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1846 Words
CAPÍTULO DEZASSETE. Selene Moreau Tensão inexplicável, um tsunami de sentimentos explodindo simultaneamente, e o meu corpo ebulindo mediante a visão surreal que os meus olhos estão tendo. Não é como se eles pudessem se habituar a olhar para uma... obra-prima. Não é? — Eu fico feliz que tenha se dado conta do quão canalha e i****a você foi, Laurent — eu falo. — Nunca é tarde demais para reconhecer quem se é de verdade — falo, e ele me encara. — Tirando o fato de ter me chamado de canalha, é apenas isso que tem para me dizer? — ele pergunta, e eu assinto indo contra a vontade de fazer o oposto. — Eu penso que deixei claro o que eu disse ontem — falo, e ele olha para o teto, e suspira como se pedisse por paciência. — Selene, já chega não? — ele pergunta retoricamente, e eu o encaro, colocando a minha mão na cintura. — Chega de quê, Laurent? O que você queria que eu fizesse? — pergunto, frustrada. — Que eu pulasse de alegria por ter descoberto que caiu numa armadilha e que eu não sou nada do que você julgou que eu fosse? — pergunto sobre o olhar dele — Queria que eu pulasse nos seus braços, que eu dissesse que fiquei com você preso na maldita da minha cabeça por sete malditos meses, enquanto você estava sendo o canalha que sempre foi, mas a diferença é que agora é noivo? — pergunto frustrada, e eu vejo o seu maxilar cerrar enquanto ele suspira. Coisa mais atraente? Nunca vi. — Esse noivado é uma farsa, faz parte do interesse da minha família e eu não prosseguirei com ele — ele diz. — Eu não devia ter sequer iniciado — fala, e o meu coração falha por milésimos. — E eu não pretendo deixar que você se case com aquele canalha — completa, e eu sorrio, amargurada. — Eu não ia casar de qualquer jeito, porque eu vou me virar, sozinha. Eu não preciso de você — falo, e talvez... só talvez, eu tenha mexido um pouco com o ego dele. — Eu não pretendo perder você — eu estou molhada e não é de água do mar. — Tente o seu melhor — respondo, segurando o sorriso que ameaçou tomar o meu rosto, e a fraqueza ridícula nas minhas pernas. Botei os meus pés para me tirar desse banheiro na velocidade da luz, antes que eu perdesse a batalha que eu estou lutando para não perder. Mal dou um passo para fora, e o suspiro que eu dei parecia estar preso dentro de mim há séculos. Caraca... Saio do corredor, antes que nos esbarremos por aqui também, com o meu coração à mil. — Selene, está tudo bem? — o moço que está cuidando da minha prancha pergunta, me encarando genuinamente preocupado. — Eh... eu estou — acho. — Por quê? — pergunto. — Você está vermelha — claro que eu estou. — Eu acho que devo voltar a passar protetor solar, só isso — respondo, engolindo em seco. — E aí, tudo bem com ela? — pergunto, querendo mudar de assunto. — Tudo! — ele afirma. — E já passei wax nela novamente, não tem com o que se preocupar — ele afirma, e eu assinto. — Muito obrigada! — agradeço. — Então, eu vou voltar — falo, pegando na prancha, e ele pega nela também. — Quando estiver comigo não tem de se preocupar em carregá-la... — ele diz, mas no instante seguinte, a prancha já havia sido levantada, por um braço forte, levemente e atraentemente tatuado. — Ela não vai precisar — ele diz, sarcástico, e ainda pisca o olho para ele, e sai andando na minha frente, com a minha prancha, exibindo as costas másculas e fortes dele. Misericórdia. — O que você acha que está fazendo? — pergunto. — Tentando — responde. — É o que você quer, não? — ele pergunta, sarcástico, e sinceramente eu não consegui conter o sorriso. — Você é doido — falo. — Esse é um feito só seu, me deixar doido — fala, olhando para mim. — Devia ficar feliz, sirena — sirena... Eu estava com saudades do apelido que ele me deu. — Eu li que sirenas não são criaturas nada bondosas e bonitas, parece mais uma ofensa — falo, caminhando com ele até lá. — Então, você é a única bonita entre elas — ele diz, e ah! — Você acabou de me chamar de maléfica? — pergunto, inconformada, e ele inclina a cabeça subtilmente de maneira condescendente. — Você está me torturando, acha que eu chamaria você de bondosa, Selene? — ele pergunta, atiçador. Ele está me provocando... A maneira que ele fala, como fala, ele sabe muito bem o que faz. — Nem que eu lançasse você de um prédio de trinta e três andares para baixo e jogasse você num rio cheio de piranhas, estaríamos quites — falo. — Me odeia tanto assim? — pergunta. — Odeio — respondo, sorrindo para ele e ele faz o mesmo, me fazendo sorrir mesmo. Um i****a. — Meu amor... O que está fazendo? — a Leila pergunta, assim que chegamos onde todos estão, e ele equilibra a minha prancha na areia. — Eu vou me preparar — ele diz, ignorando completamente a Leila, e sai logo em seguida com o Apollo que o seguiu. — O que estava fazendo com ele? — ela pergunta, se virando para mim. — Pareceu que eu