- Nem tudo é para ser entendido. - Cap.3-
Quando Mel chegou em casa sua cabeça já tinha parado de doer um pouco, ela tomou um copo de água, tirou as asas de anjo e desabou em sua cama. As imagens vieram bem nítidas em seu sonho, só que por partes. Ela estava na boate seguindo Alaric. Depois viu ele através da fresta da porta, com uma menina. O garoto vestido de vampiro... Alaric matando o garoto com uma espada... o corpo pegando fogo... alguém pegando seu celular... e olhos hipnotizantes...
Ela acordou assustada e correu para o banheiro, abriu a tampa do vaso e vomitou ao lembrar da cena que tinha presenciado. Ela estava com a respiração acelerada, tinha presenciado um assassinato. Mel lavou o rosto e desceu as escadas para encontrar sua tia. Ainda não entendia porque não se lembrava da noite anterior, mas aos poucos sua memória estava voltando.
- Bom dia Melanie. - Sabine estava na cozinha tomando uma xícara de café com leite, com um sorriso radiante no rosto, usando um roupão preto.
- Humm, bom dia.
- Oque foi? Você está pálida... - Sabine correu na direção de Mel e apalpou o seu rosto. - Quer que eu chame um médico?
- Ah, não... não tia. Eu estou bem... é que acabei de vomitar e...
- Ah, entendi, tá de ressaca! Tudo bem... - Sabine riu. - Isso passa com um analgésico.
- Como foi sua noite ontem? - Mel tentou relaxar o seu corpo, não tinha certeza de nada, por isso não quis assustar a tia. Pegou um copo de água na geladeira e tomou.
- Foi... - Ela suspirou. - A melhor noite em muitos anos!
- Que demais... - Mel tentou mostrar ânimo e sorriu, mas logo imagens perturbadoras vieram a sua mente. Sentiu ânsia de vômito, e correu para seu quarto, para vomitar novamente.
- Tome isso aqui... - Sabine entrou no quarto de Mel, já usando sua roupa de domingo, um vestido branco e fino. Segurava um copo de água, e um comprimido. Mel pegou os dois e tomou o remédio.
- Obrigada... Mas eu já estou bem melhor... Só... Vou tomar um banho, e depois dar uma volta... Preciso de ar livre...
- Está bem... Qualquer coisa... Vou estar no meu quarto e você e eu vamos sair para jantar juntas hoje. - Sabine deu um beijo no rosto de Mel, pegou o copo, e saiu do quarto, fechando a porta. No mesmo instante Mel foi ao banheiro para tomar um banho relaxante de banheira.
Mel passou seu domingo tentado se lembrar exatamente oque aconteceu naquela noite, que tenha deixado ela à ponto de pensar somente nisso, por que Alaric assassinou aquele garoto? E por que ele pegou fogo? Tudo estava muito estranho, e nada fazia sentido algum, só oque ela queria, era tirar suas dúvidas, e o único jeito de fazer isso era falando com ele. Mel tentou falar com Ari, mas ela estava de cama por ter passado a noite inteira cantando, bebendo, e dançando. Depois Mel ligou para Tom, mas - Por incrivel que pareça - Ele também estava de ressaca. Oque restou foi Mel guardar oque viu para si mesma, e ir jantar com sua tia. Depois disso, Mel conseguiu dormir mais tranquila, mas tudo oque viu ainda a assombrava á noite.
No caminho da escola, Mel pensou que Alaric com certeza não apareceria. Não depois de m***r uma pessoa. Mas foi com a esperança de falar com ele, Mel tinha muito medo, mas sabia que ele não a mataria na frente de todo mundo.
Estacionou seu carro, e viu que a ferrari estava no mesmo lugar, caminhou até o portão do colégio, e tudo estava normal, os alunos só estavam lentos por causa da festa. Mas todos estavam normais, como se não soubessem de nada.
Mel caminhou pelo corredor, e entrou em sua sala, ouvindo as conversas e cochichos das meninas, e nenhuma era sobre um garoto encontrado morto na festa.
