capitulo 1
Uma dor aguda atravessou minha cabeça.
Acordei assustado e segurei as têmporas com força, enquanto um gemido baixo escapava da minha garganta.
— Hmm…
Apertei os olhos com força, esperando que a dor desaparecesse.
Mas não desapareceu.
Em vez disso, ficou cada vez pior, até que lágrimas se acumularam nos meus olhos.
Tum. Tum. Tum.
Sobressaltei-me.
— Louis!
A voz de Jake veio do outro lado da porta.
— A mamãe disse que você tem que descer para jantar.
— Tá bom — respondi, forçando minha voz a parecer normal. — Já vou.
Minha cabeça latejou novamente.
Enterrei o rosto no travesseiro, mas a pressão só fez tudo piorar.
Com uma respiração trêmula, saí da cama.
No instante em que me levantei, senti algo quente escorrendo debaixo do meu nariz.
Fiquei imóvel.
Sangue.
— De novo, não.
Cambaleei até o banheiro e me apoiei na pia.
Meu olhar encontrou meu reflexo no espelho.
Meu rosto estava pálido.
Pálido demais.
Abri a torneira e lavei o sangue.
— Já é a terceira vez — sussurrei.
Três dores de cabeça.
Três crises depois das quais eu m*l conseguia ficar de pé.
Joguei água fria no rosto.
— Eu preciso ir ao hospital.
Prometi a mim mesmo que iria.
Amanhã.
Depois da escola.
Por enquanto, eu só precisava descer antes que alguém viesse atrás de mim.
Forcei um sorriso no rosto e saí do quarto.
Antes mesmo de chegar à sala de jantar, senti o cheiro da comida da mamãe.
Lar.
Era assim que aquele lugar sempre me fazia sentir.
Quente. Barulhento. Caótico.
Mamãe estava ocupada colocando a comida na mesa, enquanto papai estava ao lado dela, fingindo que ajudava.
De repente, ele se inclinou e deu um beijo na bochecha dela.
— Para com isso! — protestou mamãe, rindo enquanto suas bochechas ficavam rosadas. — As crianças estão aqui.
Papai apenas sorriu.
— Eu posso beijar minha esposa.
— Mas não na nossa frente — reclamou Jake.
Jade revirou os olhos.
— Eu já disse a vocês dois que são nojentos.
Eu ri baixinho.
Algumas coisas simplesmente nunca mudavam.
Bryan estava sentado à mesa, com o laptop à sua frente, enquanto seus dedos voavam pelo teclado.
Meu irmão mais velho.
Um detetive.
Inteligente. Sério. Intimidador.
E, infelizmente, obcecado pelas minhas notas.
No instante em que seus olhos encontraram os meus, endireitei a postura.
— Finalmente — disse ele.
Eu gemi.
— Nem comece.
— Você ainda não terminou de ler o livro que eu te dei.
— Eu ainda ia ler.
— Quando?
— Algum dia.
Bryan ergueu uma sobrancelha.
Imediatamente, desviei o olhar.
Está vendo?
Esse era exatamente o problema de ter um irmão mais velho genial.
De alguma forma, ele sempre sabia quando eu estava mentindo.
Mamãe veio até mim e colocou uma mão no meu ombro.
— Deixe-o em paz, Bryan. Deixe-o comer.
— Ele não vai melhorar se todo mundo continuar mimando ele.
Franzi a testa.
Todo mundo na minha família parecia ter herdado uma mente brilhante.
Todos, menos eu.
Eu era o filho mais novo.
O lerdo.
Aquele que Bryan vivia comparando com os outros alunos.
Mamãe odiava quando ele fazia isso.
— Louis, meu querido, venha sentar ao meu lado.
Fui rapidamente até ela e me joguei na cadeira ao seu lado.
Papai imediatamente apontou para mim.
— Ei, você.
Olhei para ele, fingindo inocência.
— Pare de roubar minha mulher de mim.
Mostrei a língua para ele.
Papai levou a mão ao peito, fingindo estar indignado.
— Você acabou de mostrar a língua para mim?
Escondi-me atrás da mamãe.
— Deixem meu bebê em paz! — ela repreendeu.
— Filho favorito — murmuraram Jake e Jade ao mesmo tempo.
Eu sorri.
— A inveja não fica bem em vocês.
Os dois soltaram gemidos irritados.
Por alguns minutos, tudo pareceu normal.
Mamãe serviu o jantar. Papai reclamou porque ela tinha colocado mais comida no meu prato do que no prato de todos os outros. Jake e Jade discutiam sobre alguma coisa completamente i****a.
E eu ri.
Eu ri de verdade.
Eu queria poder congelar aquele momento.
Mamãe colocou mais uma colherada da minha comida favorita no meu prato.
— Isso é para você, bebê.
Sorri.
— Obrigado, mãe.
Depois do jantar, arrumamos a mesa e nos reunimos na sala de estar para o que chamávamos de nosso momento em família.
Era a parte favorita da noite para mamãe.
Ela m*l tinha começado uma de suas histórias quando Bryan a interrompeu.
— Louis.
Olhei para ele.
— Você leu o livro?
Assenti.
— Ótimo.
Seus olhos se estreitaram.
— Amanhã, depois da escola, vou fazer perguntas sobre ele.
Meu sorriso desapareceu.
— Amanhã?
— Sim.
Suspirei.
— Eu realmente preciso fazer isso?
— Se quiser