Capítulo 14

1712 Words
Fantasma narrando Eu parei por um segundo antes de entrar de vez na praça e respirei fundo. Depois caminhei até a mesa onde os caras estavam. A loira ainda estava ali, dançando perto da mesa, rebolando na frente de alguns dos caras enquanto segurava uma garrafa de cerveja. Quando ela me viu chegando ela fechou a cara na mesma hora e eu não queria que ela continuasse ali, mas eu sabia, conhecendo ela, ela não ia embora de jeito nenhum… Mas antes mesmo de sentar eu senti o olhar da Rafaela bater em mim. Eu levantei os olhos. Ela estava olhando direto para mim. Por um segundo parecia que todo o resto da praça tinha desaparecido. Então os olhos dela desceram. Ela olhou para as minhas mãos cheias de sangue e eu escondi no bolso da calça na hora. Não queria que ela e nem ninguém visse, eu tava de saco cheio, puto com tudo, e principalmente comigo mesmo. E eu soube na hora que ela tinha percebido. Meu maxilar travou, mas eu mantive o olhar firme enquanto puxava uma cadeira e sentava na mesa com os outros. Thor estava ali com alguns dos caras, uma garrafa de cerveja na mão. Assim que eu me sentei ele virou o rosto para mim com aquela expressão pesada de quem já estava cansado da confusão. — Irmão… — ele começou soltando um suspiro. — Rafaela não tem jeito. Eu peguei uma garrafa de cerveja da mesa e abri com calma. — Eu vou ter que conversar com meu pai — ele continuou. Eu neguei imediatamente enquanto levava a garrafa à boca e tomava um gole antes de responder. — Não precisa — eu falo firme com ele tomando um gole de whisky Thor franziu a testa. — Eu vou conversar com teu pai — falei com a voz firme, colocando a garrafa de volta na mesa. — Algumas coisas vão ter que mudar. Ele me encarou por alguns segundos, mas antes que pudesse responder a loira apareceu novamente ao meu lado. Ela não perdeu tempo. Simplesmente se jogou no meu colo como tinha feito antes, passando o braço pelo meu pescoço enquanto começava a rebolar devagar sobre minhas pernas. — vamos sair daqui, eu quero sentir seu p*u gostoso dentro de mim… — ela murmurou no meu ouvido com um sorriso malicioso e eu ignorei ela completamente. Eu agarrei ela com força olhando pra Rafaela, meu sangue fervendo com ela dançando com aquela mini saia, a b***a dela gigante, ela se acabando de sambar com a amiga e eu não estava mais conseguindo me controlar naquela p***a. O pagode já estava daquele jeito que só fica no morro quando a noite embala de verdade, com o paredão estourando grave no peito da gente, pandeiro cortando o ar e uma multidão espalhada pela praça bebendo, fumando, rindo e sambando como se o mundo não tivesse problema nenhum. Eu continuava sentado na mesa com os aliados, a cerveja aberta na minha frente e a loira rebolando no meu colo como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. O braço dela estava jogado no meu pescoço e o perfume doce dela misturava com o cheiro de bebida, cigarro e maconha que tomava conta do ambiente, mas a verdade é que eu m*l estava sentindo aquilo, porque minha cabeça estava completamente presa no camarote ao lado, onde Rafaela dançava com a amiga dela como se estivesse numa pista de baile qualquer e não no meio de uma praça cheia de bandido armado olhando pra ela. Ela sambava solta, com aquele jeito provocante que parecia fazer questão de chamar atenção de todo mundo que estava por perto, e cada vez que ela girava o corpo naquela minissaia branca eu sentia o maxilar travar mais um pouco, porque não tinha um filho da p**a ali que não estivesse olhando pra ela. A amiga dela falava alguma coisa no ouvido dela e as duas riam, levantando o copo de bebida enquanto o grupo de pagode puxava outro refrão que a galera acompanhava em coro. Eu tentava fingir que estava tranquilo, que aquilo não me afetava, mas a verdade era que cada segundo vendo aquela cena parecia uma provocação direta. A loira percebeu minha tensão e começou a esfregar o corpo no meu de forma ainda mais insistente, passando os dedos pela minha nuca e falando baixo perto da minha orelha. — Bora sair daqui, Fantasma… — ela murmurou com a voz carregada de malícia. — Vamos pra algum canto só nós dois. Eu mantive o olhar fixo na praça enquanto ela falava, ignorando completamente a proposta. — Fica de boa aí — respondi seco, sem tirar os olhos do camarote. Ela soltou uma risadinha baixa, achando que aquilo era algum tipo de joguinho, e continuou rebolando no meu colo enquanto passava a mão pelo meu peito. Na mesa, um dos aliados que estava bebendo com a gente acompanhava a mesma direção do meu olhar e acabou soltando uma risada debochada enquanto inclinava o corpo na