- Bom dia. - Ari chegou ainda meio sonolenta, usando um vestido preto, com uma meia calça por baixo, e o cabelo preso em um r**o de cavalo deixando suas mechas rochas a mostra. Ela sentou atras de Mel e tirou os fones de ouvido.
- Oi... Você está melhor?
- Sim estou... Mas fala sério? É meu primeiro show, e você vai embora mais cedo da festa?
- Desculpe. É que aconteceu uma coisa...
- Olá meninas. - Tom se sentou a esquerda de Mel, com um sorriso no rosto, e Mel reparou que ele estava mais arrumado, com mais gel nos cabelos, e com a gola da jaqueta jeans levantada.
- Olha só o pegador do colégio! - Ari gritou.
- Oque aconteceu? - Mel quis saber.
- É que o Tom deu uns bons amassos na Lucy.
- Estão namorando?
- Ah. Não... - Tom completou. - Ela tem um namorado.
Ari deu um ataque de risos quando ouviu isso.
- Por que saiu cedo da festa Mel?
- Eu... Eu não estava... - Mel engoliu o seco, quando Alaric entrou na sala, como sempre, conversando com uma garota ruiva, como se nada tivesse acontecido. - Eu não estava me sentindo bem.
- Ah, que ótimo! Por que tivemos que ir embora de carona com a ''namorada'' do Tom.
- Okay. Me desculpe Ari.
- Tudo bem.
- Você está melhor? - Tom quis saber.
- Estou. - Mel tentou um sorriso. Mas não parou de olhar para Alaric.
- Mudou de opinião quanto ao Alaric?
- Humm, oi?
- Garota! Em que planeta você está? - Ari explodiu.
- Tudo bem! Acabou a festa! Todos calados, que vamos começar nossa aula. - O professor entrou na sala, e logo foi pedindo trabalhos, mas Mel deu uma outra olhada para tras, e viu Alaric sério, escrevendo no caderno, ele ainda estava lindo, mas depois do que viu ele fazer, Mel sentiu ódio dele.
- Oque você acha se eu fizer uma plástica? - Ari olhava seu rosto na tela do seu iPhone, e esticava um canto do rosto com as mãos.
- Não sei. Você está bem assim... - Mel olhava para a mesa no final do refeitório, esperando a menina sair de perto de Alaric para ir falar com ele.
- Hey! - Ari bateu de leve na testa de Mel. - Oque deu em você hoje?
- Ai! Nada. Eu já disse...
- Por favor! Alguma coisa está acontecendo... você nem tocou na sua comida! - Ari apontou para a bandeja de Mel, tinha uma maçã intacta, um copo com vitamina de morango, e um prato com purê e batatas fritas.
- Eu... Só estou sem fome...
- Eu concordo com Ari, ao menos uma vez sei que ela está certa... Tem alguma coisa errada com você...
- Até você Tom? Já disse que estou bem. Mas quando eu tiver alguma coisa errada, pode deixar que vocês dois vão ser os primeiros a saber. - Mel voltou a olhar na direção de Alaric, que olhava sem disfarçar para o decote da garota que conversava com ele, provavelmente sobre batons ou cabelo. Alguns minutos depois a garota levantou levando sua bandeja com o almoço, e Alaric ficou sozinho.
- Tenho que resolver um assunto... - Mel levantou de sua mesa, e caminhou na direção da mesa de Alaric mais séria do que nunca, Ari e Tom ficaram sem entender mais continuaram sentados, observando.
- Veio me chingar por ter te ajudado quando estava bebada?
- Não... E eu não estava bebada. - Ela sentou de frente para Alaric, que olhou para ela com atenção e começou a rir. - E você tem muito que me explicar sobre aquela noite... - Alaric ficou sério. Seus olhos verdes escureceram.
- Oque você quer que eu te explique? Que eu te encontrei deitada na calçada de tanto bebada que estava?
- Cala a sua boca! Eu não estava bebada! Eu não coloquei um copo de alcool na boca! Você está mentindo! - Ela abaixou a voz. - Você sabe muito bem do que eu estou falando! Da menina estranha... Do garoto vestido de vampiro... E da espada... - Seu estomago doeu só de lembrar.
