Clara entrou na cela naquele dia e parou por um instante na porta. Ela havia decidido que seria diferente. Não apenas uma sessão normal, não apenas mais um dia de rotina. Hoje, algo em seu corpo e em sua mente estava impossível de esconder.
O vestido vermelho justinho ao corpo se ajustava perfeitamente às suas curvas, um decote suave sugeria sem revelar demais, e o jaleco branco por cima dava apenas um toque de profissionalismo. O cabelo loiro estava preso num coque elegante, deixando o pescoço exposto e atraente. Um brilho suave nos lábios completava o conjunto, mas eram os olhos azuis que realmente faziam Nando perder o fôlego. Intensos, marcantes, hipnotizantes.
Ao cruzar a porta, Clara percebeu imediatamente o efeito que causou. Nando estava parado, encostado na parede, braços cruzados, olhos escuros fixos nela. Por alguns segundos, o silêncio tomou a sala, pesado e carregado de eletricidade.
Ela nunca deveria ter vindo assim… pensou Clara, sentindo o coração acelerar, mas não conseguindo recuar. Ele vai perceber. Mas eu não consigo me controlar.
Nando, por outro lado, m*l podia acreditar. Em sua mente, tudo girava:
Ela… ela está impossível. Vermelho… decote… pescoço… e esses olhos! Como consegue me deixar assim, só de entrar?
— Bom dia, doutor Nando — disse Clara, tentando soar calma, mas a voz traía a tensão que sentia.
Ele a observou, cada detalhe gravado na mente. Um sorriso lento começou a se formar nos lábios dele, tão pequeno que poderia ser ignorado, mas não por ela.
— Bom dia, doutora… — disse ele, a voz rouca e carregada de aprovação e desejo contido. — Hoje você parece… diferente.
Clara sentiu um arrepio percorrer a espinha. Ela sabia que não conseguia disfarçar. Cada passo dela, cada movimento do corpo, cada olhar era um convite silencioso.
— Diferente no sentido… bom ou r**m? — provocou, mantendo a postura, mas a voz tremendo levemente.
— Bom — respondeu Nando, sem tirar os olhos dela — muito bom.
A tensão entre eles tornou-se quase física. Clara sentou-se à mesa, tentando concentrar-se, mas Nando podia sentir o calor que ela emanava, a atração que não conseguia esconder. Ele se inclinou um pouco para frente, cruzando os braços sobre a mesa, como se cada centímetro da proximidade fosse um teste silencioso.
— Parece que você finalmente desistiu de disfarçar — disse ele, a voz baixa, provocando-a. — Interessante… e perigoso.
Clara sorriu, mas seu coração batia acelerado. Perigoso… sim. Mas impossível resistir a ele.
Eles continuaram a sessão, mas nada do que se dizia importava. Cada gesto, cada olhar, cada silêncio carregava uma tensão elétrica, uma química que nenhum dos dois podia negar. Ela tentava manter o profissionalismo, mas sabia que havia perdido a batalha silenciosa naquele instante.
Nando, observando-a, sentia o controle escorregando. Mas, ao mesmo tempo, cada provocação, cada gesto dela só aumentava a vontade de testar limites, de explorar aquela tensão contida que estava prestes a explodir.
Quando a sessão terminou, Clara saiu da cela com o coração disparado, tentando controlar o efeito que sabia que tinha causado. Nando permaneceu ali, olhando a porta se fechar, com um sorriso malicioso nos lábios:
Ela não consegue me esconder nada… e eu gosto disso.