Além do arco-íris

909 Words
Como eu não sabia com que tipo de pessoa eu estava lidando, eu fiz o meu melhor para não dormir durante a viagem, mas chegou um certo momento em que isso se tornou impossível e eu cai em um sono profundo e cheio de sonhos estranhos. Em um desses sonhos, eu estava correndo por uma grande floresta de árvores altas e fugia de algo, no final acabei ficando encurralada e antes que pudesse ver o que era, acordei. Antes que eu abra os olhos, sinto um cheiro característico e franzo a testa. Há um grande barulho de água não muito longe e eu sinto cheiro de mato, muito mato. Abro os olhos e encaro o enorme verde a minha frente, estamos em uma estrada de chão batido e há apenas árvores de todos os lados. Olho pela janela e consigo ver Cornelina e o motorista conversando a uma distância segura então saio do carro. Assim que eu fecho a porta, os dois se viram imediatamente. Instintivamente, levanto as minhas mãos mostrando que sou apenas eu. – Que bom que acordou, já ia te acordar. – Cornelina diz sorrindo. Ela é bem simpática, devo admitir, mas há algo sobre ela que realmente me intriga. – Sim. Onde estamos? Porque estamos no meio do mato? – Pergunto me aproximando. – A entrada da escola é por aqui. O carro só vai até aqui. – Am? – O resto do caminho é feito de barco e ele já está nos aguardando. As suas malas já foram colocadas lá então vamos. – Ela sorri antes de começar a entrar na floresta por uma pequena trilha e eu arregalo os meus olhos. O homem desconhecido, sem dizer coisa alguma, se dirige até o carro e parte pelo mesmo caminho que voltou e eu me vejo sozinha nesse lugar e sem ter escolha alguma, sigo Cornelina muito a contragosto e tentando entender em que tipo de loucura estou me metendo. Felizmente, Cornelina não vai muito longe e eu aperto o meu passo para acompanhá-la. Depois de alguns minutos andando o que eu achava que era a esmo, chegamos ao deque, há um enorme rio que parece infinito a frente e um pequeno barco onde as minhas malas já estão depositadas. Cornelina entra primeiro e eu entro logo depois e o barco parte assim que estamos a bordo, o que parece estranho para mim já que não vejo o motor e não há ninguém controlando, tampouco faz barulho. – Barco maneiro. Nunca vi um barco que andasse assim, você sabe, sozinho. – Comento observando as águas e a floresta passar por nós lentamente. – E se eu disser que ele funciona com mágica, você acreditaria? – Cornelina mira seus olhos verdes muito vivos em mim e pergunta. – É uma espécie de pegadinha que você faz com todos os iniciados? – Pergunto esperando que ela de risada e diga que é brincadeira, mas isso nunca vem dela. – Está mesmo falando sério? – Arqueio a sobrancelha em descrença. – O que sabe sobre si mesma? – Bom, fui adotada por meus pais e foi a melhor coisa que me aconteceu. Nada nunca me faltou e eu sou grata pela vida deles. Eu sempre fiz coisas estranhas e isso foi meio que desgastando a nossa relação como família, mas sei que eles me amam muito. – E sobre o seu comportamento, o que me diz? – Mesmo que eu não queira, estou sempre me metendo em ciladas que m*l sei como fiz, a última foi a gota da água para os meus pais, mesmo que eu tenha dito que não sei como os cabelos de Beca pegaram fogo, ela ainda não entende. Quer dizer, como eu poderia fazer isso? – Com mágica? – Cornelina olha para mim arqueando as sobrancelhas e parece falar sério. Dou um risinho debochado. – Claro, com mágica, se ela existisse de verdade. – Mas ela existe de verdade, você apenas não quer encarar a verdade. Como acha que conseguiria fazer algo tao extraordinário como fazer fogo? – Ela parece mais séria ainda e isso me incomoda. – Não acredito nessas coisas então desista. – Espero que esteja pronta para enfrentar essa sua frase daqui a pouco. – Cornelina diz e eu dou de ombros. Estou preparada para conviver com os delinquentes. Ficamos em silêncio e eu observo a floresta e o caminho a frente, parece que estamos no meio do nada e nunca chegamos a lugar nenhum e eu me pego pensando em que tipo de lugar maluco a minha mãe me meteu. De repente, é possível ver um arco-íris e eu fico encantada com ele pois eu adoro as cores. A medida que nos aproximamos do arco-íris, ele fica ainda mais bonito e visível e eu franzo a testa. Não é pressuposto que nunca cheguemos tao perto assim dele? O barco avança e estamos quase embaixo do mesmo e eu estou muito chocada para dizer alguma coisa, tudo que faço é olhar para ver se vamos mesmo passar por baixo dele. Finalmente, passamos embaixo dele e eu consigo sentir uma quentura me tomar e fecho os olhos, quando os abro, toda a floresta se foi e há apenas um castelo numa colina em meio e uma enorme floresta atrás. – O que é isso? – Pergunto admirando tudo ao redor e vejo o arco-íris ficando para trás. – Bem-vinda a Midgard, querida. Essa será a sua casa de hoje em diante.
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