Faço as malas em tempo recorde, tomo um banho e desço as escadas arrastando a minha mala. Normalmente meus pais não tomam decisões assim repentinas, mas eles provavelmente querem fazer uma última viagem comigo antes que eu vá para escola nova. Não gosto da ideia de ficar tao longe deles, mas vou lidar com isso.
– Já estou pronta. Para onde vamos? Espero que seja um lugar… – Desço as escadas e sorrio, mas quando levanto a cabeça para falar com os meus pais, encontro uma mulher alta vestida toda de preto em minha sala, ela é ruiva e ostenta um bom sorriso em seu rosto. – Quente. – Completo ainda olhando para ela.
– Bom, posso assegurar que é tão quente como o possível. – A mulher diz para mim e nesse momento minha mãe torna a aparecer na sala. Ela carrega uma expressão exausta e preocupada em seu rosto.
– Mãe, quem é essa pessoa? – Pergunto o mais educadamente que posso.
– Ela é a diretora da escola onde você vai estudar. Cumprimente-a.
– Sou a diretora Cornelina Roux e serei sua diretora assim que o período letivo começar. – Ela estica uma mão muito magra e branca para mim e eu aperto. Assim que nossas mãos entram em contato, sinto uma grande eletricidade passar por nós duas e puxo a minha mão. Olho para o seu rosto e ela parece impassível como se nada tivesse acontecido, será que ela sentiu também?
– É um prazer conhecê-la, senhora. Não sabia que receberia uma visita sua.
– Não se preocupe, não há o que temer. Nem eu mesmo sabia que viria a esta casa hoje, o destino que se encarregou disso. Espero que esteja pronta para iniciar seu ano letivo pois estou aqui para buscá-la, já conversei com a sua mãe e ela entendeu o porque eu precisei vir busca-la pessoalmente antes do ano letivo.
– Me buscar? – Pergunto chocada. – Mas o início das aulas era…
– Devo presumir que você não contou a ela. – Ela olha para minha mãe, que assente e volta a se virar para mim. – Eu sei o que vai dizer e eu sinto muito, mas realmente precisamos partir nesse momento por isso pegue tudo que desejar e se despeça dos seus pais.
Ela sai silenciosamente e eu olho para a minha mãe.
– Mãe? – Pergunto.
– Você precisa ir com ela, lembre-se, é para o seu próprio bem. – Nós nos abraçamos apertado e eu a sinto tensa. Deve estar com muita preocupação em seu coração. – Não se preocupe, eu virei te visitar sempre que puder.
– Certo. Agora vá, ela está esperando. – Ela diz se afastando e me levando até a porta.
– E o meu pai? Ele não vai se despedir?
– Ele saiu cedo, antes que ela chegasse mas não se preocupe, explicarei tudo a ele mais tarde quando estiver de volta do trabalho. Boa viagem. – Diz com um sorriso fraco e eu concordo.
Abraço-a pela última vez e saio puxando minha mala, há um carro estacionado em frente a casa e eu ando até ele. Há um homem todo de preto em pé ao lado do carro e faz questão de abrir a porta para mim assim que estou próxima do carro, eu entro e entrego a minha mala para ele.
Assim que estamos todos acomodados, o motorista liga o carro e estamos em movimento. Olho uma última vez para a casa dos meus pais e sinto uma enorme melancolia.
– Não fique triste, tenho certeza que você vai gostar bastante do seu destino final. Vai estar perto de pessoas iguais a você. – A diretora me consola e eu me viro para ela.
– Com iguais a mim você quer dizer delinquentes? – Solto sem querer e me arrependo segundos depois. Eu m*l cheguei na escola e já estou claramente procurando uma detenção.
– Acho que você tem muito a descobrir sobre o mundo e sobre si mesma. Descanse, a viagem é longa.
Essa, definitivamente, não era a resposta que eu estava esperando mas estou feliz de não ter tomado uma detenção. Tenho certeza que minha vida está prestes a ficar bem difícil.