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711 Words
CAPÍTULO 14 — JUJU NARRANDO Depois de toda a conversa daquela manhã, eu tentei agir como se nada tivesse acontecido, mas era impossível. Meu corpo ainda sentia o peso da madrugada e, toda vez que eu fazia algum movimento mais brusco, lembrava da noite anterior. Eu estava um pouco dolorida e, apesar de tentar não demonstrar, Mah já tinha percebido. Essa mulher me conhecia demais. No fim da tarde, estávamos as três espalhadas pela sala, cada uma mexendo no próprio celular, quando Lili levantou a cabeça. — Gente, vamos pedir sushi? Mah imediatamente concordou. — Pelo amor de Deus. Não aguento mais comer pizza. — Eu topo — falei. Lili abriu o aplicativo e começou a escolher os pratos. — Tem combinado de salmão, hot, tem temaki… — Pede bastante — Mah falou. — Estou com fome. — Você está sempre com fome — provoquei. — E você está sempre de olho no que eu como. — Porque você vai acabar com nosso estoque. Nós três rimos. Eu me levantei devagar do sofá. — Vou tomar um banho. — Você está com dor ainda? — Mah perguntou baixinho. Olhei para ela com uma expressão de aviso. — Estou. Ela tentou segurar o sorriso. — Não vou falar nada. — Melhor mesmo. Subi para o quarto e entrei no banheiro. O banho quente foi exatamente o que eu precisava. Fiquei alguns minutos debaixo da água, tentando relaxar e tirar da cabeça tudo o que tinha acontecido. Quando fechei os olhos, porém, a lembrança dele voltou. Tubarão. Aquela voz grossa. Aquele olhar. Aquele jeito de me fazer esquecer completamente que eu tinha passado dois anos evitando qualquer homem. Abri os olhos rapidamente. — Para com isso, Juju. Eu precisava parar de pensar nele. Depois do banho, fui até o quarto e escolhi uma roupa simples. Coloquei uma saia curtinha e um cropped preto tomara que caia. Não estava me arrumando para sair. Era só para ficar em casa mesmo, mas eu sempre gostava de estar bonita, mesmo quando ninguém ia me ver. Passei um hidratante, soltei o cabelo e coloquei uma rasteirinha. Quando desci, encontrei Mah e Lili na sala. Lili estava sorrindo para o celular. — Que cara é essa? — perguntei. Ela levantou os olhos. — Liguei para o Jorge. Parei no meio da sala. — Você ligou? — Liguei. — E? Ela abriu um sorriso enorme. — Ele está vindo para cá. Mah arregalou os olhos. — Aqui? — Aqui. — Agora? — Agora. Eu olhei para a casa. — Mas está uma bagunça. Mah olhou ao redor. — Está nada. — Está sim. — Juju, a casa está ótima. Lili começou a rir. — Relaxa. Ele vem conversar e comer sushi. — Só ele? Ela fez uma pausa proposital. — Ele vai trazer um amigo. Mah imediatamente olhou para mim. — Amigo? Lili apontou para ela. — Sim. Mah ficou desconfiada. — Que amigo? Lili começou a rir. — Um gato. Mah jogou uma almofada nela. — Para! — Estou falando sério! O amigo dele é lindo. Eu comecei a rir. — E você já está tentando arrumar homem para a Mah? — Claro! Ela precisa sair dessa vida de solteirona. — Eu estou muito bem solteira — Mah respondeu. Lili cruzou os braços. — Está nada. — Estou sim. — Então espera o amigo do Jorge chegar. Mah fez uma careta. — E se eu não gostar? Lili deu de ombros. — Aí você não gosta. Mas pelo menos vai ver um gato hoje. Eu me sentei no sofá, tentando esconder meu sorriso. — Vocês são impossíveis. Lili voltou a mexer no celular. — Jorge disse que está chegando. Meu coração bateu um pouco mais rápido. Não sei por quê. Talvez porque eu lembrasse que Jorge era o homem que Lili tinha conhecido. Talvez porque ele estivesse trazendo um amigo. Ou talvez porque, desde aquela madrugada, uma parte de mim tivesse a sensação estranha de que aquela história ainda não tinha terminado. — Juju? — Mah chamou. — Hm? — Você está viajando. Balancei a cabeça. — Nada. Mas era mentira. Eu estava pensando em Tubarão. E nem imaginava que, naquela noite, o homem que eu tinha conhecido por acaso estava prestes a entrar novamente na minha vida.
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