Controle

1128 Words
Andréia sentiu o olhar dos seguranças sobre ela durante toda a sessão de fotos. Pesado. Constante. Sufocante. Era como se qualquer movimento ao redor dela precisasse ser analisado, autorizado e controlado antes mesmo de acontecer. E tudo piorou depois que Luca segurou sua mão. O fotógrafo parecia não perceber completamente o ambiente em que estava entrando. Ou talvez percebesse… e simplesmente não ligasse. O que era ainda pior. Andréia trocava de roupa no camarim quando ouviu duas batidas na porta. Levi entrou primeiro. Tenso. Levi: Seu marido já sabe. Ela fechou os olhos imediatamente. Claro que sabia. Dante Valenti sempre sabia. Andréia: O que exatamente ele sabe? Levi soltou um riso nervoso. Levi: Que o fotógrafo encostou em você. Ela apoiou as mãos na penteadeira. Andréia: Meu Deus… Levi caminhou de um lado para o outro. Levi: Eu não tô exagerando quando digo que aquele homem me assusta. Andréia observou o próprio reflexo no espelho. Bonita. Arrumada. Perfeita por fora. Mas cansada por dentro. Porque amar Dante significava viver constantemente dentro da cabeça perigosa dele. E aquilo consumia. Lentamente. Andréia: Ele não vai fazer nada. Mas nem ela acreditou totalmente na própria frase. Levi a encarou incrédulo. Levi: Andréia… teu marido já mandou quebrar a mão de um cara porque ele tentou te abraçar numa festa. Silêncio. Ela lembrava. E infelizmente lembrava bem demais. — Naquela noite. Dante Valenti chegou na mansão mais tarde do que o normal. O som da porta principal ecoou pelo enorme corredor pouco depois das onze. Andréia estava sentada no sofá da sala principal tentando ler um livro. Tentando. Porque o nervosismo não deixava. Ela ergueu os olhos lentamente quando ele entrou. O terno preto impecável. As mãos nos bolsos. O olhar frio. E o silêncio mortal que sempre surgia antes dele perder o controle. Os seguranças desapareceram discretamente do ambiente. Como se já soubessem. Dante Valenti caminhou devagar até o bar de vidro próximo da lareira e serviu whisky. Sem olhar pra ela. Sem falar. Aquilo era pior. Muito pior. Andréia fechou o livro lentamente. Andréia: Você demorou. Silêncio. Dante Valenti tomou um gole da bebida. Dante Valenti: Quem era ele. Não foi pergunta. Foi cobrança. Ela respirou fundo. Andréia: O fotógrafo. Dante Valenti: Eu sei o que ele faz. A voz saiu fria. Cortante. Ele finalmente virou o rosto na direção dela. E Andréia sentiu o peito apertar. Porque aqueles olhos estavam escuros. Perigosamente escuros. Dante Valenti: Quero saber quem ele pensa que é pra tocar na minha esposa. Ela levantou devagar do sofá. Tentando manter a calma. Andréia: Foi um cumprimento normal. Dante Valenti soltou uma risada baixa. Sem humor algum. Dante Valenti: Normal? Ele caminhou lentamente até ela. Cada passo pesado sobre o mármore parecia aumentar a tensão dentro da sala. Dante Valenti: Você realmente acha normal outro homem encostar em você? Andréia: Dante… Dante Valenti: Responde. O tom mais firme fez o coração dela acelerar. Ela cruzou os braços tentando se manter firme. Andréia: Você tá exagerando. Aquilo foi um erro. Ela percebeu imediatamente. Porque o maxilar dele travou. Os olhos escureceram ainda mais. E o silêncio que veio depois… foi assustador. Dante Valenti se aproximou até ficar perto demais. A mão dele segurou o rosto dela com firmeza. Não machucando. Mas controlando. Como sempre. Dante Valenti: Você acha exagero porque nunca viu até onde eu consigo ir por você. O arrepio percorreu o corpo inteiro dela. A voz dele estava baixa. Calma. Mas