Ex possessivo & Sogra racista

2239 Words
Quatro anos se passaram desde que Davina havia se libertado do relacionamento abusivo com Carlos, mas ele nunca aceitou o fim. Mesmo com o tempo, ele ainda a tratava como sua posse. O ciúme doentio crescia em silêncio, corroendo-o por dentro. Quando soube que Davina estava namorando um homem como Robert há 4 meses — carinhoso, protetor, milionário, um verdadeiro porto seguro —, Carlos explodiu por dentro. Parou de buscar a filha, ignorou o aniversário de sete anos da Alice, como se quisesse punir Davina por seguir em frente. Davina, mesmo magoada, tentava manter o equilíbrio por sua filha. Mas nada a preparou para o horror daquele dia. Ela estava saindo da empresa quando Carlos ligou, usando a desculpa de entregar um presente atrasado para Alice. Ingênua, acreditando que talvez ele estivesse tentando mudar, Davina permitiu. Jessica, sua secretária, a alertou: “Não fique sozinha com ele, por favor.” Quando Carlos chegou, Davina estava em casa. Ela o recebeu no portão. Ele olhou ao redor, observando a casa com inveja estampada no rosto. "Você está linda", disse ele, com um olhar que a fez gelar. Tentou forçar entrada na casa, mas ela bloqueou. Foi então que o monstro que ele sempre fora emergiu. “Desde que você começou esse namoro ridículo, minha vida virou um inferno”, cuspiu ele com ódio. Davina o encarou firme. “Nós estamos divorciados há quatro anos, Carlos. Você sabe o porquê. Eu tenho o direito de ser feliz.” Ele não ouviu. Estava cego de raiva. “Você não pode me tirar a Alice.!” “Você nunca foi pai! Quem dá tudo pra ela sou eu! Você nem casa tem!” As palavras o atingiram como navalhas. Ele avançou. O soco foi seco, brutal. Davina caiu no chão. Ele a imobilizou, rasgando sua blusa, dizendo que “sentia falta do corpo dela” e que ela “não quis por bem, então seria por m*l”. Mesmo ferida, ela conseguiu acionar o celular. Ligou para Jessica. “Me ajuda!” foi tudo que conseguiu gritar antes de outro golpe fazê-la apagar. Ela acordou ensanguentada, esfaqueada na cintura e na coxa, com o rosto coberto de hematomas. Do lado, um bilhete dele: “Isso não vai ficar assim.” Horas depois, Jessica e Robert chegaram. O desespero estampado em seus rostos era indescritível. Davina murmurou com a voz falhando: “Foi o Carlos...” antes de desmaiar novamente. Robert sentiu o mundo ruir. A mulher que ele ama é proteger estava ali.... Algo dentro dele quebrou. A raiva tomou conta. Ele não pensou duas vezes. Jessica lhe deu o endereço de Carlos e ele saiu acompanhado por seus seguranças. Quando chegaram, arrombaram o portão. Carlos tentou correr, mas não teve chance. Ao ver Robert, debochou: “Você é só um empresário mimado.” m*l terminou a frase. Robert deu o primeiro soco com tanta força que Carlos cambaleou. “Você gosta de bater em mulher, né? Gosta de destruir quem é mais fraco que você?” Os seguranças seguraram Carlos enquanto Robert descarregava sua fúria — cada soco, um grito sufocado de dor por Davina. Carlos gritou: “Ela me provocou!” “Você a estuprou enquanto ela estava inconsciente, sangrando no chão!” gritou Robert, transtornado. “Seu porco desgraçado!” Um chute no estômago o fez cuspir sangue. “Eu só não vou te matar... por causa da Alice.” Robert olhou para os seguranças: “Arrebentem esse canalha. Mas não matem. A polícia vai levar esse lixo.” E saiu, com Carlos gritando de dor, implorando, enquanto os seguranças cumpriam a ordem com precisão e raiva. No hospital, Robert chorou ao ver o estado de Davina. Doou sangue quando soube que ela precisava. Ficou ao lado dela o tempo todo, segurando sua mão com ternura, mesmo com o coração em pedaços. “Ele me rasgou, me quebrou... Eu tentei lutar...”, sussurrou Davina com os olhos marejados. Robert a abraçou com todo cuidado e amor do mundo. “Eu te amo, Davina. Nada mudou. Nós vamos superar isso juntos. Ele nunca mais vai tocar em você.” Foram dias sombrios. A recuperação foi lenta e dolorosa — não só fisicamente, mas principalmente emocionalmente. Eu estava destruída por dentro. Cada vez que fechava os olhos, revivia aquele horror. Sentia o toque áspero, as palavras cruéis, o cheiro do medo... tudo voltava como um pesadelo sem fim. Robert ficou ao meu lado o tempo