estava fazendo alguma coisa com ele? — pergunto, irritada com ela na minha frente. — Eu sei o que está tentando fazer e não vai dar certo — ela diz em tom de ameaça, e eu pouso o meu olhar no rosto dela. — Ele é o meu noivo, e eu quero você distante dele — ah! — Você é muito cara de p*u, não é? — Kaiane pergunta ultrajada. — Como você disse, ele é seu noivo e não eu — pontuo. — Não me irrite, e vá educar você, o seu noivo — respondo, me sentando com a Kaiane. Ela sai daqui exalando a ódio, e isso me deixa feliz. Julguem! — O que foi isso? Eu já posso ficar feliz? — a Kaiane não demorou. — Não, você deve continuar triste — respondo. — Você está sorrindo... — ela comenta, sugestiva, me fazendo rir. — Ele disse que ele foi um i****a e canalha, e eu concordei — falo, e ela sorri. — E eu disse o odiava, foi um alívio para o meu peito — falo, extremamente mais relaxada, me encostando a espreguiçadeira, e ela ri. — O seu romantismo é tão... delicado — ela diz, me gozando, e eu dou de ombros orgulhosa de mim. — Ele disse também que o noivado é basicamente como o meu e o do Zade — conto, e ela revira os olhos. — Não é como se nós não soubéssemos, ele é um Duvall, e está numa briga com o seu pai — ela diz. — Esses casamentos são benéficos para os negócios de ambas famílias, uma contra a outra — ela diz. — Enfim, ele disse que não quer me perder — eu conto, sentindo o meu rosto ruborizar, e ela literalmente pula na espreguiçadeira. — Então acabou? Você o perdoou, não perdoou? — ela pergunta, e eu suspiro. — Claro que não — respondo. — Não foi porque ele se deu conta do que fez, que eu irei me esquecer de tudo o que eu passei por conta dele, Kaiane — eu falo. — Eu disse para ele tentar o melhor dele — respondo, observando o mar, feliz. — Eu não posso dizer que não seja justo — ao menos nisso ela concorda comigo. Eu não pretendo derramar mais uma lágrima sequer daqui em diante. — Bem, falando nisso, que horas essa competição acaba? — ela pergunta. — A assistente do senhor Castellano mandou mensagem, marcando uma reunião para as dez — ela fala, e eu suspiro. — Já vamos para às nove — ela avisa. — Já vai começar, relaxe — falo, e no mesmo instante a voz do narrador começa a soar. — Até já! — falo me levantando, pegando na minha prancha e me aproxima mais da área da competição. — Vamos, Selene! — ela grita e eu sorrio, equilibrando a minha prancha na areia, e me sentando para colocar a leash na minha perna. E adivinhei, o Laurent foi logo na primeira bateria, e como era de se saber, não só foi excelente, como também passou para a final de amanhã. Mas, dos quatro que irão participar eu faço parte, também! Mal anunciaram os finalistas, e o horário de chegada de amanhã, a Kaiane me puxou lá para o quarto. Nem deu tempo para falar, nós só chegamos na sala de reuniões uns quinze minutos atrasadas. Mas, aparentemente o Castellano não está chateado, e sim nervoso. Ah, ele chamou também o Laurent, e o Apollo está aqui também. Eu acho que ele está aborrecido, porque ele é amigo do Laurent e não assistente. Na verdade, eu não sei bem o que o Apollo faz, ele parece segurança, mas não é segurança... eu só sei que ele é muito divertido. — Me desculpe pelo atraso, senhor Castellano — falo, me sentando e ele assente com um sorriso nervoso. — Sem problemas — ele diz. — Eu não sabia que surfava também, teria preparado algo de acordo para a vossa estadia — ele comenta. — Isso está ótimo — digo, olhando para frente. — Vejo que chamou-nos os dois outra vez — comento, virando o olhar para o senhor Castellano novamente, não conseguindo sustentando o olhar com o canalha na minha frente. — É... — ele balbucia. — Essa foi uma decisão difícil, e nada mais justo falar com ambos simultaneamente — ele diz. — Nós optamos... — eu o interrompo. O interrompo, porque o meu ego ferido ordena. Eu não estava falando as coisas só por falar. Todos eles vão lidar com os seus próprios atos. — Eu aceito a sua proposta de sociedade — falo, e aparentemente foi um choque. Levanto o meu olhar para o Laurent, que já me encarava, e com um pequeno sorriso de lado. Oh, eu acho que ele me entendeu. — Isso claro, se o senhor Laurent Duvall estiver interessado — falo, e ele olha para o Castellano. — Terminamos com isso, Castellano? — ele pergunta e eu sorrio. — Isso foi uma surpresa! Boa, muito boa! — ele exclama, contente, fazendo-nos rir. — Finalizaremos então essa sociedade com sucesso! — ele diz, se levantando. — Aqui está o contrato apresentando na direção anterior — o advogado diz, e a assistente do Castellano nos passa, e assinamos. A cabeça do senhor Moreau irá explodir, mas eu estou aí? Não, eu não estou aí para nada. — Celebremos essa sociedade essa noite? — ele pergunta. — Claro! — afirmamos. Uma última noite para festejar o início do tormento que eu devolverei a cada um deles.
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