- Como... - Alaric ficou com a espressão séria. E se apoiou na mesa para ficar mais perto de Mel. - Como você sabe disso?
- Eu vi tudo... Eu vi você matando... Aquele garoto... Por que fez isso? Eu tentei chamar a policia, mas você tomou meu celular... E... E... Sei lá... Eu fiquei sem lembrar de nada... Só que aos poucos eu fui me lembrando. E agora sei de tudo oque você fez! Você é um assassino. - Mel ia sair, mas ele puchou seu braço, fazendo ela se sentar novamente, Mel ficou tão perto do rosto de Alaric que pode sentir sua respiração acelerada. Ficou encarando Mel, por um instante. Como fez da ultima vez. Seus olhos verdes pareciam penetrar os azuis de Mel.
- Oque... Você estava falando?
- Você é um cretino! - Mel disse, levantando da mesa. - Oque pensa que está fazendo? Eu vou contar oque você fez para a policia. - Ela saiu andando pelo pátio, e quando notou que Alaric a seguia, ela começou a acelerar o passo, na direção da saida do colégio. Mel não achou que alguém notaria ao menos que gritasse por socorro. E quando chegou no estacionamento, perto do seu carro, Mel ia gritar, mas em um segundo Alaric tapou sua boa, e apertou seu braço nas costas, Mel tentou se soltar, mas ficou totalmente imobilizada. Ele arrastou Mel para sua ferrari e empurrou ela no banco de tras. Mel tentou abrir a porta, mas estava travada, viu que Alaric rodeou o carro e entrou no banco do motorista.
- Oque você quer comigo? Me deixa sair! Me deixa sair agora!
- Tenho que te levar a um lugar. É melhor ficar quieta... - Alaric acelerou, e Mel ficou encarando ele com muita raiva, mas a espressão no rosto de Alaric era de surpresa e autoridade ao mesmo tempo.
- Que lugar é esse? Para onde está me levando? - Alaric agarrou Mel pelo braço, e arrastou ela pela praça, as pessoas pareciam não notar isso, ela gritava alto, mas ninguém parecia ouvir ela. - Oi! Socorro! Alguém? Por que eles não estão me ouvindo?
- Por que eles não estão te vendo. - Alaric seguiu arrastando Mel na direção das arvores, e oque Mel nunca viu na vida de repente enchergava, uma enorme porta dupla de madeira no meio da floresta, com detalhes antigos, e duas estatuas gigantes de dois tigres com asas, uma de cada lado da porta, Alaric soltou o braço de Mel, e de repente apareceu uma chave na mão dele, ele usou para abrir a porta, e entrou, puchando Mel novamente sem dar tempo para ela correr.
Quando entraram pela porta, a porta se trancou sozinha fazendo um barulho muito alto. Mel se viu dentro de uma sala enorme, mas muito antiga, com o piso de madeira antiga, e o teto muito alto era de vidro e dava para ver o céu azul, mesmo assim o lugar era m*l iluminado. Parecia noite. Nas paredes estavam pendurados muitos quadros com pinturas de animais estranhos, mulheres incrivelmente bonitas, homens com armaduras fortes, mais tigres com asas, e anjos bonitos com armaduras igual ao sonho de Mel. Um lustre enorme de cristal pendurado no teto alto estava aceso, e nas paredes estavam mais lamparinas antigas, todas acesas. No meio da sala duas escadas enormes se encontravam lá em cima, e uma estatua gigante de uma mulher com asas, e espada na mão, estava entre as escadas. Mel estremeceu. Era exatamente a mulher com quem tinha sonhado.
- Vem... Tenho que te levar a uma pessoa. - Alaric agarrou o braço de Mel. -
- Deixa... - Mel soltou seu braço, e olhou com ódio para Alaric, ele continuou sério. - Eu sigo você. - Sem esperar Alaric caminhou na direção de uma das escadas e Mel o seguiu. - Que lugar é esse?
- É o pálacio dos anjos.
- O pálacio do que?
- Você ouviu.
Mel estava andando por um corredor com várias portas, o piso muito liso, o corredor pareceu não ter fim, eles entraram em uma porta que ficava no fim do corredor, uma porta pesada e mais antiga que as outras.
