Um ano havia se passado desde que Clara começara a cuidar da mente de Nando. Um ano de sessões intensas, conversas profundas e provocações silenciosas. Cada encontro era um delicado equilíbrio entre profissionalismo e fascínio, e cada dia que passava tornava mais difícil para ambos manter a distância emocional.
Clara sentava-se à mesa, ajustando o jaleco, respirando fundo antes de encarar aqueles olhos escuros que pareciam ler cada pensamento. Ela lembrava de cada detalhe de cada sessão: os silêncios carregados de tensão, os flertes sutis, os olhares que duravam segundos demais, e a dificuldade crescente de manter a ética.
Um ano… e ainda é impossível não sentir algo por ele, pensou. Mas eu preciso continuar profissional. Não posso me perder naquilo que ele desperta em mim…
Nando, por outro lado, observava cada gesto dela com atenção quase obsessiva. A forma como ela ajustava o cabelo, o leve brilho nos lábios, os olhos azuis que pareciam profundos demais. Ele sabia que ela lutava contra algo dentro de si, e isso só aumentava a vontade que sentia.
Ela tenta se manter firme… mas eu sinto cada hesitação, cada pequena distração. Cada vez que ela olha para mim é como se me provocasse de propósito. Eu adoro isso.
— Hoje vamos retomar de onde paramos — disse Clara, tentando manter o tom neutro, enquanto sentava-se à mesa.
— Claro — respondeu ele, a voz firme, mas carregada de algo mais — você sabe que eu nunca esqueci o que passamos juntos… mesmo que você tente manter a distância.
Ela sentiu o arrepio percorrer a espinha. Ele nunca esqueceu… e eu também não.
O ano de sessões havia criado algo intenso, invisível aos outros, mas impossível de ignorar: uma conexão que ia além da mente, além da ética, além do que qualquer palavra poderia expressar. Cada sessão era um jogo silencioso de controle e fascínio, provocação e resistência, desejo e contenção.
Enquanto ela falava, ele observava cada reação dela, cada gesto, cada respiração. A química entre eles estava presente em cada silêncio, cada olhar prolongado, cada mínima hesitação.
— Você sabe que isso não vai ser fácil para nós — disse Clara, finalmente permitindo-se encarar os olhos dele — mas também sabe que não posso evitar sentir o que sinto quando estamos juntos.
Ele sorriu levemente, quase maliciosamente.
— Então continuamos esse jogo, doutora — disse, cruzando os braços, deixando a tensão carregada — e vamos ver até onde conseguimos nos controlar.
E assim, depois de um ano, o jogo deles continuava: uma dança de provocações, desejos contidos e química impossível de ignorar, com Clara lutando para manter a ética e Nando cada vez mais fascinado e possessivo.