Andréia sentiu o olhar dos seguranças sobre ela durante toda a sessão de fotos.
Pesado.
Constante.
Sufocante.
Era como se qualquer movimento ao redor dela precisasse ser analisado, autorizado e controlado antes mesmo de acontecer.
E tudo piorou depois que Luca segurou sua mão.
O fotógrafo parecia não perceber completamente o ambiente em que estava entrando.
Ou talvez percebesse… e simplesmente não ligasse.
O que era ainda pior.
Andréia trocava de roupa no camarim quando ouviu duas batidas na porta.
Levi entrou primeiro.
Tenso.
Levi: Seu marido já sabe.
Ela fechou os olhos imediatamente.
Claro que sabia.
Dante Valenti sempre sabia.
Andréia: O que exatamente ele sabe?
Levi soltou um riso nervoso.
Levi: Que o fotógrafo encostou em você.
Ela apoiou as mãos na penteadeira.
Andréia: Meu Deus…
Levi caminhou de um lado para o outro.
Levi: Eu não tô exagerando quando digo que aquele homem me assusta.
Andréia observou o próprio reflexo no espelho.
Bonita.
Arrumada.
Perfeita por fora.
Mas cansada por dentro.
Porque amar Dante significava viver constantemente dentro da cabeça perigosa dele.
E aquilo consumia.
Lentamente.
Andréia: Ele não vai fazer nada.
Mas nem ela acreditou totalmente na própria frase.
Levi a encarou incrédulo.
Levi: Andréia… teu marido já mandou quebrar a mão de um cara porque ele tentou te abraçar numa festa.
Silêncio.
Ela lembrava.
E infelizmente lembrava bem demais.
—
Naquela noite.
Dante Valenti chegou na mansão mais tarde do que o normal.
O som da porta principal ecoou pelo enorme corredor pouco depois das onze.
Andréia estava sentada no sofá da sala principal tentando ler um livro.
Tentando.
Porque o nervosismo não deixava.
Ela ergueu os olhos lentamente quando ele entrou.
O terno preto impecável.
As mãos nos bolsos.
O olhar frio.
E o silêncio mortal que sempre surgia antes dele perder o controle.
Os seguranças desapareceram discretamente do ambiente.
Como se já soubessem.
Dante Valenti caminhou devagar até o bar de vidro próximo da lareira e serviu whisky.
Sem olhar pra ela.
Sem falar.
Aquilo era pior.
Muito pior.
Andréia fechou o livro lentamente.
Andréia: Você demorou.
Silêncio.
Dante Valenti tomou um gole da bebida.
Dante Valenti: Quem era ele.
Não foi pergunta.
Foi cobrança.
Ela respirou fundo.
Andréia: O fotógrafo.
Dante Valenti: Eu sei o que ele faz.
A voz saiu fria.
Cortante.
Ele finalmente virou o rosto na direção dela.
E Andréia sentiu o peito apertar.
Porque aqueles olhos estavam escuros.
Perigosamente escuros.
Dante Valenti: Quero saber quem ele pensa que é pra tocar na minha esposa.
Ela levantou devagar do sofá.
Tentando manter a calma.
Andréia: Foi um cumprimento normal.
Dante Valenti soltou uma risada baixa.
Sem humor algum.
Dante Valenti: Normal?
Ele caminhou lentamente até ela.
Cada passo pesado sobre o mármore parecia aumentar a tensão dentro da sala.
Dante Valenti: Você realmente acha normal outro homem encostar em você?
Andréia: Dante…
Dante Valenti: Responde.
O tom mais firme fez o coração dela acelerar.
Ela cruzou os braços tentando se manter firme.
Andréia: Você tá exagerando.
Aquilo foi um erro.
Ela percebeu imediatamente.
Porque o maxilar dele travou.
Os olhos escureceram ainda mais.
E o silêncio que veio depois…
foi assustador.
Dante Valenti se aproximou até ficar perto demais.
A mão dele segurou o rosto dela com firmeza.
Não machucando.
Mas controlando.
Como sempre.
Dante Valenti: Você acha exagero porque nunca viu até onde eu consigo ir por você.
O arrepio percorreu o corpo inteiro dela.
A voz dele estava baixa.
Calma.
Mas cheia de algo obsessivo.
