Alta

1011 Words
Dias depois ao qual recebi a visita de André estava bem o suficiente para me liberarem, sim tanto minha saúde física quanto minha saúde mental estavam em um quadro de evolução e melhora constantes. – Carol hoje já pode ir para casa. - entrou uma Virna sorridente e saltitante no quarto. - Ansiosa? - Apavorada! O que vai ser da minha vida agora? Eu não tenho amigos ou família e não tenho um emprego. Deus sabe quanto à de verdade quando digo que não queria minha alta agora, porque realmente eu não tenho planos, como bem sabemos o último plano que fiz para a minha vida não deu muito certo, não é? - Vamos, anime-se! Esta é a sua segunda chance, aproveite cada momento desta nova etapa da sua vida. – Segunda chance de que? Eu nem sei por onde começar e já sinto que falharei miseravelmente. – Carol eu já volto, não vou me demorar. A louca saiu do quarto com um sorriso capcioso e me deixou falando sozinha, cada dia aprendo a gostar mais e mais dela. Vinte minutos após sua saída dramática ela retorna com o doutor Gustavo e com um sorriso vitorioso. - Boa tarde doutor. – Olá Carolina. - Depois da visita de André está é a primeira vez que estou o vendo. – Eu tive uma ideia e sei que é brilhante. Confesso tive mais certeza quando o doutor concordou comigo. – Estou curiosa Virna.... fale de uma vez. – Abriu uma vaga para assistente na cozinha e você pode começar amanhã. – Isso é sério doutor? - Eu não estou acreditando, depois de tudo o que fizeram por mim, ainda sempre encontram algo a mais para fazer. – Sim Carolina, sei que já trabalhou em uma lanchonete então será fácil a adaptação, isso é claro se você aceitar. – Claro eu aceito. Muito obrigada mesmo Virna e doutor não tenho palavras. – Seu horário é das cinco da manhã às duas da tarde com uma hora de almoço, que será sempre após o almoço dos internos. Seu trabalho se resumirá basicamente em ajudar na preparação do café da manhã e do almoço e ajudar a limpar a cozinha depois, não haverá contato com os internos. Quanto ao salário é base da categoria. – Para mim está ótimo. Vocês me salvando mais uma vez, novamente não sei como agradecer. – Agradeça a Virna. A mim basta que faça um bom trabalho. Virna – disse se dirigindo a enfermeira – cuide da papelada sim? Preciso ir, sua alta está assinada. Te vejo amanhã. Nem tempo de responder eu tive, pois ele saiu logo que terminou de falar. – Obrigada mais uma vez Virna, por tudo. – Não tem que agradecer, afinal é o que os amigos fazem certo? Eles cuidam uns dos outros. Sim, Virna era minha amiga, a que esteve comigo quando eu mais precisei e que não desistiu mesmo quando eu não mereci. – Sempre! Agora vou arrumar minhas coisas e vou para casa, preciso me preparar para o dia de amanhã. – Vai ficar bem em entrar lá sozinha depois de tudo o que aconteceu? – Eu consigo fique tranquila. Era a casa dos meus pais e me apegarei as boas lembranças. – Isso tente se lembrar somente do que foi bom, por menor que sejam. – Virna... aconteceu alguma coisa? O doutor Gustavo está..... diferente! – Não que eu saiba, mas concordo com você. Antes ele vinha te ver mais e sempre estava preocupado e agora se mantém o mais longe possível, eu posso estar errada mais acho que ele gosta de você. – Eu também gosto dele, assim como gosto de você. As únicas duas pessoas no mundo que se importam comigo hoje. – Não é deste gostar que estou falando. Desde que chegou ele pegou pessoalmente o seu caso. Carol ele é o dono da clínica e tem vários médicos para cuidar dos pacientes., não me lembro a última vez em que ele próprio atendeu um paciente. – Ele deveria estar com pena de mim, uma suicida fracassada sem ninguém para contar. – Nunca o vi tratar alguém como te trata. Te pegou no colo toda suja aquela vez, ainda teve a história com o seu ex marido e agora ele evita você. Acho mesmo que ele se apegou de alguma forma. – Acho que a louca aqui é você. Ele gostando de mim? Uma piada de muito m*l gosto, eu sou somente eu… com tudo o que te contei. Ele é um homem bom sem contar que é um gato, pessoas como ele não gostam de pessoas como eu. – Pessoas como você? Bonita, educada e encantadora? – Não… viciada, estúpida e suicida. – Se poupe Carol todos temos algo na vida ao qual não nos orgulhamos. – Claro no meu caso a minha vida toda. – Segura a onda do drama queridinha. Tem pessoas em situação pior e como o otimismo sempre lá em cima. Se você quer que sua vida dê certo, precisa mudar o seu ponto de vista. Deixar de ser coitadinha e virar a autora de sua própria vida. – Tudo bem você venceu. Vou arrumar minhas coisas e vou pra casa, quero lavar ela toda se possível até o teto. – Cuidado com o braço, não queremos uma cicatriz horrorosa, queremos um fino traço. – Sim senhora mamãe. - O riso era fácil com minha nova amiga, eu conseguia me sentir mais leve quando estava ao seu lado. E com o dedo do meio em riste apontado para mim ela saiu do quarto para que eu pudesse ajuntar meus pertences. Vida, eu voltei, sei que não vai ser fácil e que vai ser mais de um tipo de leão por dia que eu terei de enfrentar mas eu estou realmente empenhada em tentar, agora estou tendo bastante apoio dos meus novos amigos e poder trabalhar com eles vai fazer que continuem a me fazer bem. E se nada der certo, bom já sei como fazer, ir para um lugar longe e morrer em paz.
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