Clara entrou na cela e, como sempre, ajustou a pasta contra o corpo. Mas hoje havia algo diferente: um sorriso leve brincava em seus lábios, e os olhos azuis brilhavam com curiosidade. Nando percebeu imediatamente.
— Bom dia, doutora — disse ele, a voz rouca, mas com um leve tom divertido. — Vejo que hoje veio mais… confiante.
Clara sorriu, sentando-se à mesa.
— Confiante ou apenas ousada? — provocou, tentando soar neutra, mas sentindo o calor subir ao corpo.
Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso sutil surgindo nos lábios.
— Difícil dizer… Mas gosto dessa ousadia silenciosa.
Ela engoliu em seco, sentindo a tensão elétrica entre eles, mas respondeu com leveza:
— Silenciosa é a palavra-chave para sobreviver aqui.
— Para sobreviver ou para me testar? — replicou ele, inclinando-se levemente sobre a mesa, apenas o suficiente para que o ar entre eles parecesse carregado.
Clara manteve a postura profissional, mas não conseguiu esconder um sorriso. Ele está sempre testando, pensou. E eu adoro isso… mesmo sabendo que não deveria.
Enquanto ele começava a falar sobre seu passado, ela se pegou desviando o olhar para os lábios dele, tentando controlar o próprio fascínio. Nando percebeu e arqueou uma sobrancelha novamente, um brilho divertido nos olhos.
— Meus pensamentos estão começando a te distrair, doutora? — perguntou, como se lesse a mente dela.
Ela riu suavemente, tentando disfarçar o efeito que ele tinha sobre ela.
— Talvez um pouco… — admitiu, mas mantendo o tom leve. — Mas ainda posso focar em você.
Ele sorriu, satisfeito, e disse:
— Bom. Porque gosto de quando você tenta, mesmo sabendo que é impossível resistir.
Pequenos gestos, olhares demorados, silêncios que falavam mais do que palavras. Cada sessão se tornava um jogo de flertes sutis: ele provocava com perguntas, ela respondia com desafios leves. Eles tentavam se manter profissionais, mas a atração se tornava cada vez mais evidente.
Quando a sessão terminou, Clara levantou-se, ajeitou o jaleco e sorriu.
— Até amanhã, doutor Nando. — disse, tentando soar neutra, mas sentindo a adrenalina percorrer o corpo.
Ele permaneceu sentado, olhando-a sair, um sorriso malicioso nos lábios.
Ela é mais intrigante do que eu imaginava… e mais impossível de ignorar.