Gabriel Montenegro Estava sentado na ampla mesa de reuniões improvisada no hotel, cercado por minha equipe, enquanto eles apresentavam os relatórios atualizados sobre as aquisições na cidade. As luzes brancas do teto refletiam no vidro da mesa, mas tudo parecia frio e impessoal. Eu mantinha minha expressão neutra, assentindo em pontos estratégicos enquanto um dos gerentes explicava a conclusão da compra de um dos imóveis mais emblemáticos do centro: a antiga livraria. — A negociação foi finalizada sem complicações, senhor Montenegro — disse Lucas, meu braço direito na operação. — O proprietário estava disposto e até satisfeito com a venda. E a reforma do prédio deve começar assim que os documentos finais forem liberados. Assenti lentamente, mas por dentro algo revirou. A livraria. A