O lugar era assustador, o nome não tinha muito a ver com oque Mel estava vendo. A sala que eles entraram, era muito grande, em todas as paredes tinham prateleiras sem fim de livros do chão ao teto, e no centro ficava uma mesa enorme, com papéis e canetas de penas antigas. Em uma cadeira grande atras da mesa estava sentado um velho, com óculos meia lua nos olhos, usando oque parecia ser uma tunica pesada preta, com os cabelos grisalhos cinza e uma enorme barba, estava lendo um livro grande e pesado. Alaric limpou a garganta.
- Meu pai? - O velho levantou a cabeça, e Mel achou muito estranho o pai de Alaric ser tão velho. Parecia ter cem anos. - Tenho uma convidada especial. - Alaric olhou para Mel, e caminhou até a mesa, Mel o seguiu.
- Oque a torna tão especial? - O velho disse com uma voz falha.
- Ela me viu m***r um vampiro na festa de sabado com Catherine. É da escola.
- Viu? - O velho baixou os óculos, e olhou com atenção para Mel.
- Sim. Eu apaguei a memória dela, mas... Hoje ela veio me dizer que ia chamar a policia, tentei hipnotizar ela novamente, mas não deu certo...
- Você deve estar doente...
- Estou em perfeita saúde... Isso eu posso afirmar. - Alaric pareceu irritado.
- Bom... Qual é o seu nome? - O velho olhou para Mel.
- Melanie. - Mel tremia, tudo estava muito estranho, a conversa, o lugar, o velho, mas tentou ficar calma.
- Muito bem... Melanie. Eu sou Haziel. - Ele a encarava com os olhos tão azuis que eram quase brancos nesta sala m*l iluminada. - Eu queria conversar com você... Alaric?
- Sim?
- Vá chamar Catherine.
- Tudo bem. - Mel olhou para Alaric, e ele parecia tão vulneravel na presença do pai, que nem parecia o garoto cheio de marra, e arrogante do colégio, ele fez uma reverência e saiu da sala, deixando Mel a sós com Haziel.
- Sente-se senhorita. - Mel sentou em uma poltrona na frente da mesa. - Será que você me permite fazer algumas perguntas? - Ele se ajeitou na cadeira, e de repente um gato laranja com manchas brancas, e peludo saiu de tras de uma prateleira e pulou no colo de Haziel, que começou a fazer carinho em seu pelo.
- Acho... Que sim.
- Quem são seus pais?
- Meus pais? - Mel se arrepiou. - Meus pais morreram num incendio quando eu tinha 6 anos de idade.
- Eu sinto muito... Como se chamavam?
- Robert e joanne... Carstais.
- Carstais?
- Sim. - Mel estava apertando as mãos no colo, para parar de tremer.
- Quem cuida de você des de então?
- Minha tia Sabine. - O velho analizava Mel como se pudesse estuda la apenas com o olhar.
- Você tem irmãos?
- Tinha... Ele também morreu no incendio. Sebastian. Ele tinha oito anos quando morreu.
- Sebastian? - O velho arregalou os olhos por um instante mais logo voltou a olhar para Mel com atenção.
- Sim. - Sua respiração estava ofegante e Mel queria ir embora. - Me desculpe... Eu só não entendo por que seu filho... Matou aquele garoto inocente... Eu só quero ir embora daqui.
- Aquele garoto que você viu Alaric m***r, não era inocente. Já havia matado muitos adolescentes em sua cidade, e aquela festa seria o lugar que ele iria assassinar mais pessoas. - Mel tapou a boca em espanto, já tinha ouvido no jornal que muitos adolescentes da cidade tinham morrido, ou sumido misteriosamente. - Alaric apenas fez seu dever de salvar as pessoas...
Salvar? Mel pensou. E rapidamente alguém entrou na sala, Mel olhou para tras, e viu que a mesma garota que tinha visto na festa, entrou na sala. Estava ainda mais bonita, usando as mesmas calças pretas, as botas com salto, e uma blusa regata colada no corpo, mas não segurava armas, e seus cabelos castanhos claros e lisos, estavam solto nas costas. Ela caminhou até a mesa sem olhar para Melanie, e ela notou que seus braços não tinham nenhuma tatuagem.
- Mandou me chamar pai? - Então ela era irmã de Alaric. Os dois não tinham absolutamente nada em comum, ele loiro com olhos claros, e ela com os cabelos escuros como a noite, e os olhos castanhos escuro, Mel pensou.
- Sim. Alaric te contou sobre Melanie?
- Sim. - Ela ainda não olhava para Mel. - Acho que Alaric não anda muito bem... Se seus poderes estão se esgotando...
- E você? Por que não tenta?
- Claro... Agora?
- Sim.
- Está bem. - Catherine olhou pela primeira vez para Mel, mas olhou com despreso, e se aproximou, olhou profundamente nos olhos de Mel por um instante, como Alaric tinha feito, mas Mel não sentia nada. Apenas medo pela aproximação da garota. - E agora? Se lembra de alguma coisa... Garota?
- Sim, me lembro perfeitamente de tudo. Ainda acho que vocês são uns assassinos, e quero ir embora desse lugar agora! - Mel saltou na cadeira e correu em direção a porta, ninguém a impediu, e Mel tentou achar a saida para a sala onde entrou, correu pelo corredor, e alguém saiu de uma porta, e a segurou pelos braços.
- Onde você pensa que está indo? - Alaric não estava mais usando o sobretudo, e Mel pode ver o quanto ele era bonito e musculoso sem ele, e incrivelmente. Não tinha nenhuma tatuagem nos braços.
- Embora... Me deixa... Ir embora... - Mel tentava recuperar folêgo. - Por favor.
- Não sem antes ver oque Haziel decidiu. Vamos? - Ele puchou os braços de Mel, e ela os soltou, os dois foram até a porta da sala de Haziel, e pararam. - Fica aqui. Você não pode sair, eu vou ver oque vão fazer com você. - Alaric entrou na sala, e Mel não ouviu mais nada. Pensou em fugir, mas precisava entender tudo aquilo, então esperou, e depois de minutos Alaric saiu da sala.
- Quer que eu te mostre o palácio? - Alaric ofereceu a mão, com uma cara de tédio, Mel não pegou na mão dele.
- Eu só quero ir embora.
- Tenho que te dizer umas coisas... Fui obrigado. E se você não colaborar, posso usar outros metodos. - Ele olhou com malicia, e Mel percebeu que ele segurava em uma adaga no cinto. Ele começou caminhar com calma pelo corredor, e Mel não teve escolhas a não ser seguir ele. - Nesse corredor estão quase todos os comodos do palácio. Aqui... - Ele apontou com a cabeça para as portas que eles já tinham passado. - São os quartos. E aqui... - Ele abriu uma porta, e Mel entrou depois dele, a sala como todas as outras, era enorme, só que essa tinham prateleiras, e mesas cobertas com os mais diversos tipos de armas, arcos, adagas, espadas, facas, soco ingleses e outros objetos pontudos estranhos. - É a sala de armas... Um dos meus lugares favoritos no palácio.
- Esse lugar me dá arrepios. - Mel sussurrou, e viu que Alaric deu um risinho, para depois voltar ao seu posto de durão.
- Vamos sair daqui. - Ele antes pegou alguma coisa em uma mesa e encaixou no cinto, e saiu da sala, Mel o seguiu. Os dois passaram por mais algumas portas. - Aqui são as salas de recuperação. - Ele disse depois que viraram em mais um corredor. - Quando estamos doentes. Ficamos aqui.
- Quem? Sua familia?
- Pode se dizer que sim. - Eles seguiram por mais um corredor, e Mel se sentiu como se estivesse em um labirinto. Os corredores eram praticamente iguais, apenas as lamparinas nas paredes iluminavam, e as portas eram exatamente iguais, Mel nem sabia mais onde ficava a saida. - Aqui, ficam a cozinha, a sala de jantar, nossa sala de filmes, e outros comodos que utilizamos para treinamento com espadas.