Doentio.
Dante Valenti: Homens olham pra você como se tivessem direito.
A mão dele deslizou lentamente pelo pescoço dela.
Firme.
Possessiva.
Dante Valenti: E eu odeio isso.
Andréia engoliu seco.
Porque parte dela entendia.
Mas outra parte começava a sentir medo da intensidade daquele sentimento.
Ela segurou o pulso dele devagar.
Andréia: Eu sou sua esposa… não sua propriedade.
Silêncio.
Perigoso.
Os olhos dele mudaram naquele instante.
Mais frios.
Mais profundos.
Mais escuros.
Dante Valenti: Repete.
Ela percebeu tarde demais.
Mas já era impossível voltar atrás.
Andréia: Eu disse que—
Dante Valenti: Eu ouvi.
A voz saiu baixa.
Mortal.
Ele aproximou ainda mais o rosto.
Dante Valenti: Você realmente acredita que existe alguma coisa nesse mundo que eu ame mais do que você?
Ela não respondeu.
Porque sabia.
Sabia da resposta.
E talvez fosse exatamente isso que assustava tanto.
Dante fechou os olhos por um segundo antes de encostar a testa na dela.
Dante Valenti: Você não entende.
A voz saiu diferente agora.
Mais baixa.
Quase cansada.
Dante Valenti: Eu penso em você o tempo inteiro.
Andréia sentiu o peito apertar.
Dante Valenti: Quando acordo.
Uma pausa.
Dante Valenti: Quando trabalho.
Os dedos dele apertaram levemente a cintura dela.
Dante Valenti: Quando mato alguém.
O silêncio caiu pesado entre os dois.
E ali estava a verdade c***l daquele relacionamento.
Dante amava Andréia de forma tão intensa…
que ela existia até nos momentos mais sombrios dele.
Andréia: Isso não é saudável.
Ele abriu os olhos devagar.
Dante Valenti: Eu nunca disse que era.
A sinceridade assustou mais do que qualquer mentira poderia assustar.
Porque ele sabia.
Sabia exatamente o tipo de homem que era.
E não fazia questão de mudar.
—
Mais tarde naquela noite…
Andréia estava deitada na cama observando o teto escuro do quarto enquanto Dante terminava uma ligação na varanda.
Ela conseguia ouvir partes da conversa.
Nomes.
Ameaças.
Ordens.
Violência.
A vida dele nunca parava.
Nunca.
Dante entrou novamente no quarto poucos minutos depois.
Os olhos imediatamente caíram nela.
Sempre nela.
Ele retirou lentamente o relógio caro do pulso antes de se aproximar da cama.
Andréia desviou os olhos.
Ainda incomodada com a discussão anterior.
Mas Dante não aceitava distância.
Nunca.
Ele puxou o corpo dela devagar pela cintura até fazê-la encarar ele novamente.
Dante Valenti: Olha pra mim.
Ela obedeceu.
E odiava o quanto sempre obedecia.
Dante passou os dedos lentamente pelos cachos dela.
Observando.
Quase hipnotizado.
Dante Valenti: Você sabe o que faz comigo?
Andréia permaneceu quieta.
Porque não existia resposta certa.
Ele aproximou os lábios lentamente do pescoço dela.
A respiração quente causando arrepios imediatos.
Dante Valenti: Você me deixa violento.
O coração dela disparou.
Os dedos dele apertaram a coxa dela lentamente.
Dante Valenti: Egoísta.
Outra pausa.
Dante Valenti: Obsessivo.
Os lábios tocaram sua pele devagar.
Dante Valenti: Louco.
Andréia fechou os olhos.
Porque a pior parte…
era que ela sentia a mesma intensidade crescendo dentro dela também.
Mesmo sabendo que aquilo machucava.
Mesmo sabendo que era errado.
Dante ergueu o rosto novamente.
Os olhos presos nos dela.
Escuros.
Dominadores.
Perigosos.
Dante Valenti: E ainda assim…
A mão dele segurou o maxilar dela com firmeza.
Dante Valenti: você continua aqui.
Silêncio.
Pesado.
Íntimo.
Doloroso.
Porque ela não sabia mais viver sem ele também.
E aquilo talvez fosse o começo da destruição dos dois.