cheia de algo obsessivo. Doentio. Dante Valenti: Homens olham pra você como se tivessem direito. A mão dele deslizou lentamente pelo pescoço dela. Firme. Possessiva. Dante Valenti: E eu odeio isso. Andréia engoliu seco. Porque parte dela entendia. Mas outra parte começava a sentir medo da intensidade daquele sentimento. Ela segurou o pulso dele devagar. Andréia: Eu sou sua esposa… não sua propriedade. Silêncio. Perigoso. Os olhos dele mudaram naquele instante. Mais frios. Mais profundos. Mais escuros. Dante Valenti: Repete. Ela percebeu tarde demais. Mas já era impossível voltar atrás. Andréia: Eu disse que— Dante Valenti: Eu ouvi. A voz saiu baixa. Mortal. Ele aproximou ainda mais o rosto. Dante Valenti: Você realmente acredita que existe alguma coisa nesse mundo que eu ame mais do que você? Ela não respondeu. Porque sabia. Sabia da resposta. E talvez fosse exatamente isso que assustava tanto. Dante fechou os olhos por um segundo antes de encostar a testa na dela. Dante Valenti: Você não entende. A voz saiu diferente agora. Mais baixa. Quase cansada. Dante Valenti: Eu penso em você o tempo inteiro. Andréia sentiu o peito apertar. Dante Valenti: Quando acordo. Uma pausa. Dante Valenti: Quando trabalho. Os dedos dele apertaram levemente a cintura dela. Dante Valenti: Quando mato alguém. O silêncio caiu pesado entre os dois. E ali estava a verdade c***l daquele relacionamento. Dante amava Andréia de forma tão intensa… que ela existia até nos momentos mais sombrios dele. Andréia: Isso não é saudável. Ele abriu os olhos devagar. Dante Valenti: Eu nunca disse que era. A sinceridade assustou mais do que qualquer mentira poderia assustar. Porque ele sabia. Sabia exatamente o tipo de homem que era. E não fazia questão de mudar. — Mais tarde naquela noite… Andréia estava deitada na cama observando o teto escuro do quarto enquanto Dante terminava uma ligação na varanda. Ela conseguia ouvir partes da conversa. Nomes. Ameaças. Ordens. Violência. A vida dele nunca parava. Nunca. Dante entrou novamente no quarto poucos minutos depois. Os olhos imediatamente caíram nela. Sempre nela. Ele retirou lentamente o relógio caro do pulso antes de se aproximar da cama. Andréia desviou os olhos. Ainda incomodada com a discussão anterior. Mas Dante não aceitava distância. Nunca. Ele puxou o corpo dela devagar pela cintura até fazê-la encarar ele novamente. Dante Valenti: Olha pra mim. Ela obedeceu. E odiava o quanto sempre obedecia. Dante passou os dedos lentamente pelos cachos dela. Observando. Quase hipnotizado. Dante Valenti: Você sabe o que faz comigo? Andréia permaneceu quieta. Porque não existia resposta certa. Ele aproximou os lábios lentamente do pescoço dela. A respiração quente causando arrepios imediatos. Dante Valenti: Você me deixa violento. O coração dela disparou. Os dedos dele apertaram a coxa dela lentamente. Dante Valenti: Egoísta. Outra pausa. Dante Valenti: Obsessivo. Os lábios tocaram sua pele devagar. Dante Valenti: Louco. Andréia fechou os olhos. Porque a pior parte… era que ela sentia a mesma intensidade crescendo dentro dela também. Mesmo sabendo que aquilo machucava. Mesmo sabendo que era errado. Dante ergueu o rosto novamente. Os olhos presos nos dela. Escuros. Dominadores. Perigosos. Dante Valenti: E ainda assim… A mão dele segurou o maxilar dela com firmeza. Dante Valenti: você continua aqui. Silêncio. Pesado. Íntimo. Doloroso. Porque ela não sabia mais viver sem ele também. E aquilo talvez fosse o começo da destruição dos dois.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD