-... Sem qualquer tipo de amor. - Cap.4-
- Quer comer oque? - Alaric abriu a geladeira cinza de portas duplas, e ficou olhando lá dentro. - Porque à essa hora a cozinheira deve estar dormindo. Temos que preparar nosso próprio jantar.
- Já disse que não quero comer nada. Apenas quero que você me explique oque está acontecendo.
- Bom... Eu quero. Então você fica olhando. Vou esquentar minha sopa.
- Sopa?
- É uma sopa especial... É feita com ingredientes especiais para guerreiros.
- Ainda com essa história de que você é um guerreiro? Estamos nos tempos modernos. Não existem mais guerreiros.
- Eu vou te explicar oque eu sei. Mas você tem que facilitar. Ao menos, tenta acreditar.
Ele pegou uma vasilha com alguma coisa embrulhada e colocou no microondas, apertou alguns botões e sentou num balcão. Pegou uma maçã vermelha e grande e deu várias mordidas.
- Quer? - Mel negou impaciente. - Eu não queria ter que te aguentar, mas já que você foi uma curiosa e foi me seguir. Você é minha responsabilidade.
- Me aguentar? - Mel sentiu mais raiva. - Eu só fiquei aqui por que você disse que vai me explicar tudo. Eu não entendi nada. Ou melhor, eu não acreditei em nada do que você disse.
- Será que eu tenho que provar?
- Como? Como provar? Provar oquê?
- Que eu sou um guerreiro celestial. Diga o nome de sua flor favorita.
- Isso é ridículo...
- Diga... - Ele a encarou com os olhos verdes, e ficou assim por um momento, até Melanie ceder.
- Rosas brancas.
De repente, do nada apereceram várias rosas brancas nas maõs de Alaric, e outras no balcão, e mais outras pelo chão, até a cozinha ficar lotada de rosas brancas. Mel não acreditou no que viu, até pegar uma no chão, e ver que todas são de verdade. Ela arregalou os olhos, e largou a rosa no chão.
- Está bem... isso é estranho. Você é algum tipo de mágico barato? Ou oque?
- Você é mais difícil do que eu pensei que seria. - Ele pulou do balcão e tirou a sopa do microondas, uma colher e mandou Mel seguir ele para a sala de jantar.
O lugar era tão bonito quanto a sala que Mel viu, quando entrou nesse lugar. O teto antigo, uma mesa enorme de madeira no meio com doze cadeiras, e um lustre gigante de cristal em cima no centro. Melanie sentou em uma cadeira logo depois que Alaric sentou comendo sua sopa.
- Isso que eu fiz se chama projetar . Eu posso simplesmente fazer aparecer qualquer objeto que possa ser visto, ou tocado... - Mel tentava raciocinar tudo enquanto Alaric falava com a maior simplicidade. - Posso ficar imune a visão dos humanos... E muitas outras coisas legais, que eu prefiro não entrar em detalhes.
- Espera ai. Você está dizendo que você não é humano?
- Eu sou um... Anjo... achei que isso já estava claro - Ele encarou Mel por um segundo, obviamente cheio de raiva, e continuou comendo. - Posso conversar com as pessoas... Por telepatia.
A última frase, Mel ouviu em sua cabeça como nas outras vezes, mas não viu os lábios de Alaric se movendo.
- Como? Oque? Eu te ouvi na minha cabeça!
- Isso mesmo. - Ele fez de novo, apenas dando um meio sorriso.
- Você... Pode... Hamm, ler minha mente?
- Não. Infelizmente.
Mel se sentiu alíviada, não queria que ele soubesse de seus pensamentos naquele momento.
- Está bem... Se é mesmo para eu acreditar nessas coisas... Então se você veio do céu. Por que estuda em uma escola comum de Hally? Mora em um lugar tão normal? E viver em meio de pessoas comuns que provavelmente não sabem nada sobre você.
- Eu não moro em Hally. Só estudo lá. Estou na sua escola para m***r todos os demônios que estão nos corpos dos seus amigos.
- Meus amigos?
- Sim. Creio que há mais ou menos cinco demônios nessa cidade. Eles tomam a alma de pessoas fracas. A maioria adolescentes com problemas na vida.
- De quais amigos você está falando? - Mel congelou.
- Eu ainda não sei... Um já foi. Provavelmente ainda faltam quatro.
- Você matou alguém... Inocente, por que um demônio entrou no corpo dele?
- Aquele garoto tinha um vício por drogas e bebidas alcoolicas. Um vampiro achou o corpo dele frágil, e resolveu usar ele para sair matando pessoas.
- Você está dizendo que aquele garoto, matou pessoas?
- Será que dá para você ao menos fingir ser mais inteligente e captar as coisas mais rápido?
- Se você parar de me chingar de burra. Talvez sim. - Alaric olhou impaciente para Mel. - Então... qualquer um dos meus colegas e conhecidos pode estar com um monstro em seu corpo... E eu não sabia disso? - Alaric terminou de comer a sopa, e do nada apareceram duas taças e uma garrafa de vinho. Mel congelou.
- Quer? - Ele serviu vinho em uma taça.
- Não! Como você faz isso? Isso tudo vem do nada?
- Posso fazer isso se eu quiser. Só que esse vinho aqui... Veio da cozinha. - Ele saboreou o vinho. E Mel estava pálida olhando para ele. - Vou te levar para nossa biblioteca, tenho que te explicar uma coisa. - Ele levantou da cadeira e acenou para que Mel seguisse ele pelo corredor.
A biblioteca era quase igual a sala de Haziel, só que era bem maior, e tinham mais prateleiras gigantes de livros. Uma mesa no centro e ao redor alguns sofás pretos macios. Não tinham janelas, e a sala era muito m*l iluminada. Imaginou como leria algum livro nessa escuridão. E como alguém pegaria os livros da última prateleira do alto.
- Por que esse lugar é tão escuro?
- Ah, não precisamos de luz. Podemos enchergar sem um pingo. Só que temos uma iluminação. - Ele andou até o interrupitor na parede, e várias luzes iluminaram o lugar.
Mel se assustou com as imagens de anjos e tigres no teto em preto e branco, pareciam saltar da imagem. O lugar era bem maior, e Mel pôde enchergar que havia sim uma enorme janela, só que estava escondida atrás de uma enorme cortina pesada da cor do vinho, com detalhes dourados. Mel olhava impressionada para as prateleiras de milhares de livros. Alaric caminhou até uma na outra ponta da sala, e examinou alguns livros.
- Nossa, esse lugar é incrível... E bem antigo. Será que algum dia alguém já leu todos esses livros? - Mel caminhou por uma prateleira passando a mão pelos livros grossos e macios. Todos bem organizados, em cores e tamanhos.
- Haziel. É o único no pálacio que já leu todos esses livros. - A voz de Alaric ecoava por toda a sala, e parecia mais tranquila de longe.
- Sobre oque são?
- Sobre tudo. Mais a maioria são sobre nós... Des de o inicio de tudo. As histórias dos primeiros anjos, as guerras, as conquistas, fala sobre todos os filhos de Solary...
- Solary?
- É... A mãe de todos os anjos. Fala sobre tudo a respeito dos anjos, também tem livros que falam sobre cada tipo, e especie de demônios... Vampiros, anjos das trevas, fadas malignas, cães infernais... Como aquele que te atacou. - Mel estremeceu ao lembrar. - Mas também temos livros que falam sobre nossas armas, e outros sobre nossos poderes, tudo oque precisamos saber está aqui. Enfim, também temos alguns romances...
- Oque? Romeu e Julieta?
- Quem são esses?... - Ele não esperou pela resposta de Mel. - Ah! Não de humanos... Tudo aqui é sobre anjos. - De repente Mel se pegou pensando em como seria lindo um romance entre anjos. Mas logo lhe veio a mente. Alaric. E mudou de idéia. - Encontrei. - Ele pegou um livro e caminhou até a mesa, segurando um livro com a capa preta, parecia ter cem anos, mas mesmo assim em perfeitas condições. Ele folheou o livro sobre a mesa. - Aqui está oque você quer saber. - Mel caminhou até a mesa, e deu uma olhada no livro. Tinha uma imagem que fez Mel ter vontade de vomitar, um monstro horrivel com chifres, garras, e presas enormes, estrassalhando o pescoço de um homem. Mel deu um passo para tras.
- Oh meu deus! - Pôs a mão na boca. - Oque é isso?
- Um vampiro em sua forma natural. Ele pode ser mais f**o do que isso. Vou ler para você. - Ele sentou em um sofá com o livro, e Mel ainda em transe fez o mesmo em outro sofá. - Os vampiros se alimentam de carne humana. Porém só podem aparecer em sua forma normal um dia na decada, então, ele aproveita esse dia para se espalhar pelo mundo, procurando almas fracas, pessoas que não tem motivos para viver. Ele a possui, e sua alma morre, resta apenas seu corpo, que o vampiro usa como casa, para se alimentar e ficar mais forte...
- Chega. Eu acho que já deu para entender. - Mel interrompeu. - Então... Não ha chances de sobreviver se caso um vampiro... - Engoliu em seco. - Possuir sua alma?
- Nenhuma. Apenas a morte, para libertar a alma da pessoa. Mas seu corpo não sobrevive.
- Se tiver algum demônio na escola. Quer dizer que ele pode m***r quem quiser?
- Exatamente. Por isso, eu estou querendo saber quem está com o demônio em seu corpo. Para eu m***r ele, antes que se alimente da alma de mais pessoas.
- Mas... Não podemos perceber?
- Não. O demônio só ataca a noite. Durante o dia, a pessoa age como sempre agiu.
- Meu deus! Vocês tem que m***r eles.
- Ainda bem que estamos entendidos.
- Mas, eles tem chances de trocar de corpo? Ou possuir mais?
- Com a maior facilidade. Só que como eu disse, tem que ser uma alma fraca. Sem amor próprio, ou sem qualquer tipo de amor. - Melanie pensou em Tom e Ariana. Tom ama sua família, e Ariana, bom, ela ama o pai. Mel ficou alíviada. - Agora entendeu?
- Ainda não. Mais depois do que eu vi, e oque eu senti, acho que não tem nada para entender... Eu preciso... Voltar para casa. - Mel se levantou do sofá.
- É muito tarde. Você pode ficar aqui se quiser, temos muitos quartos. - Mel pensou um pouco, ainda não confiava nessas pessoas. Mas estava com medo de sair pelas ruas e ser atacada por um monstro outra vez.
- Está bem.
Alaric saiu do quarto, assim que Mel se sentiu a vontade. O quarto não tinha muitas coisas, apenas uma cama de solteiro muito bem forrada, um criado mudo com um abajur a lado da cama, e um armário. Não tinha um banheiro e Alaric disse que tem um ao fim do corredor se precisasse.
Mel estava esgotada, seu dia tinha sido muito cumprido, e muitas coisas que Mel jamais imaginaria que poderia existir, existiam. como iria lidar com tudo isso? Talvez estivesse correndo risco de vida em sua propria escola. Como iria contar para sua tia que fora atacada por um monstro? Será que ela iria acreditar? E seus amigos?
Mel apenas tirou sapatos, deitou na cama e ficou encarando o teto com seus olhos azuis até ter sono e dormir.
Quando Mel acordou devagar, e viu que estava naquele quarto. Sabia que tudo que aconteceu, foi realmente verdade. Achava que fosse um grande pesadelo, só que estava enganada.
Assim que acordou, viu que usava as roupas de Catherine, que ficavam mesmo ridiculas nela. Desfez seu r**o de cavalo, e abriu o armário. Tinha uma escova, e alguns perfumes. Ela penteou os cabelos, e deixou soltos. Viu que estava atrasada para a escola quando viu as horas em seu celular e depois saiu do quarto.
No corredor não havia ninguém, mas logo que virou para ir embora, viu Alaric sentado na mesa da sala de jantar, que estava farta de frutas, torradas e panquecas que as criadas acabaram de colocar. Ele não estava sozinho, Catherine também estava junto e outro garoto parecido com ela. E mais um garotinho de cabelos castanhos encaracolados devorava um pedaço de bolo.
Todos estavam rindo, mais fizeram silencio quando viram Mel.
- Ah. Você acordou, humm. - Alaric disse. - Quer tomar café com a gente? - Mel viu que Catherine lançou um olhar agressivo para Alaric.
- Humm, não... Eu... Tenho que ir para escola.
- Quer mesmo ir? Depois do que você descobriu Acho melhor você não arriscar.
- Acha que eu nunca mais vou estudar?
- Não. Mas, se quiser. Depois eu falo com os professores, e você tira as melhores notas possiveis... É que Haziel ainda não sabe oque fazer com você.
- Olha... Eu tenho que ir embora, preciso tomar um banho, preciso vestir uma roupa minha. - Catherine tentou conter uma risada. - E se você não me mostrar como sair desse lugar, eu acho sozinha. - Mel ia saindo pelo corredor, mas parou.
- Espera. Eu vou te levar. Será que pode relaxar um pouco? - Mel voltou para a sala de jantar. - Come alguma coisa.
- Não. Obrigada. - Mel cruzou os braços.
- É... Você já conhece a Catherine... E ela já te conhece... - Mel olhou para Catherine, que estava com os olhos já carregados de maquiagem pela manhã, usava um r**o de cavalo nos cabelos cumpridos, e usava um espartilho bege que deixava metade de seus s***s á mostra, a pele era incrivelmente limpa, e branca.
- É.Já nos conhecemos. - Ela apenas disse, e logo voltou a comer uma torrada.
- Esses aqui são, Tyler, - Alaric apontou para o garoto sentado ao lado de Catherine, que era incrivelmente parecido com ela, a pele igualmente linda, os cabelos lisos e pretos caidos sobre os olhos negros, tão forte quanto Alaric, talvez um pouco mais. Mesmo sentado dava para ver que ele usava as roupas identicas as de Alaric, tirando o sobretudo. Uma camisa com mangas cumpridas brancas, e calças escuras. Sua expressão era séria. - O irmão de Catherine.
- Olá. - Tyler disse, mas continuou sério.
- Oi. - Mel respondeu.
- E esse é Brendon... Nosso caçula. - Ele apontou para o garotinho simpatico, que usava óculos, os cabelos dourados cacheados. Os olhos bem azuis como os de Mel. E usava roupas normais como de um garotinho normal. - Ele tem 11 anos.
- Oi Melanie. - O garoto acenou com um sorriso, e Mel percebeu que ele era o único naquela sala que pareceu gostar de Mel.
- Olá. - Mel quis perguntar por que todos eram extremamente perfeitos. Mais isso seria estranho demais, então resolveu ficar quieta.
- Muito bem. Todos apresentados. Agora eu vou levar ela. - Alaric saiu da mesa, e andou na direção de Mel, com passos pesados.
Antes de sair da sala Mel ouviu um sussurro vindo de Brendon: ''Ela é mesmo linda'' ela sorriu por isso.
Alaric seguiu impaciente pelos corredores, desceu as escadas, e eles estavam de volta a sala por onde Mel tinha entrado na noite anterior. Ele abriu a maçaneta. E Mel se viu na mesma floresta que antes tinha estado.
Os dois caminharam pela praça. Mel se perguntou se as pessoas já podiam ver ela. Mas apenas seguiu Alaric até a ferrari vermelha, que ela jurava que não tinha visto até ele entrar com ela.
- Deixa eu adivinhar. Você projetou esse carro também?
- Sim. Gostou? - Ele deu partida, e correu em alta velocidade. Sem se preocupar com o trânsito, ou com as pessoas que pareciam não estar vendo o carro também.
- Então... Aquele demônio que me atacou, ele não poderia aparecer para humanos?
- Não.
- E por que eu vi ele?
- Isso eu ainda não descobri, e pelo visto Haziel também não. Por isso ele quer que você volte ao palácio, para descobrirmos.
- Tenho que pensar se volto para aquele lugar.
- Se quiser salvar a vida de seus amigos... Você vai ter que voltar. - Alaric não olhava para Mel enquanto falava.
- Como vou explicar isso tudo á minha tia?
- Eu resolvo isso. - Deu um sorrisinho, pegou o sobretudo que apareceu de repente no colo de Mel, e vestiu. Quando estacionou na frente da casa de Mel.
- Como sabe onde eu moro?
- Pesquisei sobre quase todos vocês. Mora com a tia sozinha, desde que seus pais morreram. Tem dois amigos, Ariana e Tom. Quer fazer faculdade de medicina. E gosta de nerds.
- Quem te disse tudo isso? - Mel se sentiu envergonhada por pensar o quanto um estranho sabia sobre sua vida.
- Eu apenas sei. - Ele saiu da ferrari.
- Espera ai! - Mel saiu, também. - Você pretende entrar também?
- Claro. Como vou convencer sua tia a deixar você ir para minha casa se ela não me conhecer antes? - Ele seguiu sério para a porta. E Mel também foi, abriu a porta e entrou na sala, logo Alaric entrou também.
- Casa legal. - Ele disse olhando do teto ao chão. - Então? Cadê ela?
- Trabalhando.
- Por que não disse?
- Eu tentei.
- Quer que eu te espere? Vai precisar de mim, para entrar no palacio.
- Olha. Só vou fazer isso, por que estou preocupada com meus amigos. Só que se acontecer alguma coisa, enquanto eu estiver lá. A culpa vai ser toda sua. E eu tenho que pegar meu carro.
- Quanto a isso, fica tranquila. Ele já está na sua garagem. - Mel se assustou, achava isso ridiculo. Mas, mesmo assim, subiu as escadas.
- Tenta não projetar um carro dentro da minha casa enquanto eu tomo um banho! - Ela gritou.
Depois que Mel tomou um banho, desceu para a sala e Alaric estava sentado com as pernas cruzadas, com as mãos em cima dos joelhos, em postura perfeita, com os olhos fechados e silencioso. Mel tentou não rir, apenas passou reto e foi na cozinha comer alguma coisa. Preparou um sanduiche de presunto, e um copo de suco.
- Viu no que dá. Não aceitar tomar café da manhã? - Alaric disse quando Mel entrou na sala, mas ainda estava de olhos fechados.
- Então você também encherga de olhos fechados?
- Não. Eu ouvi você mastigando.
- Quer comer alguma coisa?
- Não. Eu estou bem. - Ele abriu os olhos. - Oque aconteceu com sua roupa? - Mel se olhou, e estava usando jeans azul, e um suéter bege, e não achou nada incomum.
- Oque tem de errado com minha roupa?
- As roupas da Catherine estavam melhores. - Mel revirou os olhos, e sentou no sofá.
- Oque estava fazendo?
- Meditando. Isso ajuda muito a me recuperar.
- Recuperar?
- Sim. Nós anjos, também ficamos doentes. Se usarmos muito nossa força. Ficamos muito doentes...
- E podem morrer?
- Não. Somos imortais. Só podemos morrer se arrancarem nossos corações.
- Isso não parece tão imortal assim.
- Tem que ser muito forte para arrancar o coração de um anjo ou a espada tem que ser abençoada por um anjo das trevas.
- Anjos das trevas? - Mel quase se engasgou.
- Sim... existem. Á muitos séculos atrás, um dos filhos de Solary queria ter mais poder que os outros. Por isso se aliou a um vampiro poderoso. O vampiro roubou sua alma, e ficou cem vezes mais poderoso. Só que tinha o lado r**m, ele não pôde mais aparecer em sua forma natural, e precisava de carne humana para sobreviver. Então esperou um século, para se apoderar de um corpo. Quando enfim conseguiu. Começou a m***r anjos para se alimentar.
- Por que anjos, e não humanos como os outros?
- Por que anjos o deixavam mais fortes.
- Ele matou todos? Mas... quantos anjos restaram?
- Ele não matou tantos. Demorou, mas seu próprio irmão o matou. Só que antes de morrer ele possuiu as almas de mais humanos fracos, e os transformou em anjos das trevas. Temos muitos guerreiros celestiais espalhados por ai. Só que precisariamos de mais que três anjos para m***r um anjo das trevas.
- Quer dizer pode ter anjos demônios espalhados por ai?
-á muito tempo não vimos um. Por isso me considero imortal. - Alaric disse com tranquilidade.
- E se tiver um na minha escola?
- Impossivel. Anjos das trevas não costumam ficar em publico, ele pode ser visto de dia. E pode atacar de dia também. - Mel congelou.
- E se isso acontecer? Não tem um anjo poderoso o bastante para mata lo?
- Acho que teriamos que chamar reforços.
- Reforços?
- É... Temos oito províncias de anjos ao todo espalhados pelo mundo. Mais ou menos quarenta palácios. Podemos chamar alguns arcanjos. Os irmãos de Haziel.
- Haziel é um arcanjo?
- Sim. Um irmão de Louor. Pode se dizer assim.
- E vocês todos... quero dizer. Você, Catherine, Tyler e Brendon são irmãos? Todos são filhos de Haziel?
- Não. Chamamos ele de pai por que ele é nosso senhor. Ele apenas nos ensina o necessário para sermos guerreiros fortes. Os pais de Catherine e Tyler são guardiões de Solary.
- Solary ainda está viva?
- Sim. Ela fica em sua província. Se Solary morrer todos os arcanjos e seus filhos morrem, e se isso acontecer, todos os anjos morrem. Por isso todos tem o dever de protegê la. Os pais de Catherine fazem isso. Eles a protegem. Eles deixaram os filhos em treinamento no pálacio de Haziel quando ainda eram crianças.
- Eles nunca voltam?
- Quase nunca. Faz três anos que não os vejo.
- E quanto ao Brendon?
- Brendon perdeu os pais muito jovem. Chegou no pálacio quando ainda era um bebê. Tratamos ele como um irmão, e ele se sente mais a vontade. As criadas cuidam dele, dão tudo oque ele mais precisa. Carinho, atenção, mas ele nunca teve um amor de mãe, e nem de um pai verdadeiro.
- Eu entendo o que ele sente. Mas... Essas criadas. Elas são humanas? Por que não são guerreiras como você?
- Elas também são anjos. Só não lutam. Elas tem o dever de servir os guerreiros celestiais.
- Isso deve ser r**m.
- Não. Elas gostam do trabalho, e recebem o mesmo tratamento de um anjo comum.
- Que bom. Mas, e seus pais? Oque aconteceu? - Alaric respirou fundo, ele pareceu mais nervozo agora.
- Chega de conversa. Já acabou de comer? Podemos ir agora?
- Ah... Está bem. Vamos.
- Mel por que não veio na escola?
- Por que... Estou... - Mel fingiu uma tosse. - Muito doente.
- Está bem. Então... Melhoras.
- Obrigada Tom. - Mel desligou o telefone.
- Sabe mentir bem. - Alaric disse ao seu lado. Mas ela ignorou.