cadeira. — c*****o, Thor… — ele comentou apontando discretamente com o queixo na direção do camarote. — Tua irmã tá um absurdo hoje, hein. Thor virou o rosto imediatamente na direção que ele indicava, olhando para Rafaela dançando. O cara ainda completou, meio rindo, meio provocando. — Fala aí… tem chance ali ou é território proibido mesmo? A reação de Thor foi imediata. Ele virou o corpo na cadeira e encarou o aliado com uma expressão fechada que fez a mesa inteira ficar em silêncio. — Nem pensa, parceiro — ele respondeu com a voz firme. — Aquilo ali não é pra qualquer um não, se ficar olhando pra minha irmã não vai ter nem velório nessa p***a, c*****o — ele fala puto ajeitando a arma na cintura e colocando outra em cima da mesa O cara levantou as mãos em sinal de rendição, e eu me controlei pra não sacar a minha e acertar o crânio do desgraçado. Thor voltou a olhar na direção da irmã, claramente irritado com a situação, e eu fiquei ali segurando a garrafa de cerveja enquanto tentava manter a p***a do controle dentro da minha cabeça. Foi então que, do nada, o primeiro estouro rasgou o céu. Um foguete subiu cortando o ar e explodiu lá em cima com um clarão vermelho que iluminou o morro inteiro por um segundo. Todo mundo parou. Um segundo foguete subiu logo depois. E então veio o grito lá da entrada da favela. — invasão, c*****o! — um dos menor berrou no rádio O efeito foi instantâneo. A praça inteira virou um caos assim que os fogos brilharam no céu. Cadeira caindo, gente derrubando copo, mulher correndo pra todo lado enquanto o pagode parava no meio da música e os caras da banda largavam os instrumentos. Thor já estava de pé antes mesmo de todo mundo entender o que estava acontecendo. Ele puxou o rádio que estava preso no peito e falou rápido. — Qual é da situação aí? Quem subiu? — ele perguntou no rádio enquanto já olhava em volta da praça. — Fala comigo, p***a! A resposta veio cheia de interferência. — Viatura subindo pela pista… várias… — a voz do rádio respondeu. — Parece que os caras tão tentando entrar. Thor virou pra mesa. — Todo mundo se arma e desce pra ver qual é — ele falou alto, já puxando o fuzil que estava atravessado no peito. — Ninguém dá mole! Enquanto isso, a loira no meu colo já estava completamente apavorada. Ela se agarrou no meu pescoço como se aquilo fosse proteger ela de alguma coisa. — Fantasma, vamos sair daqui… pelo amor de Deus… — ela disse desesperada. Eu levantei da cadeira imediatamente e segurei os braços dela, afastando ela do meu corpo com firmeza. — Vaza daqui — eu falei seco olhando direto pra ela. — Some da minha frente c*****o. — eu já tava na neurose do bagulho Ela ainda tentou falar alguma coisa, mas quando viu minha cara decidiu não insistir e saiu correndo junto com a multidão que já descia a praça em desespero. Mas eu não estava olhando pra ela. Meu olhar já tinha voltado para o camarote. Rafaela ainda estava lá em cima com a amiga, olhando em volta tentando entender o que estava acontecendo no meio daquela correria. Meu corpo já estava se movendo antes mesmo de eu pensar direito. Eu subi os degraus do camarote em dois passos largos e agarrei o braço dela com força. — vai embora, some daqui — eu falei puxando ela. Ela virou pra mim imediatamente, irritada. — Fantasma pera aí — ela reclama quando eu saio arrastando ela — eu vou pra casa do meu irmão — ela fala e eu n**o na mesma hora — Tu vai pegar minha moto e vai voltar pra nossa favela agora. — Eu não preciso ir pra lá, eu posso ir pro meu irmão — ela fala e eu n**o já sabendo que os cana tão na intenção do Thor e a favela tá lotada, nós temos que controlar o bagulho e a segurança da Rafaela é prioridade pra mim acima de tudo — pega a p***a da minha moto e vai pra nossa favela agora — eu falo puxando minha glock da cintura e entregando pra ela — você vai ficar ? — ela pergunta agoniada e eu confirmo — vai embora rafa, vai logo — eu falo empurrando ela pra minha moto e ela sai arrastando a amiga dela pela mão e sobe na moto correndo — vou pra boca — o Thor fala boladao já saindo do reservado — vamos botar esses merda pra descer — eu falo com ele subindo na sua garupa e ele acelera pra boca Assim que chegamos lá eu olho a localização da rafa no celular pra ver se ela já estava chegando na favela mas uma explosão chama a nossa atenção — eles estão explodindo carro de morador — o Thor fala puto jogando um colete e um fuzil pra mim e eu já me preparo cheio de ódio… Esses cu azul são uns cuzao do c*****o, bando de fudido covardes, eles tão seco pra pegar o Thor porque já sabem o que está pra acontecer
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