exasperada.
Pasma.
Eu nunca vi o Laurent desse jeito, o que me deixa atraída, mas simultaneamente assustada.
Foi um golpe e o rosto do Zade está sangrando, acho que o lábio racho e o nariz quebrou.
Ao mesmo tempo, que eu quero agradecer, eu não quero até porque minutos atrás ele estava com a noiva dele.
No meio do caos que aqui está, eu simplesmente saí em direção ao banheiro.
Mal chego a porta, e a pegada de alguém que eu conheço muito bem no meu braço, impedi-me de entrar. No segundo seguinte, não só as minhas pernas ficaram bambas, como eu estava encurralada entre ele e a parede.
Sem saber se deixo que o fogo que me tomou me consuma ou arrase com ele.
Levanto o meu olhar para o seu da cor do oceano, já que ele tem quase dois metros, graças a Deus, e o meu rosto ruboriza.
— Me deixe ir, Laurent — não me deixe.
— Para de fazer isso comigo — ele diz, e a voz dele...
Misericórdia.
— Você sabe o que está fazendo — ele afirma, e eu suspiro, frustrada, olhando para ele, ebulindo.
— Você viu o que está fazendo? — pergunto. — Com quem está? — questiono, revoltada.
Quando passa alguém aqui no corredor, e o seu instinto foi me meter no banheiro feminino, cuja porta era ao lado, igualmente revoltado.
Felizmente, não tem ninguém.