- Será que dá para me dizer... Por que matou aquele garoto? Eu estou cançada. Quero ir para casa. E não estou achando graça nenhuma nesse papo de guerreiros... Anjos, e poderes.
- E isso não é para ser engraçado. Matei aquele garoto, por que ele era um monstro... Sugador de sangue humano.
- Um vampiro? - Mel riu, mas ainda estava nervoza.
- Se prefere abreviar. - Alaric deitou em uma poltrona que tinha em um espaço, pegou seu iPhone e começou a mecher. Mel ficou em pé. - Vamos ir logo com isso... Eu sou um guerreiro celestial, com poderes, enviado a essa cidade para proteger os humanos desses monstros. - Ele retornou ao tom de voz sério. - Aquele garoto era um, por isso tive que m***r ele, se não, ele arrancaria o pescoço de cada um dos seus amiguinhos naquela festa.
- Oque diabos você está falando?
- Estou falando que eu salvei sua vida de um demônio. - Ele disse secamente.
- Quero ir embora! Me leve embora agora!
- Não posso, Haziel me disse para te distrair até ele achar registros sobre você.
- Registros sobre mim? Eu não estou entendendo nada!
- Olha só garota... - Alaric sentou ereto no sofá, e olhou para Mel com atenção e sério. - Você pôde nos ver aquele dia na festa, ninguém mais podia nos ver. Tem alguma coisa errada com você.
- Comigo?... Você vem e me fala que você é um anjo ou seja lá oque for. E tem alguma coisa de errado comigo?
- Olha só... A séculos estamos nesse mundo...
- Séculos?
- Sim. Haziel tem quinhentos e trinta e seis anos é um dos mais velhos.
- Oque? Você...
- Ah, não! Eu tenho 17 mesmo. Mas vou continuar lindo assim por séculos, a não ser que alguém arranque meu coração. - A mente de Mel começou a girar, e ela se sentiu enjoada novamente.
- Tenho que sair daqui! - Ela correu, saiu correndo o mais rapido que pôde pelos corredores, e tudo pareceu desaparecer, e em menos de segundos já estava na sala, por onde entrou. Ela abriu a porta e correu pela floresta até alcançar a praça. Estava quase anoitecendo, e as pessoas continuaram ignorar Mel. Continuou correndo. Virou em uma rua, e olhou para tras, Alaric não tinha seguido ela. Então começou a andar na calçada, estava cançada, suando, e sua respiração estava ofegante. Ela parou em um beco para respirar. E de repente pulou um animal na frente de Mel. Do tamanho de um leão, só que com a aparencia de um monstro preto com duas cabeças, dentes afiados, e garras enormes. O mostro parou olhando para Mel com seus quatro olhos vermelhos, e sua boca cheia de dentes, e baba. O monstro rosnou por um tempinho, e Mel não conseguiu correr, ele deu um salto sobre o corpo de Mel, que caiu no chão, bateu a cabeça, e desmaiou.
Mel abre os olhos devagar, e tudo começa a ter mais clareza. Ela se vê em uma sala com muitas outras camas iguais a que ela está deitada. Ela tenta levantar seu pescoço, mas desaba de novo. Sua cabeça estava doendo muito, Mel sentiu que em sua testa tinha um curativo, e em sua mão também. Sua blusa estava toda rasgada, e com arranhões fundos em sua cintura.
Ouviu barulhos de passos se aproximando dela.
- Trouxe algumas roupas para você. - Ela reconheceu a voz, era Catherine. - São minhas. Espero que sirva. Não vai querer andar por ai com essa blusa.
- Aquele monstro... Oque... Aconteceu? - Foram as palavras que Mel conseguiu dizer.
- Ah... Sim. Ele não te matou. E você não está no céu. Alaric arrancou a cabeça do cão do inferno á tempo. Você tem sorte. A enfermeira disse que você tem que descansar. Quer que eu chame alguém?
- Alaric... Chame ele...