- Como é possivel... Ter um pálacio enorme na floresta perto da praça, e ninguém ver?
- Ele não está ai. Apenas eu estou aqui. Na verdade o pálacio não tem localização. Nenhum tem. Eu apenas penso onde quero ir, quando passo pela porta. E ela se abre exatamente onde eu pensei.
- Que loucura. Mais, ninguém vê a porta? Quando passamos?
- Não. Ela é invisivel a olhos humanos. Igual eu e você agora. Basta eu te tocar e você pode ficar imune as outras pessoas.
- Está bem. Mas... Eu vejo a porta.
- Por isso ainda penso que você é um demônio.
- Oque? Eu? Um demônio? Isso é idiotice, eu não mataria uma mosca. - Mel disse e Alaric riu.
Os dois desceram do carro, e andaram pelo caminho entre as arvores, até chegar na entrada da sala. Entraram, e Mel deixou de se assustar um pouco com as estatuas e pinturas.
- Quem é ela? - Apontou para a mulher.
- Solary. - Mel estremeceu, foi oque ela pensou.
- E por que tantos tigres com asas?
- O tigre é nosso guardião. Ele é o simbolo dos guerreiros celestiais. É como se ao invés de cães de guarda. Tivessemos tigres de caça. Mas não confunda com tigres mortais. Esses são bem maiores, mais fortes e são imortais. Temos um no pálacio, o Jeff.
- Jeff?
- Sim, quando tiver a oportunidade, vou apresenta lo a você e mostrar o resto do palácio. - Alaric andou na direção da escada, e Mel o seguiu. Sentia que Alaric estava ficando menos arrogante depois que se conheceram melhor. Apesar de ele não ter dito nada sobre a familia dele.
Quando chegaram no andar de cima, e viraram alguns corredores largos, encontraram Catherine passando rindo com uma outra garota, só que a garota parecia a criada, por que estava segurando um espanador em uma das mãos. Novamente Catherine ficou séria quando viu Mel.
- Oi Rebecca. Já ouviu falar de Melanie?
- Sim. Ela pode nos ver mesmo sendo humana. Que estranho... Acho que isso nunca aconteceu. - Rebecca, era bem bonita, tinha os cabelos meio ruivos e presos num coque. A pele limpa como de todos neste pálacio. E os olhos claros. - Oi Melanie.
- Olá. - Mel respondeu.
- Você é bem bonita... Para uma humana.
- Ah, humm, obrigada. - Mel não sabia se foi um insulto ou um elogio.
- Onde pretende ir Alaric? - Catherine disse num tom de cobrança para Alaric.
- Quero falar com Haziel.
- Ele teve que resolver algumas coisas. Ele foi até a provincia principal, no pálacio de Ades. Afim de pesquisar sobre a garota.
- Isso vai demorar muito?
- Não sei. Mais você devia ter deixado ela em casa. - Mel percebeu que Catherine não foi muito com a cara dela. E Alaric olhou para Mel.
- Ah, não tem problemas. Eu tenho o dia inteiro. - Mel disse.
- Que ótimo. - Catherine disse com tédio.
- Humm, desculpe. Mas acho que esqueci suas roupas em casa.
- Não se preocupe com elas. - Ela disse num tom seco.
- Mesmo assim, obrigada por emprestar.
- Tudo bem. Eu tenho que tratar algumas coisas com Tyler. Será que você pode mostrar o resto do pálacio para Melanie? E ela quer conhecer Jeff. - Alaric disse.
- Ela teria coragem? - Catherine sorriu.
- Vamos Catherine, faz isso por mim. - Alaric piscou para Catherine.
- Tudo bem. - Por um instante Mel viu uma felicidade nos olhos de Catherine.
- Eu vou fazer meu trabalho. - Rebecca saiu, pelo corredor, e entrou em uma porta.
- Vamos? - Catherine começou a andar graciosamente em cima de saltos muito altos pelo corredor. E Mel a seguiu.
- Vamos.