Prodígios

823 Words
– Como é possível que você acabe com a nossa felicidade sempre que estamos estabelecidos num lugar? Porque não pode ser normal uma vez na vida? – É a primeira pergunta que a minha mãe, ou melhor, a mulher que me adotou me faz ao chegarmos em casa. Meu nome é Maddah Cox e eu sou uma aberração da natureza. É o que os meus pais têm me dito a maior parte da minha vida e eu estou começando a acreditar no que eles dizem. Eu morei em um orfanato a maior parte da minha infância, mas fui adotada aos 8 anos de idade por Grace e Layon Cox. Lembro de quando eles visitaram o orfanato pela primeira vez, me recordo de ter achado eles pessoas maravilhosas e desejei silenciosamente que me adotassem, mas eu sabia que isso seria muito difícil de acontecer já que as pessoas que visitam quase nunca adotam crianças grandes, e porque adotariam quando podem adotar um bebê ou até uma criança mais nova. Mas, para o meu completo espanto, eles me escolheram. Não sei descrever a emoção que senti quando soube que seria adotada por eles, eu fiquei eufórica e feliz por semanas até que os papéis da adoção ficassem prontos. Eles vinham me visitar e diziam que eu era bonita e inteligente, me prometeram que eu seria sua princesinha para sempre. Quando os papéis ficaram prontos, eles vieram me buscar no orfanato e eu me despedi da vida velha agradecendo pela minha vida nova que eu tinha certeza que seria repleta de felicidade e amor de pais, tudo que mais desejei em toda a minha vida. Tudo ficou bem por alguns anos, éramos felizes juntos e eu não tinha do que reclamar. Eles me davam tudo que eu precisava e mais um pouco, além de muito carinho, o sentimento era de família. Eu sentia como se eles fossem meus pais de verdade, apesar de eu saber que não, mas eu não ligava para isso. Tudo que importava era que me amavam. O que eu não sabia era que esse amor era limitado. Quando fiz 15 anos, estava tentando me livrar de uma situação na escola e acabei fazendo algo inusitado acontecer. Desde sempre, sofri bullying na escola por ser adotada e não saber quem são meus pais, as garotas ricas usavam isso contra mim sempre que podiam e os garotos não saiam comigo pelo mesmo motivo, eu era uma espécie de excluída na escola. Um dia, fugindo delas para não ser humilhada como eu era todos os dias, acabei indo parar direto na sala da diretoria. Eu não sei como eu fui parar lá, as garotas estavam quase me alcançando num corredor cheio de gente e eu desejei com toda as minhas forças chegar a um lugar que elas não pudessem me encontrar. Em um minuto eu estava no corredor e no outro, em um piscar de olhos, eu estava dentro da sala da diretoria. No fim, a diretora me pegou lá dentro e os meus pais foram chamados a ir na escola por causa disso. Desde então, eu tenho feito coisas estranhas acontecerem sem nem ao menos saber como e a minha relação com a minha família foi por água abaixo por conta desses acontecimentos. – Eu já disse que não sei como eu fiz isso, foi como mágica. – Estou tentando me explicar desde que saímos da sala da diretoria, mas é inútil. Ela ignora todas as minhas palavras como faz sempre que isso acontece. – Bobagem. Magica não existe, a verdade é que você tocou fogo no cabelo daquela pobre menina e não quer admitir. Vamos lá, Maddah, admita logo e facilite a minha vida. Preciso voltar para o trabalho do qual você me fez sair as pressas depois do seu show. – Eu já disse que não sei como fiz isso. Em um momento estava tudo bem e no outro os cabelos dela estavam pegando fogo. Só… puf. Fogo. – Digo fazendo um gesto com as mãos. – Acabamos de nos mudar e você já acabou com tudo novamente. Vá para o seu quarto, vamos ter uma conversa séria quando o seu pai chegar. Vou para o meu quarto e tranco a porta ao entrar. Jogo a mochila no chão e me deito na cama olhando para o teto. Depois me viro de lado e contemplo meu reflexo no espelho que há ao lado da cama. Tenho olhos muito verdes, na verdade, são um tanto assustadores por serem verde-claros em demasia, quase brancos e isso assusta as pessoas . Tenho cabelos longos e castanhos com ondas naturais, eles na verdade são muito loiros e eu os p***o para parecer um pouco mais normal, um rosto magro e pequeno e corpo magro também. Olhando assim, sou apenas uma pessoa normal com aparência normal. – Se sou uma pessoa normal, porque essas bizarrices acontecem comigo? – É a pergunta que ronda a minha mente.
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