todo. Mas diferente de antes, agora ele não me tocava. Nem mesmo para um carinho no rosto. Seus olhos diziam tudo. Ele queria me envolver, proteger, abraçar forte e me fazer esquecer... mas respeitou meu espaço. Ele era meu porto seguro, meu abrigo silencioso. Dormia no sofá do quarto do hospital, segurando minha mão quando eu tremia, enxugando minhas lágrimas quando eu chorava em silêncio. Minha mãe... estava destruída. Culpa, dor, impotência. Ela tentava ser forte por mim, mas eu via nos olhos dela o quanto estava em pedaços. Muitas vezes chorávamos juntas, em silêncio. Ela se perguntava como aquilo tinha acontecido. Como, mesmo com todo o cuidado, aquele monstro ainda tinha conseguido me ferir de forma tão c***l. Alice... meu anjinho. Ela viu e sentiu demais. Por isso, agora morava com minha mãe, enquanto eu me recuperava no hospital e depois em casa. Ela começou a fazer acompanhamento psicológico infantil. Era tão pequena, mas tão esperta. Às vezes dizia coisas que me partiam a alma. Um dia, entrou no meu quarto com um desenho onde estávamos eu, ela, Robert e minha mãe, todos sorrindo. No canto, um homem todo escuro com lágrimas caindo dos olhos e um “X” no peito. Ela olhou pra mim e disse: — Esse aqui é o homem m*l. Ele não vai voltar mais, né, mamãe? Eu só consegui abraçá-la, com lágrimas nos olhos. — Nunca mais, minha filha. Nunca mais. E eu repetia isso para mim todos os dias, como um mantra. Nunca mais. As semanas seguintes foram um teste de força, paciência e amor. A cada dia eu enfrentava um novo obstáculo — dores físicas que queimavam meu corpo, e lembranças que dilaceravam minha alma. Mas eu estava determinada. Eu tinha motivos para continuar: minha filha, minha mãe, e... Robert. Robert foi minha âncora. Nunca me apressou, nunca me cobrou um sorriso ou um toque. Ele apenas... estava. Como uma presença sólida e amorosa. Me levava às sessões de terapia, preparava meus chás, lia pra mim quando eu não conseguia dormir. Às vezes, apenas sentava ao meu lado e segurava minha mão em silêncio, como se dissesse: você não está sozinha. Teve uma noite, em especial, que nunca vou esquecer. Eu acordei no meio de um pesadelo, suando frio, o coração acelerado. Ele estava dormindo em uma poltrona no canto do quarto. Quando me viu, levantou imediatamente. — Você quer que eu chame a sua mãe? — perguntou com delicadeza. — Não... — sussurrei, com a voz embargada — Só fica aqui comigo. Ele se sentou na beira da cama, com cuidado, sem me tocar. Ficou ali, com os olhos marejados, respeitando cada centímetro do meu espaço, mas me oferecendo toda sua alma. — Você é a mulher mais forte que eu já conheci, Davina. E eu vou estar aqui, até o fim, quando você estiver pronta pra viver de novo. Sem pressa. No seu tempo. Chorei em silêncio. Pela primeira vez, não de dor... mas de alívio. Enquanto isso, minha mãe se transformou em um escudo para a Alice. Ela a levava e buscava na escola, preparava suas refeições favoritas, lia histórias e dormia de mãos dadas com ela nos dias mais difíceis. A psicóloga dizia que Alice estava processando tudo de forma surpreendentemente madura, mas que ainda precisaria de muito acompanhamento. Ela fazia perguntas duras às vezes. — Vovó, por que meu pai é tão mau com a mamãe? — — Porque ele está doente por dentro, minha flor. E quem ama de verdade, não machuca. — — Então o Robert ama a mamãe, né? Porque ele cuida dela até quando ela tá triste... Minha mãe apenas sorria e a abraçava com força, tentando conter o choro. Apesar da dor, a cada dia que passava, eu sentia uma pequena luz voltando. Como se meu coração, aos poucos, se reconstruísse. Como se a confiança, despedaçada e frágil, começasse a nascer de novo — com calma, com cuidado. E Robert... ele nunca mudou. Nunca se cansou. Nunca me deixou. E aquilo... era amor. Sete meses passaram desde que Davina havia vivido um dos momentos mais traumáticos de sua vida, e aquele era o primeiro evento social desde então. Um momento delicado, mas especial: naquela noite, ela seria oficialmente apresentada como a mulher de Robert à alta sociedade, além de conhecer formalmente seus sogros. O salão da mansão dos Joshadan estava impecável — elegante, com arranjos florais exuberantes, cristais