- Quer mesmo que ele te veja assim? Você está quase nua. - Mel conseguiu inclinar o pescoço, e viu que seu sutiã estava aparecendo e parte de sua calçinha também. - Vai tentando se vestir, tem um banheiro ali. Eu vou chamar Alaric. - Catherine saiu da sala, andando com leveza sobre os saltos altos. Mel tentou se levantar, tinham marcas de arranhoes por todo seu corpo. Levantou devagar, e viu que tinham algumas roupas dobradas na cama, ela pegou e caminhou na direção do banheiro.
As roupas que melanie vestiu, eram grandes para ela, Catherine tinha mais volume tanto nos p****s, na coxa, quanto na parte traseira. A blusa regata branca ficou frouxa em Mel, mas por sorte a calça jeans azul ficou menos frouxa quando Mel fechou os botões. Pela primeira vez, Mel se sentiu com a necessidade de prender os cabelos num r**o de cavalo, e lavou seu rosto na pia do banheiro. Mel jogou no lixo as roupas rasgadas e saiu do banheiro depois de enchugar o rosto.
encontrou Alaric parado olhando sério para Mel.
- Acredita em mim agora?
- Você... Salvou minha vida.
- Isso é meu dever.
- Mesmo assim... Humm, obrigada.
- Você melhorou?
- Sim. Um pouco. Mas minha cabeça ainda dói.
- Daqui um tempinho passa.
-á quanto tempo eu dormi?
- Acho que algumas horas... Já são meia noite.
- Meia noite? Tenho que ligar para minha tia... - Mel colocou as mãos no bolso, mas lembrou que não estava com seu celular.
- Ah... Seu celular está no meu quarto... Eu guardei enquanto você dormia, e as chaves do seu carro também. Vamos pegar seu celular. - Alaric abriu a porta e saiu, e Mel foi atras dele.
O quarto de Alaric era muito diferente de sua personalidade, todo arrumado e cheiroso, tinha cheiro de edredons limpos e lavanda, as prateleiras com os livros todos organizados em fileira, a cama de casal perfeitamente forrada com lençóis brancos, o criado mudo limpo, assim como o tapete do chão. Só tinham algumas adagas e uns cadernos jogados em cima de uma poltrona que ficava na frente da Tv.
- Seu quarto é...
- Estranho?
- Legal. Eu ia dizer organizado.
- Esperava ver meias e sapatos jogados por ai?
- Não! Eu não quis te ofender...
- Tanto faz... - Ele caminhou até um armário embutido na parede, pegou o iPhone de Mel, e trouxe para ela. - Aqui seu telefone. Mas... Diga que você vai ficar aqui mais umas horas.
- Oque? Já está tarde. Tenho que ir para casa.
- Temos coisas para resolver, então você fica aqui até amanhã. - Após Mel pensar um instante, digitou o numero da tia no celular.
- E oque eu digo?
- Diz que está na casa da sua amiga Ariana... Sei lá... Inventa alguma coisa! - Alaric saiu com arrogancia e entrou em uma porta para deixar Mel sozinha.
- Tia?
- Oi, Mel. Como vai? Onde você está a essa hora?Se estiver em uma festa... Desculpe, mas eu tentei ligar... Fiquei preocupada.
- Não tia... Humm, eu não estou em uma festa... Mas... Eu estou na casa... Do Tom... E acho que vou dormir aqui.
- Como dormir ai?
- É que temos muito para estudar... As provas finais são na semana que vem... E eu estou atrasada...
- Tem certeza que é só isso?
- É... Tenho sim. Fica tranquila. Qualquer coisa eu ligo.
- Está bem. Faça isso. Boa noite.
- Boa noite. - Mel desligou, e Alaric entrou no quarto com os cabelos umidos, secando com uma toalha.
- E ai?
- Será que dá para vocês me explicarem melhor tudo isso? Por que eu não entendi nada... Estou com fome, e muito cançada.
- Primeiro, você pode... Jantar com a gente... - Alaric parecia ter ância de vomito ao convidar Mel para jantar, só que alguma coisa brilhava nos olhos dele. Mel suspirou.
- Prefiro ficar com fome, do que comer alguma coisa nesse lugar... Você pode me envenenar ou coisa do tipo.
- Olha... Só para deixar bem claro, se eu quisesse te matar... - Os olhos dele fuzilavam Mel. - Eu já teria feito isso.