Depois que Clara saiu, Nando permaneceu sentado por um longo tempo, o olhar fixo na porta fechada. Cada passo dela ecoava na mente dele, cada gesto, cada sorriso, cada palavra dita durante a sessão ainda pulsava dentro dele.
— Ela mexe comigo — murmurou para si mesmo, os punhos apertados — e eu não posso deixar que algo aconteça com ela.
Ele se levantou, caminhando pelo pequeno espaço da cela. A inquietação era quase insuportável. A saudade misturada à frustração criava um fogo interno que ele não conseguia controlar.
— Quero saber tudo sobre ela — disse Nando a um de seus homens de confiança, durante uma visita controlada. — Onde está, com quem fala, cada passo que dá. Nada pode passar despercebido.
O homem assentiu, já acostumado com a determinação silenciosa do chefe. Nando continuou:
— Não é só preocupação… é controle. Preciso sentir que posso alcançá-la quando quiser. Que nada nem ninguém se aproxime demais.
Em sua mente, imagens de Clara surgiam com intensidade: o jaleco branco sobre o vestido vermelho, o coque elegante deixando o pescoço à mostra, os olhos azuis penetrantes, o sorriso que desarmava qualquer defesa. Cada lembrança fazia seu coração disparar e a raiva contida crescer — raiva por não poder tocá-la, por não poder estar perto, e fascínio absoluto por tudo nela.
— Ela volta semana que vem — murmurou, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa — mas até lá… meus olhos estão sobre ela.
Enquanto seus homens agiam, discretos, investigando tudo sobre Clara, Nando sentia uma estranha satisfação. Saber que ela estava sob seu radar, mesmo sem perceber, dava-lhe a sensação de proximidade que ele precisava.
Ela não sabe — pensou, sentado novamente — mas cada movimento dela, cada sorriso, cada provocação, mexe comigo mais do que qualquer outra coisa. E eu não vou deixar que ninguém chegue perto dela.
A obsessão silenciosa misturava-se à atração, à necessidade de controle e à saudade que queimava. Ele sabia que estava entrando em território perigoso, mas não podia — e não queria — recuar. Clara havia invadido sua mente, seu coração, e agora também controlava seus pensamentos.
Mesmo de longe, Nando se sentia ligado a ela de forma intensa. Cada semana sem vê-la era um tormento, mas também alimentava algo mais profundo: a certeza de que, quando ela voltasse, a tensão entre eles explodiria de forma impossível de ignorar.
Nando estava sentado na cela, o olhar fixo no nada, quando os homens de confiança chegaram com as últimas informações sobre Clara. Um deles, com cuidado, começou a falar:
— Chefe… descobrimos algo… ela… ela tem um noivo.
As palavras atravessaram Nando como um golpe. O sangue subiu à cabeça, o corpo ficou tenso, a respiração acelerou. Ele recostou-se na parede, os punhos cerrados.
Um noivo? Não… não é possível! pensou, a incredulidade misturada à raiva queimando por dentro. Ela gosta de mim! Eu vejo isso nos olhos dela, no jeito que se comporta comigo… e ela também sabe que eu gosto dela!
Ele se levantou, caminhando de um lado para o outro na cela, o coração acelerado, a mente girando.
— Não… não posso aceitar isso — murmurou, a voz carregada de tensão. — Ela não… não pode ter outro.
Cada lembrança de Clara invadia a mente dele: o sorriso, o jaleco sobre o vestido vermelho, o coque que deixava o pescoço à mostra, os olhos azuis penetrantes que pareciam ler cada pensamento dele. Cada detalhe fazia o peito arder ainda mais, a raiva misturada à saudade, ao desejo e à necessidade de tê-la só para ele.
— Eu preciso falar com ela — disse finalmente, firme, quase um comando para si mesmo. — Não importa o que diga, quem seja… eu preciso que ela me ouça.
Nando sentou-se na cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça entre as mãos, tentando controlar o turbilhão de emoções. Raiva, incredulidade, desejo, obsessão… tudo misturado em uma tempestade que parecia impossível de domar.
Ela nunca deveria ter deixado isso acontecer sem me contar… nunca! pensou. — Eu não vou aceitar ficar de fora do que é meu.
O olhar dele se perdeu na parede da cela, mas a decisão estava tomada. Cada fibra do corpo dele gritou: ele precisava confrontá-la, precisava entender, precisava fazê-la perceber que ninguém, nem mesmo um noivo, poderia estar entre eles.
E naquele instante, entre raiva e desejo, Nando percebeu que a tensão que já existia entre eles estava prestes a explodir de uma forma que nenhum dos dois poderia controlar.