cintilando sob a luz suave dos lustres e convidados trajando seus melhores vestidos e ternos. Robert, ocupado conversando com alguns amigos influentes do ramo empresarial, afastou-se por alguns minutos de Davina. E foi nesse exato momento que Rute aproveitou. A senhora de cabelos grisalhos bem penteados, com uma postura altiva de quem achava que o mundo lhe devia alguma coisa, se aproximou de Davina. Com um sorriso falso nos lábios, a puxou discretamente para um canto mais reservado do salão, onde a música e o burburinho das vozes não permitiriam que fossem ouvidas. — Então é você... — começou Rute, encarando Davina dos pés à cabeça com desdém. — A mulher que conseguiu fisgar o meu filho. Uma preta, pobre, divorciada... e ainda por cima com uma filha bastarda. Que tipo de bruxaria você usou, hein? Davina engoliu em seco, mas manteve-se firme. Rute continuou, a voz carregada de veneno: — Você acha mesmo que pertence a esse mundo? Você pode até estar bem-vestida, mas o cheiro da sua origem ainda está impregnado em você. Você não passa de uma aproveitadora! E se por acaso você engravidar do meu filho, eu juro por tudo que é mais sagrado... eu dou um jeito de tirar esse bastardo de dentro de você. Nem que tenha que ver você sangrar até perder esse filho! Gente como você não merece continuar essa linhagem. O coração de Davina disparou, mas ela não cedeu. Encarou Rute com a dignidade que sempre guiou sua jornada. — Eu não vou me separar do Robert. Mesmo que a senhora fique contra nós. Ele é um homem maravilhoso. Me trata com respeito, amor. Cuida da minha filha como se fosse dele. ama a minha mãe como se fosse mãe dele. Eu estou aqui não pelo dinheiro dele, mas pelo homem que ele é. Tudo o que conquistei, inclusive estar aqui hoje, foi com o meu esforço. Eu cheguei nesse patamar por mérito próprio. Rute riu, sarcástica. — Mérito? Você acha que ser uma neguinha bem arrumada te faz merecedora de alguma coisa? Você é um erro! Uma aberração nessa família. Você pode até enganar ele por um tempo, mas uma hora a sujeira da sua raça volta à tona. Nesse momento, a voz grave e cheia de fúria de Robert ecoou atrás delas: — CHEGA! Rute se virou, surpresa ao ver o filho ali, com os punhos cerrados, os olhos azuis queimando em fúria. — Eu devia sentir vergonha de tudo isso. Mas o que eu sinto é nojo, mãe. Nojo da mulher horrível que você é. Você nunca amou ninguém além de si mesma. Você é c***l, racista, vazia. E não, você não vai arruinar o que eu tenho com a Davina. Rute tentou se fazer de vítima: — Robert, meu filho... ela está me envenenando contra você. Eu só estou tentando proteger sua imagem... — Cale a boca! — ele gritou, apontando para a porta. — Essa casa não é sua. Nunca foi. Essa casa é minha e da minha mulher. E você... nunca mais coloque os pés aqui. Vá embora, Rute. E leve sua podridão com você. Ricardo, pai de Robert, chegou alguns minutos depois, o rosto sério, mas os olhos gentilmente voltados para Davina. Ele estendeu as mãos para ela, com um pedido silencioso de perdão. — Davina, minha querida... me perdoe. Me perdoe por ela, por tudo isso. Eu só aguentei essa mulher todos esses anos porque não queria que o Robert fosse criado por ela. Eu temi que ele se tornasse alguém sem alma... mas ele é o oposto. Eu tenho orgulho do homem que meu filho se tornou hoje. Da forma como ele protege você. Eu sinto muito. Davina sorriu com os olhos marejados, abraçando Ricardo em gratidão. Enquanto isso, ela se afastou com Fernanda para respirar, recuperar-se emocionalmente, e deixar o peso daquela conversa escorrer pelos dedos. Horas depois, já em seu quarto, envolta pelo silêncio da noite, Davina foi surpreendida por Robert. Ele se aproximou com os olhos azuis marejados, ajoelhou-se diante dela, segurou sua mão com delicadeza e disse: — Me perdoa por tudo isso. Não me deixa, Davina. Aquela mulher pode ser minha mãe, mas é um monstro... E você não é o oposto dela. Você é tudo que eu sempre quis. Meu lar. Minha paz. Meu amor. Eu não aguentaria te perder por culpa dela. Davina, com os olhos brilhando, acariciou o rosto dele. — Eu nunca te deixaria, Robert. Você sabe o homem que é. E é por isso que eu te amo.
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