No dia seguinte, Nando entrou na sala de sessões com passos lentos, cada movimento carregado de controle e contenção. Ele se sentou à mesa, os olhos escuros fixos em Clara assim que ela entrou, sem dizer uma palavra.
Ela percebeu imediatamente a mudança. A intensidade do olhar dele, o corpo rígido, a respiração levemente mais pesada. Um arrepio percorreu a espinha dela, mas ela manteve o sorriso profissional.
— Boa tarde, doutor Nando — disse ela, tentando soar calma, apesar da tensão no ar.
— Boa tarde, doutora Clara — respondeu ele, voz firme, carregada de algo que ia além da simples formalidade. — Então… parece que você tem um noivo.
Clara engoliu em seco, tentando controlar a própria reação.
— Nando… eu posso explicar — começou, mantendo a postura. — Não é o que você pensa…
Ele inclinou-se levemente, cruzando os braços, cada centímetro mais próximo, provocando-a sem tocar.
— Explicar? — disse, a voz baixa, quase um sussurro. — Doutora, me explica como alguém que passa tanto tempo na minha mente… que me provoca… que me provoca de todas as formas… tem outro?
Clara sentiu a intensidade dele atravessando cada palavra, cada olhar. Ela sabia que ele estava furioso, mas também… inquieto, possessivo, absolutamente fascinante.
— Nando… — disse ela, aproximando-se apenas o suficiente para se inclinar sobre a mesa — não é o que você imagina. Meu noivo… — ela respirou fundo — ele é um compromisso antigo, mas você… você é diferente.
Ele arqueou uma sobrancelha, os olhos escuros queimando, e murmurou:
— Diferente? — cada letra carregada de tensão. — Clara… você mexe comigo, você sempre mexeu. E mesmo assim… você tem outro?
Ela desviou o olhar por um instante, sentindo o efeito que ele causava em cada fibra do corpo dela.
— Não… — disse baixinho, controlando a própria respiração — mas eu precisava resolver questões pessoais. Não queria que isso interferisse em nós…
Nando recostou-se, cruzando os braços, mas a raiva misturada à possessividade era clara:
— Interferir em nós? — repetiu, a voz rouca — Clara, você sabe que ninguém mais pode chegar perto. Eu não vou aceitar.
Ela sentiu um arrepio percorrer o corpo, mas manteve a postura firme. Por dentro, o coração disparava, a química entre eles estava quase insuportável.
— Eu sei — disse, com os olhos fixos nos dele — e é exatamente por isso que estou aqui, agora.
O silêncio se instalou entre eles, carregado de tensão, frustração e desejo contido. Cada olhar, cada gesto, cada palavra carregava a promessa de que nada seria mais igual entre eles.
Nando finalmente quebrou o silêncio, a voz baixa, mas intensa:
— Então vamos deixar isso claro, doutora. Ninguém… Ninguém vai ocupar o espaço que você tem na minha mente. E no meu mundo.
Clara sorriu levemente, controlando o próprio fascínio, sentindo cada batida do coração refletir a tensão e o magnetismo que existia entre eles.
E naquele instante, entre raiva, ciúme e desejo contido, ficou evidente: a química entre eles não podia mais ser ignorada.
A sessão continuou, mas nada estava normal. Cada palavra de Clara parecia carregar um peso extra, cada gesto seu era observado por Nando como se ele pudesse ler cada pensamento. Ele inclinava-se levemente, cruzava os braços, soltava comentários quase imperceptíveis, mas carregados de provocação.
— Você sabe — disse ele, com a voz baixa, rouca — que é impossível para mim ignorar cada detalhe seu. Cada gesto, cada olhar… até o jeito que você mexe nos cabelos me irrita e me fascina ao mesmo tempo.
Clara sentiu o corpo reagir involuntariamente, um arrepio subindo pela espinha. Tentou manter a postura, ajustando a pasta contra o peito.
— Eu… estou aqui para trabalhar com você, Nando — respondeu, firme, tentando afastar a tensão que crescia entre eles. — Não para provocar sentimentos ou distrações.
Ele arqueou uma sobrancelha, aproximando-se apenas o suficiente para que o perfume dele chegasse até ela.
— Distrações? — murmurou, provocador — Eu acho que não é distração. É você tentando… me resistir. E eu adoro isso.
Clara desviou o olhar por um instante, sentindo a adrenalina subir.
Ele está tão perto… tão intenso… e eu não consigo evitar o efeito que ele causa em mim, pensou, controlando a respiração.
— Então vamos deixar algo claro — continuou Nando, a voz baixa e firme — você não vai conseguir manter distância da minha mente, doutora. E eu não vou aceitar que você tente.
Ela sentiu o peso das palavras, a possessividade clara nele, mas também o fascínio silencioso.
— Eu sei — respondeu, com um fio de voz — mas ainda posso manter o controle.
Ele sorriu, um sorriso lento, malicioso, aproximando-se só o suficiente para que cada centímetro de proximidade carregasse eletricidade.
— Controlar? — disse, quase rindo — Eu duvido, doutora. Eu sinto tudo em você. Cada hesitação, cada olhar, cada sorriso.
Clara fechou os olhos por um instante, sentindo a tensão percorrer o corpo.
Ele vê tudo… e ainda assim continua provocando, pensou, sentindo-se dividida entre profissionalismo e desejo.
— Então… — disse ela, abrindo os olhos, tentando encarar o dele — vamos continuar a sessão antes que eu perca totalmente o foco.
Ele recostou-se, mas não perdeu o contato visual.
— Isso é só o começo — murmurou, a voz rouca, carregada de promessa — e você sabe disso, doutora.
O silêncio que se seguiu estava carregado de tensão elétrica, desejo contido e flertes silenciosos. Ambos sabiam que algo profundo estava se formando, algo que nenhum dos dois poderia controlar completamente.
E naquele instante, a química entre eles tornou-se impossível de ignorar: possessividade, desejo, fascínio… um jogo silencioso e perigoso que apenas começava a se intensificar.