Renata apareceu no portão da casa do Imperador no meio da tarde, quando o sol já não queimava tanto, mas o calor seguia grudado na pele como um aviso constante de que estavam no Rio de Janeiro, no alto do morro, onde até o vento parecia cansado. — Sofiaaaaaa! — gritou Renata. Quando Sofia abriu o portão, Renata a abraçou e logo falou: — Bora tomar um açaí? — perguntou, apoiando o ombro no batente. — Ou sorvete… o que você aguentar descer pra comer. Sofia ergueu os olhos devagar. Estava com o cabelo preso, massageando a lateral da barriga, o vestido leve esticado marcando a barriga. — Acho que consigo — respondeu, com um sorriso pequeno. — Mas vai ter que ser devagar. Muito devagar. Renata sorriu de volta. Não aquele sorriso animado de sempre, mas um mais contido, cuidadoso. Desde

